Lista da semana (página 1 de 15)

Quem não ama uma lista? Toda semana, vamos organizar em tópicos curiosidades ou novidades literárias que você não pode deixar passar.

5 melhores leituras de 2020

Começo esse post fazendo uma confissão: ao contrário das pessoas que se mostraram altamente produtivas durante a quarentena, eu tive grande dificuldade de concentração nos meses confinada em casa. Como quase todo mundo, fui consumida pela ansiedade diante de uma doença desconhecida e do modo como ela foi e continuar a ser enfrentada pelas autoridades, em um desgoverno que parece não esbarrar em nenhum limite. Soma-se a isso algumas outras dificuldades pessoais (afinal, 2020 não foi fácil pra ninguém) e o fato de uqe o ano passado foi provavelmente o período  em que mais trabalhei na vida e a lista de leituras ao fim do ano deixou um pouco a desejar: foram 21 livros (segundo meu acompanhamento no Goodreads. Me siga por lá!), nenhum clássico, poucos calhamaços e a promessa de finalmente acabar Grande Sertão: Veredas empurrada para 2021. 

Isso não quer dizer que não tenha esbarrado com algumas grandes leituras no ano passado. Vamos à lista!

Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior: A história deste livro é um pouco insólita. Antes mesmo de ser editado no Brasil, o romance ganhou o Premio Leya, em Portugal, tendo sido escrito por conta própria pelo autor, que ainda não contava com uma editora. Depois, quem se interessou pela obra aqui foi a Todavia. Eu acabei conhecendo o livro e o autor por uma indicação de uma colega que participa de um clube de leitura do qual faço parte. Depois disso, ele virou uma espécie de febre – quase um culto, presente nas conversas e indicações de muitos amigos e conhecidos virtuais devoradores de novidades literárias. Acabou por levar também o Prêmio Jabuti de melhor Romance Literário e o Prêmio Oceanos de Literatura. 

Fiquei tão fissurada por autor e obra que participei de um curso online dado por Itamar, sobre antropologia e literatura. Ao longo das aulas, o autor contou um pouco sobre sua formação, a inspiração para alguns personagens e como ele encontrou as vozes tão potentes das duas personagens principais do livro: duas irmãs no sertão da Bahia, ligadas entre si de forma indelével por  um acidente na infância e assombradas por um passado escravagista do qual estamos longe de superar. Em entrevista ao El País, em dezembro, ele também falou um pouco sobre essa história. 

A leitura me fez pensar muito sobre nossa ligação com a terra e nosso senso de comunidade (foi até inspiração para um post sobre o tema, que você pode ler aqui), sobre formação e história do Brasil e sobre racismo. O livro ainda é muito bem escrito, com uma das aberturas mais surpreendentes que eu já encontrei. 

Como comentou outro amigo participante do mesmo clube do livro, é um romance que já nasceu clássico, que deveria ser leitura obrigatória nas escolas e no vestibular. Quem não foi arrebatado por Torto Arado em 2020, aproveite a chance. 

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Vamos falar sobre a Amazônia?

Nas últimas semanas, a Amazônia esteve no centro do debate no Brasil. Seguindo tendência já observada em 2019, o desmatamento continua a aumentar na região com uma rapidez alarmante, ameaçando a biodiversidade de um dos biomas mais importante do planeta. A questão se tornou tão urgente que tem mobilizado grandes empresas, sociedade civil e ONGs na articulação de políticas que poderiam ser adotadas imediatamente para conter a devastação. O debate, ainda assim, continua repleto de desinformação e notícias falsas, muitas vezes espalhadas por representantes do próprio governo. Para lidar com alguns desses mitos e achismos fáceis, listamos três ótimas leituras para aumentar seu grau de informação sobre Amazônia e, principalmente, sobre a relação que nós, seres humanos, temos hoje com a natureza. E, claro, como podemos mudá-la. Tem outras dicas? Compartilhe com a gente aqui nos comentários!

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[Lista | List] 3 livros ambientados na Itália | 3 books set in Italy

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1. Roma: em Minha Casa É Onde Estou, Igiaba Scego percorre as ruas de sua cidade natal, Roma, ao mesmo tempo em que recupera as memórias de sua família em Mogadíscio, na Somália. Navegando por essas lembranças coletivas, ela desenha um mapa da cidade de origem de seus pais. E do mapa da capital italiana, a autora recupera suas próprias memórias enquanto filha de imigrantes na Europa. Em um jogo de direções contrárias –  da subjetividade das lembranças à objetividade de um mapa e vice-versa – Scego constrói um texto belíssimo do qual emana uma verdade essencial: cidades são organismos vivos, que nascem e morrem, e que são construídos não só de concreto, mas principalmente de histórias, experiências e percepções.

2. Nápoles: impossível falar de Nápoles sem pensar em Elena Ferrante. A misteriosa escritora italiana escolheu a cidade do sul da Itália para sua série, composta por A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome, História de Quem Foge e Quem Fica e História da Menina Perdida. O amadurecimento das amigas de infância Lila e Lenu é indissociável das cores e sabores de Nápoles. As motocicletas subindo a todo vapor pelas ruas íngremes de Nápoles, o burburinho da Piazza dei Martiri e os verões na ilha de Ischia…

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[LISTA] 5 dicas no Netflix para quem ama literatura

Nem só de livros vive o Achados! Selecionamos cinco filmes que estão disponíveis no Netflix Brasil e que têm grandes chances de encantar quem é apaixonado por livros.

1. A Sociedade Literária e a Torta da Casca de Batata: a escritora Juliet Ashton, interpretada por Lily James, decide viajar até a ilha de Guernsey, depois de receber uma carta de um morador contando a origem inusitada do clube do livro local. A história remonta ao período da Segunda Guerra Mundial, quando a ilha foi ocupada pelos nazistas. Dessas memórias, surgem segredos que aguçam o instinto de escritora da jovem Juliet. Várias pitadas de literatura, um pouco de história e boas doses de romance açucarado garantem um filme leve, para assistir a qualquer hora. Ah, e a produção é baseada no romance homônimo escrito por Annie Barrows e Mary Ann Shaffe.

2. Gabo: a criação de Gabriel García Márquez: nesse documentário sobre a vida e obra do escritor colombiano, descobrimos detalhes de sua trajetória que ajudam a compreender melhor a grandeza de livros como Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera. Da infância em Aracataca ao Nobel de Literatura, o filme passa por todas as fases de Gabo, inclusive sua atuação como jornalista e seu encontro com a escrita ficcional.

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5 razões para ler e amar Gabriel García Márquez

Alguns autores batem carteirinha aqui no Achados & Lidos, como é o caso de Gabriel García Márquez. O autor colombiano, nascido na distante Aracataca em 6 de março de 1927, é um dos meus preferidos desde a adolescência, quando me apaixonei pelo romance de Florentino Ariza e Fermina Daza, os protagonistas de O Amor nos Tempos do Cólera. De lá para cá, me aventurei por outras obras e formatos também explorados pelo escritor, como as crônicas, as memórias e os contos. Paixões são difíceis de explicar, mas seu estilo único e a exuberância das narrativas e dos personagens são apenas algumas das razões para amar Gabo. Elencamos cinco, mas são infinitas as razões para amar a escrita de um dos maiores autores latino-americanos.

1. Ele tornou o realismo fantástico conhecido mundo afora:

Gabo costumava dizer que o que escrevia era apenas realismo. A realidade que era fantástica. Para nós, latino-americanos, tão acostumados com a máxima de que por vezes a realidade supera a ficção, essa não seria uma grande novidade.

Quem lê seus textos mais autobiográficos de fato encontra muitos dos personagens mais famosos de seus livros em suas histórias familiares, que o marcaram profundamente, especialmente o convívio com os avós.

Mas o que Gabo fez com maestria foi levar para o restante do mundo o realismo fantástico tão característico de nossa região, fruto da convivência de diferentes culturas, crenças e personalidades, em uma atmosfera por vezes onírica, mas totalmente apaixonante.

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