Autor: Tainara Machado (página 1 de 29)

[O Retrato de Dorian Gray] Semana #7

Foi difícil segurar a leitura no último trecho! Será que a grande revelação vai acontecer? Vamos descobrir na leitura da próxima semana. Avançamos mais dois capítulos, o 13 e o 14, até a página 203 se você tem a edição da foto de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, da Penguin-Companhia.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Os anos avançam e a beleza de Dorian Gray se conserva na mesma medida em que sua alma e seu retrato se corrompem. Quase duas décadas se passam e Wilde resume em um capítulo, mais pautado em reflexões do em que ações, a vida de Dorian Gray nesse período: uma existência totalmente centrada no prazer.

O personagem coloca sua experiência sensorial e seus desejos acima de qualquer moral e leva uma vida que, não demora muito, vira alvo das fofocas da época. Época, aliás, que Wilde não perde a oportunidade de criticar:

Neste país basta alguém ser ilustre e ter cérebro para que todas as línguas vulgares se agitem contra ele. E que espécie de vida leva a gente que afirma ter moral? Meu caro amigo, você esquece que estamos na terra natal da hipocrisia.

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[Resenha] Nós

As distopias voltaram a ganhar espaço nas prateleiras de livrarias ao longo do ano passado, à medida que o mundo real parecia se aproximar cada vez mais dos sombrios totalitarismos expostos na ficção, com a ascensão da extrema direita que culminou na eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Em consonância com esse momento, a editora Aleph lançou no ano passado uma nova (e caprichadíssima) edição de Nós (323 páginas, quatro estrelas) , do russo Ievguêni Zamiátin, um dos precursores do gênero. Escrito em 1924, o romance foi censurado na União Soviética, por ter sido considerado ˜ideologicamente indesejável˜, e foi publicado primeiro em inglês, nos Estados Unidos.

O regime russo ainda estava distante dos expurgos de 1936, mas já se incomodava com o mundo mecanizado imaginado por Zamiátin nesta história. Passada em um futuro alguns séculos distante, escrito na forma de diário, o romance retrata a vida de D-503, um engenheiro totalmente fiel aos preceitos do Estado Único.

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[Lista] 5 livros sobre momentos históricos do século XX

O século XX foi marcado por guerras, genocídios, explosões nucleares e revoluções que marcaram gerações em diferentes continentes. Mais do que nunca, escritores buscaram retratar esses acontecimentos, seja como testemunha ocular, seja por meio de relatos capazes de humanizar eventos aparentemente distantes. Na lista de hoje, selecionamos cinco livros sobre momento históricos dos últimos cem anos, entre reflexões filosóficas, ficção e jornalismo literário! A lista, obviamente, não se esgota nesses cinco títulos. Deixe sua dica de leitura para quem se interessar sobre o tema nos comentários!

1. Hiroshima, de John Hersey – Publicado originalmente no dia 31 de agosto de 1946 na revista The New Yorker, um ano depois da explosão da bomba atômica que matou milhares de japoneses na cidade de Hiroshima, o artigo de John Hersey se tornaria um clássico do jornalismo literário. Vencedor do prêmio Pulitzer, Hersey buscou retratar o dia da explosão por meio dos relatos de seis vítimas,  em um livro assombroso sobre uma das maiores atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, que permitiu que o mundo tomasse conhecimento dos efeitos catastróficos dar armas nucleares, especialmente quando usadas contra uma população civil indefesa.

A sra. Hatsuyo Nakamura, a viúva do alfaiate, lutou para desvencilhar-se das ruínas de sua casa, após a explosão, e, ao ver sua caçula, Myeko, soterrada até o peito e incapaz de se mover, rastejou pelos escombros, afastando tábuas e removendo telhas, no afã de libertar a menina. Então ouviu duas vozes, provenientes das profundezas, do que parecia uma caverna distante: “Tasukete! Tasukete! Socorro! Socorro!˜.

Ela chamou o filho de dez anos e a filha de oito: ˜Toshio! Yaeko!˜

As vozes responderam.

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[Resenha] As Três Marias

As três marias, estrelas alinhadas que são referência no céu do hemisfério sul, parte da constelação Orion, têm brilhos diferentes. Uma irradia uma luz mais firme, outra é mais fugidia ou mais hesitante: assim também é a personalidade das três amigas que compõem o romance mais autobiográfico da brasileira Rachel de Queiroz, lançado em 1939.

O apelido é dado logo no início do livro por uma freira do colégio interno em que se passa a primeira metade da história: por estarem sempre juntas, em todos os cantos, Maria José, Maria Augusta e Glória foram logo designadas como As Três Marias, título do livro.

(…) nossa comparação com as estrelas foi como uma embriaguez nova, um pretexto para fantasias, e devaneios. (…) À noite, ficávamos no pátio, olhando as nossas estrelas, identificando-nos com elas. Glória era a primeira, rutilante e próxima. Maria José escolheu a da outra ponta, pequenina e tremente. E a mim me coube a do meio, a melhor delas, talvez; uma estrela serena de luz azulada, que seria decerto algum tranquilo sol aquecendo mundos distantes, mundos felizes, que eu só imaginava noturnos e lunares.

A história é narrada em primeira pessoa por Maria Augusta, ou Guta, como a personagem prefere se apresentar. Depois da morte da mãe e do casamento do pai com uma madrasta correta e bondosa, mas com a qual ela não se identifica, Guta é enviada para o colégio interno.

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[Divã] O que você faz com o seu tempo?

Tenho me feito a pergunta do título desse post com frequência: para onde vai o tempo que antes eu conseguia dedicar à leitura?

A reflexão, claro, tem a ver com o fato que chegamos aos últimos dias de janeiro e eu li… só um livro até agora (a resenha de O Deus das Pequenas Coisas está aqui). A confissão um pouco embaraçosa para quem mantém um blog literário cujo propósito é justamente estimular as pessoas a ler mais serve justamente para me fazer pensar no que está atrapalhando minha rotina de leitora.

Bom, o primeiro culpado, sem dúvida, são as redes sociais. Vocês já devem ter esbarrado por matérias mostrando como você poderia ler 400 livros por ano se não perdesse metade da sua vida divagando pelo Instagram, não é?

O pior é que elas são, em grande parte, verdadeiras. Antes do advento do celular com internet, eu levava um livro para todos os lugares, no melhor estilo Rory, de Gilmore Girls. Hoje em dia, muitas vezes me pego divagando pelo celular na espera pela consulta, ou no ônibus, em vez de me dedicar ao livro que viaja comigo.

Essa perda de tempo incessante já ganhou até sigla: foma (fear of missing out, ou medo de estar por fora, em uma tradução livre). Se você checa o Facebook a cada cinco minutos ou rola a timeline do seu instagram até não ter mais novidades, é provável que você se encaixe no perfil.

Reconheço meu problema, mas isso não me livra  do vício. Enquanto escrevia esse texto, por exemplo, parei diversas vezes para checar minha redes, mesmo sabendo que eu tinha outras prioridades para o dia (também poderíamos dizer que eu estava procrastinando, mas essa é outra discussão).

A concentração para a leitura também fica mais difícil. Seja por cansaço, desatenção ou as mil tarefas do dia a dia, anda difícil conseguir ler, ainda mais clássicos, como me propus no início deste ano. Para superar esse momento, andei vasculhando outros blogs em busca de dicas para ler mais. Tem quem tenha suporte para ler almoçando, ou quem aproveite qualquer situação para avançar algumas páginas. Mas o que mais me surpreende é que muitos têm horários e metas bastante exigentes de leitura ao longo da semana. Uma hora de leitura antes de ir para o trabalho, mais uma durante o almoço, duas no fim do dia. Não há como não admirar a autodisciplina, mas acho que esse plano nunca funcionaria pra mim.

A leitura, como já disse aqui várias vezes, é uma atividade prazerosa, uma porta de escape da rotina, do trabalho, do mundo de prazos, metas e cobranças a que somos submetidos diariamente. Por isso, sempre foi uma atividade livre, descomprometida.

No entanto, notei que nos últimos tempos isso tem me levado a escolher romances menos desafiadores (o que não significa piores, que fique claro), menores e de linguagem mais acessível.

Como a meta para o ano é voltar para os clássicos, que andam meio escanteados há um tempinho, vou precisar de técnicas para ler mais!

Querem sugerir por aqui?

 

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