[Divã] Literatura além dos livros

“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” Será que a arte segue a máxima de Lavoisier? Recentemente, tive uma ótima (e produtiva!) discussão entre amigos sobre esse tema, e resolvi trazê-lo para o blog.

Quantas adaptações – musicais, cinema, teatro – você já viu de Os Miseráveis, de Victor Hugo? E de Romeu e Julieta? Quais histórias habitam tanto a sua estante de livros quanto sua prateleira de DVDs? O intercâmbio entre a literatura e outras formas de arte não é incomum. Embora os resultados nem sempre sejam satisfatórios (sou do time que sempre prefere o livro), há diversas adaptações bem-sucedidas.

Quando falamos de cinema, e ainda mais de televisão, essa troca desempenha um importante papel na popularização de obras literárias e no incentivo à leitura. No entanto, alguns limites têm que ser observados, para que a referência não se perca em algum momento. Afinal, é tênue e bastante delicada a linha que separa as releituras dos plágios.

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ausência

tenho te escrito com calma
cartas em um caderno azul
arranco da espiral e não posto
por preguiça ou nem morta
tenho medo da espera
durante dias ou semanas um animal horrível
(espécie de raposa) vai me perseguir
por dentro, ou serei eu mesma
(um rato?) a me roer
enquanto a resposta não chega
perco muito tempo tentando
dar nomes aos bichos
que sobem a cortina do quarto

 

Alice Sant’Anna em Rabo de Baleia

[O Retrato de Dorian Gray] Semana #2

Depois de um ótimo prefácio, que é quase um ensaio de Oscar Wilde sobre a arte, entramos na trama desse clássico da literatura em língua inglesa. Para a próxima semana, avançamos até a página 73, se você está lendo a edição da Penguin-Companhia (essa da foto), ou até o fim do quarto capítulo, se você está acompanhando por outras edições.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Logo no prefácio, ao mesmo tempo em que faz uma espécie de manifesto em defesa da liberdade de expressão, Wilde já nos prepara para aquela que parece ser uma das grandes discussões do romance: o papel da arte.

Toda a arte é ao mesmo tempo superfície e símbolo.

Aqueles que vão além da superfície assumem um risco ao fazê-lo.

Aqueles que leem o símbolo assumem um risco ao fazê-lo.

É o espectador, e não a vida, que a arte verdadeiramente espelha.

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[Resenha] Orlando

Obra-prima da escritora britânica Virginia Woolf, Orlando (Editora Penguin-Companhia, 337 páginas) é magistral não apenas pela trama, bastante inventiva, mas também pela sofisticação e sensibilidade do texto de Woolf, capaz de descrever com naturalidade os sentimentos e percepções mais complexos.

Orlando é um nobre da corte inglesa, que tem ótimas relações com nomes poderosos, até mesmo com a rainha, que parece hipnotizada pela sua aparência estonteante. As mulheres se dobram aos desejos do jovem. O que não faltam são pretendentes dispostas a dividir riqueza e prestígio com ele. Os homens, por sua vez, também não deixam de admirá-lo e respeitá-lo pelas suas posses e influência. No entanto, Orlando não opta pelo caminho fácil. Ele se apaixona por uma nobre russa, de temperamento forte, e o romance não termina como ele gostaria.

Sentindo-se preterido, sensação que não lhe era comum, Orlando se enclausura em seu castelo, disposto a se dedicar à literatura, gosto que cultivava há muito tempo, mas que não era considerada atividade digna para nobres. A paixão pela arte acaba por decepcioná-lo também:

Cedo, no entanto, se deu conta de que as batalhas que Sir Miles e os demais haviam travado contra cavaleiros de armadura para se apoderar de um reino não foram nem de longe tão árduas quanto a que agora empreendia contra a língua inglesa para conquistar a imortalidade.

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[Lista] 24 livros para ler em 2018 (parte 2)

Depois da lista da Mari, recheada de boas dicas (especialmente se você colocou entre suas metas para 2018 ler mais mulheres), agora é a minha vez de selecionar 12 títulos para ler em 2018. Tentei me desafiar e incluir mais clássicos, novos autores e gêneros. Confira a lista abaixo e conte nos comentários em qual leitura você vai me acompanhar neste ano!

1. Frankenstein, de Mary Shelley, completa 200 anos de publicação em 2018. Ótima desculpa para revisitar uma das mais famosas histórias da literatura, com mais de 300 edições e 90 adaptações para o cinema em todo o mundo, não é? Li esse livro (em uma versão adaptada) na adolescência, mas é hora de encarar a versão original do Prometeu Moderno.

2. Clarice, de Benjamin Moser, entrou na lista como a biografia selecionada para o ano. Como já contei aqui, gosto muito desse gênero, e sempre mesclo minhas leituras de ficção com obras não-ficcionais. No entanto, percebi que a lista publicada no começo do blog é dominada por homens. Para mudar isso, vou me dedicar à história de uma das nossas autoras mais incríveis, escrita com maestria por um dos maiores conhecedores de sua obra, Benjamin Moser.

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