[Resenha / Review] Complô contra a América / The Plot Against America

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A leitura de Complô Contra a América (Companhia de Bolso, 440 páginas), é uma mistura de sentimentos contraditórios. De um lado, o prazer da boa literatura na escrita envolvente de Philip Roth, quase impossível de largar. Do outro, o gosto amargo de se enxergar em uma realidade não muito distante da ficção distópica apresentada pelo romance.

Philip, o protagonista, é um garoto estadunidense nos anos 40, nascido no seio de uma família judia. Sua infância tinha tudo para se passar na mais tranquila normalidade, não fosse por um acontecimento: a eleição de um simpatizante do nazismo de Hitler, o aviador Charles A. Lindbergh, como presidente dos Estados Unidos.

Roth narra, a partir da visão do garoto, a conjuntura social e política que levou à derrota do então presidente Franklin D. Roosevelt para um candidato novato que, ainda em campanha, demonstrava afinidades com as ideias extremistas que chegavam da Europa. Essa perspectiva infantil dos fatos é um dos grandes destaques do romance. A inocência com que, por vezes, o protagonista interpreta os sinais da tormenta que viria, deixa o leitor angustiado, com vontade de entrar na trama para mudar o curso da história.

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“O poder é a habilidade não apenas de contar a história de outra pessoa, mas de fazer que ela seja sua história definitiva. O poeta palestino Mourid Barghouti escreveu que, se você quiser espoliar um povo, a maneira mais simples é contar a história dele e começar com ‘em segundo lugar’. Comece a história com a flecha dos indígenas americanos, e não com a chegada dos britânicos, e a história será completamente diferente.”

O Perigo de uma História Única, de Chimamanda Ngozi Adichie


“Power is the ability not just to tell the story of another person, but to make it the definitive story of that person. The Palestinian poet Mourid Barghouti writes that if you want to dispossess a people, the simplest way to do it is to tell their story and to start with ‘secondly’. Start the story with the arrows of the Native Americans, and not with the arrival of the British, and you have an entirely different story.”

The Danger of a Single Story, by Chimamanda Ngozi Adichie

“Não conseguimos viver sem uma telinha. Eu não vou ao banheiro sem o celular. É o terror ao silêncio.”

A Uruguaia, de Pedro Mairal


“We can’t live without screens. I always take my cellphone to the bathroom. It’s the fear of silence.”

La Uruguaya, by Pedro Mairal

[Resenha] A Canção de Solomon, de Toni Morrison / [Review] Song of Solomon

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A Canção de Solomon (1977) foi publicado dez anos antes da obra-prima de Toni Morrison, Beloved (1987). Em dez anos, a autora ganhadora do prêmio Nobel não apenas aperfeiçoa sua linguagem poética, que se alimenta, principalmente, dos ritmos da fala e da canção afro-americana, mas também reforça a escrita vanguardista e poderosa que a estabeleceu como a principal voz da identidade negra na América no século XX.

O romance conta a história de Macon “Milkman” Dead III, filho de um bem-sucedido empresário negro da região Norte dos Estados Unidos. Milkman nasceu exatamente no mesmo dia em que um vizinho excêntrico se atirou do telhado em uma tentativa fracassada de voar. Além desse fato peculiar em sua data de nascimento, Macon também carrega um apelido esquisito, Milkman, que surgiu do fato de ele ter sido amamentado por sua mãe até uma idade bastante avançada.

Embora esse rápido resumo não cubra todos os meandros da narrativa de Morrison, ele evidencia dois elementos fundamentais que se entrelaçam no romance: o ato de voar como um símbolo da liberdade e o nome de uma pessoa como um ponto de partida para a busca da identidade.

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