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“Se um dia eu me suicidar, será num domingo. É o dia mais desalentador, mais sem graça. Quem me dera ficar na cama até tarde, pelo menos até as nove ou as dez, mas às seis e meia acordo sozinho e já não consigo pregar o olho. Às vezes penso o que farei quando toda a minha vida for domingo.”

 

Mario Benedetti em A Trégua

[O Mestre e Margarida] Semana #8

Chegamos ao fim da primeira parte de O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov, com sua hilária história sobre o passeio de uma trupe diabólica pela Moscou dos anos 30. Como não poderia deixar de ser, mais alguns fatos insólitos tomaram lugar na capital, como um terno sem corpo e a transfiguração monetária. À medida que avançamos e conseguimos conectar os fios que ligam essa trama, mais aguçada fica nossa curiosidade!  A de vocês também? Continuem acompanhando conosco. Na próxima semana, vamos até o 22º capítulo, ou até a página 252 se você tem a edição da foto.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Desaparecimentos consecutivos levaram a uma situação para lá de insólita no Teatro de Variedades. Depois de um espetáculo memorável, no qual se distribuiu dinheiro (transformado em seguida em papéis sem valor) e roupas parisienses (que num passe de mágica, ou de magia negra, sumiram logo após a apresentação, deixando em trajes mínimos algumas das senhoras mais ávidas no teatro), o estabelecimento amanheceu mergulhado no caos. Logo pela manhã, a fila que se formava à porta já era tão grande que levou até mesmo a polícia a aparecer. Os telefones tocavam sem parar, mas um problema esdrúxulo se impunha aos funcionários:

O próprio Likhodêiev também não estava. A empregada Grúnia também não estava, e ninguém sabia onde se metera. O presidente da administração, Nikanor Ivánovitch, não estava, Prólejniev não estava.

Resultou algo absolutamente inacreditável: toda a cúpula da direção desaparecera, uma sessão terrivelmente escandalosa tivera lugar na véspera, mas não se sabia quem a realizara ou investigava.

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[Resenha] Soldados de Salamina

Considerado um forte candidato a clássico pela revista The New YorkerSoldados de Salamina (Editora Globo – Biblioteca Azul, 213 páginas), do escritor espanhol Javier Cercas, é uma daquelas leituras que renovam a fé na literatura contemporânea. Uma história simples combinada a uma estrutura narrativa intrincada e inovadora faz dessa obra uma experiência recomendável a qualquer apaixonado por literatura.

O romance traz as aventuras de um escritor, que ao que tudo indica é o próprio Cercas, durante o processo de criação do seu novo trabalho, o livro Soldados de Salamina. Trata-se, portanto, de uma metanarrativa, ou seja, o relato se volta para ele mesmo.

Depois de algumas empreitadas frustradas na literatura e da decisão de abandoná-la, Cercas se vê novamente diante de uma história que precisa ser contada. O personagem central do episódio que o intriga é Sánchez Mazas, político e ideólogo da Falange, partido de sustentação da ditadura de Franco.

Capturado por republicanos nos estertores da sangrenta Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Mazas escapou de um fuzilamento e teve um retorno triunfal, quando as forças fascistas chegaram ao poder. A curiosidade pelos detalhes dessa fuga, que com o tempo ganhou contornos novelescos, levam o escritor a um trabalho profundo de investigação.

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[Divã] Literatura falada

Sei que chego atrasada ao assunto, mas recentemente descobri uma nova maravilha da humanidade, proporcionada pela tecnologia: os podcasts.

Para quem também perdeu essa onda, os podcasts são basicamente programas de rádio que você pode ouvir quando quiser: basta ter um novo episódio disponível. Para quem passa aproximadamente 80 minutos diários no trânsito, essa tem sido a salvação para usar o tempo de deslocamento de forma minimamente útil.

No começo, (ou)via com desconfiança esse formato. Há, claro, um certo amadorismo, já que mesmo quando o conteúdo é produzido por instituições conhecidas, nem sempre quem os apresenta tem as habilidades encontradas em locutores de rádio, como uma voz sonora e boa desenvoltura.

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“No hipnotizante crepúsculo da metrópole, eu sentia muitas vezes a solidão à minha espreita e dos outros – jovens balconistas pobres que perambulavam diante das vitrines, esperando a hora de entrar num restaurante para um jantar solitário – jovens balconistas à luz do anoitecer, desperdiçando os momentos mais intensos da vida e da noite.”

 

F. Scott Fitzgerald em O Grande Gatsby

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