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[A Máquina de Fazer Espanhóis] Semana #2

A leveza da escrita de Valter Hugo Mãe já nos capturou! Embora seja difícil interromper a leitura de A Máquina de Fazer Espanhóis, vamos avançar apenas mais dois capítulos nesta semana, até a página 71, se você tem a edição da foto, ou até a página 55, se você tem a edição da Cosac Naify.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

A primeira página de A Máquina de Fazer Espanhóis é um misto de surpresa e apreensão. Se este foi seu primeiro contato com a obra de Valter Hugo Mãe, é provável que tenha se assustado com o texto todo em letra minúscula e com a ausência de exclamações, interrogações e travessões. A Tainara, uma novata quando falamos do autor português, logo se questionou: “será mais um livro a entrar na lista de longas tentativas e quase nenhum avanço?”

Passadas mais duas ou três folhas, porém, esse sentimento desvanece. O temor de a leitura não fluir é substituído por um encanto com a sua prosa quase lírica, por uma  vontade repentina de não parar mais de ler A Máquina de Fazer Espanhóis. Hugo Mãe tem a admirável capacidade de conquistar o leitor com uma escrita sofisticada e nada óbvia.

A estrutura de sua narrativa é inventiva. Aos poucos, somos apresentados a António, um senhor de 84 anos que está na sala de espera de um hospital, ouvindo a conversa interminável de Cristiano, um falante funcionário do local. Laura, a esposa de António, havia dado entrada na emergência depois de um mal estar, a princípio nada alarmante, dada a sua idade já avançada.

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[Resenha] Pedro Páramo

… se eu escutava somente o silêncio, era porque ainda não estava acostumado ao silêncio; talvez porque minha cabeça vinha cheia de ruídos e vozes.

Assim, cheio de ruídos e vozes, é o romance Pedro Páramo, do escritor mexicano Juan Rulfo. Essa frase do personagem Juan Preciado sintetiza o ponto forte desta obra que, nas palavras de Gabriel García Márquez, é “a mais bela novela já escrita em língua castelhana”.

Rulfo costura múltiplas narrativas para construir a história do homem estampado no título do livro. A cada capítulo, um novo personagem, uma nova voz e um novo tempo. Aos leitores, uma dica: é preciso persistir e não se deixar vencer pela confusão inicial causada pela intensa troca de narradores, pois isso é justamente o que distingue a escrita do autor mexicano. Quando todos os pontos começam a se ligar e fazer sentido, o esforço para superar as primeiras páginas é recompensado.

A história começa com a busca de Juan Preciado pelo pai que não conheceu: Pedro Páramo. Ele decide ir até Comala depois que a mãe, em seu leito de morte, desabafa anos de ressentimento, incentivando-o a procurar o pai não para pedir nada, mas sim para exigir o que lhe era devido por direito: “cobre caro pelo esquecimento em que ele nos colocou, meu filho”.

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[Lista] 5 livros que inspiraram (bons) filmes

Cinema e literatura têm uma ligação quase umbilical. A adaptação de algumas sagas, como Harry Potter, Senhor dos Anéis e Crepúsculo, só para ficar entre as mais famosas, arrastaram milhões para os cinemas. Mas é claro que nem só de blockbusters vive essa relação! Nesta semana, listamos cinco ótimos livros que também renderam bons filmes.

1. A Fazenda Africana, de Karen Blixen: Nascida em uma família aristocrata da Dinamarca, a baronesa Karen Blixen já ensaiava escrever algumas novelas na juventude, mas é a partir da sua experiência na África que surge sua obra-prima. Em A Fazenda Africana, Blixen relata, em primeira pessoa, sua experiência de estranhamento e intimidade com o Quênia, para onde se mudou depois do casamento. A beleza do local a arrebata logo de início:

A posição geográfica e a altitude da região combinavam-se para criar uma paisagem sem igual no resto do mundo. Ali não havia nada de excessivo ou luxuriante; era a África destilada por uma altitude de 1.800 metros, a essência forte e sublimada de um continente. As cores eram secas e crestadas, como uma cerâmica.

Como administradora de uma fazenda de café, conquistou seu lugar como mulher em um ambiente patriarcal, conservador e preconceituoso. Sua posição de autoridade, porém, advém de uma noção europeia de superioridade marcante entre os colonizadores, que aos poucos cede espaço a um forte sentimento pelo continente. Leia mais

“Os grandes pensamentos originam-se mais de um grande sentimento do que de uma grande inteligência.”

 

Fiódor Dostoiévski em O Eterno Marido

[A Máquina de Fazer Espanhóis] Semana #1

E enfim começamos nosso quarto Clube do Livro! Já estávamos ficando impacientes! A leitura desta semana de A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe, avança os dois primeiros capítulos, até a página 45, se você tem a edição da foto ou até a página 30 se você tem a edição da Cosac Naify.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Quando decidimos propor uma votação para o quarto Clube do Livro do Achados e Lidos, imaginamos que seria uma disputa apertada. Afinal, Elena Ferrante se tornou onipresente nas prateleiras dos mais vendidos nas livrarias e Daniel Galera não lançava um livro desde 2012, o equivalente a uma eternidade para seus leitores.

Qual não foi, então, nossa surpresa ao perceber que a maioria folgada dos votos estava sendo direcionada para Valter Hugo Mãe, com A Máquina de Fazer Espanhóis? Olhando mais de perto, porém, o sucesso desse autor português, nascido em Angola, não espanta.

VHM, como as redes sociais – da qual ele é usuário assíduo – costumam chamá-lo, foi elogiado por José Saramago, único escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, o que já deveria contar como uma estátua na estante. Ele também já acumula os Prêmios Saramago e Portugal Telecom.

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