Autor: Mariane Domingos (página 43 de 43)

[Lista] 3 formas inusitadas de literatura

1. Na caixa: “Amigos, transeuntes, você que ficou intrigado por este objeto, pegue um livro, leia-o e deposite outro. Nada para comprar, nada para vender, apenas compartilhar ideias, emoções e conhecimento. É tempo do compartilhamento, não do dinheiro. A gratuidade não tem preço”. É assim que o projeto Enfin livres do coletivo francês La gratuité n’a pas de prix convida o público a participar de um troca-troca de livros. Espalhadas por vários lugares da cidade francesa de Aix-en-Provence, as caixas (como esta da foto) incentivam a leitura e o compartilhamento.

2. Na máquina: os três botões disponíveis na máquina, 1, 3 e 5, referem-se ao tempo, em minutos, que você levará para ler a história. Basta apertar um deles e esperar pelo texto impresso em um formato parecido com os recibos de supermercado ou extratos bancários, mas com um papel mais resistente. A ideia que levou à criação dos Distributeurs d’histoires courtes (Distribuidores de histórias curtas) surgiu em uma tarde de 2013 quando os fundadores da Short Édition (uma startup do mercado editorial, que lançou em 2011 uma plataforma para publicação de escritores amadores) estavam no intervalo do trabalho e decidiram comprar um snack em uma daquelas vending machines. Eles pensaram: por que não oferecer histórias em vez de doces e bebidas?

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“A esperança na humanidade, talvez por ingênua convicção, está na crença de que o indivíduo a quem se pede que ouça o faça por confiança. É o que todos almejamos. Que acreditem em nós.”

 

Valter Hugo Mãe em A Desumanização

Do tipo curioso

Ler a última frase do livro antes de terminá-lo. Ou o último parágrafo. Ou a última página. Ou o último capítulo. Nem sempre fui assim. Tudo começou na minha adolescência quando conheci Agatha Christie.

A Rainha do Crime não me deixava seguir a ordem das páginas. Os personagens, as intrigas, as suspeitas surgiam e eu PRECISAVA de uma “dica” de quem cometeu o Assassinato no Expresso do Oriente, quem preparou Um Brinde de Cianureto, quem é a mente maquiavélica que habita A Casa Torta. Pronto, nascia mais uma leitora curiosa.

Ao leitor curioso, nunca faltam desculpas para fingir que ele lê o final por arte do acaso. “Sem querer abri naquela página”. “Uma manchinha no papel me chamou atenção”. “O marcador estava lá e eu precisava dele”. “Tinha uma orelha e eu fui desfazer”. É destino, gente.

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[Resenha] Trilogia de Alan Pauls

Gosto de escritores que enxergam literatura onde parece existir apenas banalidade. Em outras palavras, gosto de Alan Pauls.

Terminei há pouco de ler sua trilogia (História do pranto, História do cabelo e História do dinheiro), que aborda de maneira muito original um capítulo complexo e pesado da história argentina – os anos 70.

Em cada um dos livros, esses elementos supostamente banais que aparecem nos títulos funcionam como um gatilho para as memórias do período. Proust tinha suas madeleines. Pauls tem as lágrimas, o corte de cabelo e os maços de dinheiro.

Seus personagens não têm nomes e, ainda assim, ao final do livro, parecem ser nossos amigos íntimos, tal a profundidade e o ritmo frenético com que suas aventuras e desventuras, sempre conectadas de alguma forma ao pranto, ao cabelo ou ao dinheiro, nos são apresentadas.

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