[Resenha] A Vida Mentirosa dos Adultos, por Elena Ferrante

Em A Vida Mentirosa dos Adultos (Intrínseca, 431 páginas), o tão aguardado novo romance de Elena Ferrante, a autora volta à Nápoles, na Itália, dessa vez para acompanhar a passagem da infância para a adolescência de Giovanna, uma garota de classe média que questiona seu passado, sua beleza, suas amizades e sua família depois de entreouvir uma inesperada declaração de seu pai. 

E, ainda que A Vida Mentirosa dos Adultos não tenha a mesma qualidade da Tetralogia Napolitana (cujas resenhas você encontra aqui), há nele uma espécie de força magnética que mantém o leitor preso às suas páginas até o fim. O poder de Elena Ferrante de causar frisson continua intacto. 

De certa forma, isso ocorre porque Ferrante mostra como é frágil o equilíbrio que mantém as peças da nossa vida encaixadas. Neste quebra-cabeça, qualquer breve movimento, tão sutil quanto uma frase impensada em meio a uma briga de casal, pode desarranjar tudo de forma irreversível. E assim é com Giovanna.

“Foi assim que, aos doze anos, soube pela voz do meu pai, sufocada pelo esforço de mantê-la baixa, que eu estava ficando igual à sua irmã, uma mulher na qual – eu o ouvira dizer desde sempre – feiura e maldade coincidiam perfeitamente”. 

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Quem nos segue há um tempinho sabe que amamos unir nossas duas paixões: viagens e livros. Sempre que possível, aproveitamos para visitar livrarias e bibliotecas por aí. Hoje, temos uma dica ainda mais especial. O jornalista e consultor João Villaverde visitou a Foyles, conhecida como a maior livraria do mundo, em uma viagem a trabalho para Londres. Abaixo, ele conta um pouco mais sobre essa experiência. E, para quem quiser outras dicas dele, vale assinar sua newsletter “Refúgio do ruído”, recheada de boas reflexões e ótima seleção de leituras. O link é https://www.jvillaverde.info/.

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Eu já conhecia a fama grandiloquente da Foyles (“a maior livraria do mundo”), mas foi sem querer que eu a efetivamente conheci. Numa viagem de trabalho a Londres, marquei no bloco de notas a loja que fica dentro da estação Waterloo do metrô e me organizei para ir para lá ao final da semana, terminadas as reuniões. Pois eu estava passeando na Charing Cross Road e, voilá, a verdadeira Foyles estava lá, diante de mim. Essa surpresa (gerada pela minha própria e assustadora desatenção para endereços e mapas) foi impagável.

A Foyles é muito maior do que eu sonhava. Não há formas ideais de descrevê-la. Gigante, monstruosa, enorme, dinossáurica… essa talvez funcione, afinal. A livraria existe (como quase tudo em Londres) há mais de 100 anos. Embora seja a caçula entre as livrarias tradicionais, a Foyles compensou a relativa juventude com um tamanho notável. Há um andar inteiro só para romances. Outro somente para não-ficção. Um piso completo de livros infantis (o que fez a alegria do meu pequeno Teo quando voltei ao Brasil — e o azar de meu patrimônio financeiro quando a fatura do cartão chegou). No alto, o último piso ainda guarda uma seção inteira só para música, incluindo um cômodo escondido onde só entram apaixonados por Jazz. Eu poderia morar naquele cômodo para o resto da minha vida. 

Por fim, a Foyles traz também um café, com janelas que dão para as ruas e os jardins suspensos dos sortudos vizinhos desta livraria. A última vez que estive na Foyles foi no fim de 2019, durante nova viagem de trabalho. Eu não poderia saber, mas foi mais ou menos na mesma época que do outro lado do mundo aquele famigerado morcego carregava para o primeiro infectado o novo coronavírus… Não vejo a hora desse terror passar. Sonho levar meu filho para a Foyles.”


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[Resenha | Review] A Trilogia de Nova York / The New York Trilogy

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A Trilogia de Nova York (Companhia das Letras, 344 páginas) é o tipo de livro que surpreende. À primeira vista, parece um romance policial, mas, à medida que as tramas evoluem, percebemos que as empreitadas detetivescas são apenas a superfície de questionamentos que vão muito além de um mistério policial. São três histórias que se passam na cidade de Nova York e que compartilham muito mais que o cenário agitado de uma grande metrópole e o tom noir.

Na primeira narrativa, Cidade de Vidro, um escritor de romances policiais cheio de problemas em sua vida pessoal acaba se tornando, por acaso, detetive de uma investigação particular. O que era, até então, para ele, apenas objeto de ficção se torna sua realidade. E, para deixar a trama ainda mais intrincada, um dos personagens leva um nome pra lá de familiar: Paul Auster. Você já pode imaginar quantas conexões malucas essa leitura permite!

Fantasmas, a segunda história do livro, segue a linha de detetives, perseguições e mistérios. São quatro personagens, todos eles com nomes de cores, cujos caminhos se cruzam por uma investigação. Um deles é contratado como detetive particular para vigiar o outro, sem saber os motivos. Sua tarefa é apenas observar e relatar. No entanto, essa busca, por si só cheia de mistérios, acaba virando uma obsessão perigosa.

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Vamos falar sobre a Amazônia?

Nas últimas semanas, a Amazônia esteve no centro do debate no Brasil. Seguindo tendência já observada em 2019, o desmatamento continua a aumentar na região com uma rapidez alarmante, ameaçando a biodiversidade de um dos biomas mais importante do planeta. A questão se tornou tão urgente que tem mobilizado grandes empresas, sociedade civil e ONGs na articulação de políticas que poderiam ser adotadas imediatamente para conter a devastação. O debate, ainda assim, continua repleto de desinformação e notícias falsas, muitas vezes espalhadas por representantes do próprio governo. Para lidar com alguns desses mitos e achismos fáceis, listamos três ótimas leituras para aumentar seu grau de informação sobre Amazônia e, principalmente, sobre a relação que nós, seres humanos, temos hoje com a natureza. E, claro, como podemos mudá-la. Tem outras dicas? Compartilhe com a gente aqui nos comentários!

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“A violência é a única alavanca grande o suficiente para mover o mundo.”

O Reformatório Nickel, de Colson Whitehead


“Violence is the only lever big enough to move the world.”

The Nickel Boys, by Colson Whitehead

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