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[Divã] Leitores solitários?!

Ler é a expressão da solidão ou uma forma de escapar dela? Desde que começamos o Achados & Lidos, há mais de um ano, venho pensando sobre isso. A comunidade de leitores que encontramos nessa jornada me faz, cada vez mais, achar que a leitura é uma atividade menos solitária do que parece.

Abrir um livro em público pode causar diversos efeitos. O mais comum, infelizmente, ainda são os olhares reprobatórios quanto às habilidades sociais do “solitário leitor”. Quem já experimentou negar um convite para sair porque prefere ficar em casa lendo ou sentou à mesa de um café apenas na companhia de um livro sabe do que falo. Somos vistos como seres antissociais que se escondem atrás das páginas para evitar contato, como este personagem de Alan Pauls, no romance História do Dinheiro:

Levou algo para ler. Gosta desse escudo de arrogante indiferença que os livros interpõem entre ele e o mundo, em especial quando detecta por perto um desses agitadores de filas que bufam, levantam os olhos cansados para o céu, queixam-se buscando cumplicidade (…).

Livros se tornaram sinais de uma solidão requerida. Curioso pensar nisso em tempos em que as pessoas, mesmo acompanhadas, se afundam nas telas de seus smartphones. A experiência proporcionada por um livro me parece bem menos indiferente e arrogante do que a troca vazia proposta pelo mundo virtual. Ainda assim, uma pessoa sozinha com um celular é mais bem aceita socialmente do que um leitor solitário.

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[Nossa Senhora do Nilo] Semana #2

Os dois primeiros capítulos de Nossa Senhora do Nilo, de Scholastique Mukasonga, nos deram uma ideia do contexto da narrativa. Conhecemos a história do liceu que dá título ao livro e, por meio dela, vislumbramos a história social e política do povo ruandês. Para a próxima semana, avançamos até a página 67.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Antes de introduzir de maneira mais detalhada os personagens, Mukasonga trabalha na descrição dos ambientes. A partir de algumas histórias como a da santa que nomeia o liceu e a da construção do colégio , entendemos a configuração da sociedade ruandesa de então.

Já notamos a sutileza da escrita de Mukasonga. Ela é uma exímia contadora de histórias e os fatos que envolvem sua ficção dificilmente aparecerão diretamente, sem ter uma anedota que os embale.

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“Ainda que já fosse centenária e estivesse a ponto de ficar cega pelas cataratas, conservava intactos o dinamismo físico, a integridade de caráter e o equilíbrio mental. Ninguém era melhor que ela para formar o homem virtuoso que haveria de restaurar o prestígio da família, um homem que nunca ouvira falar da guerra, dos galos de briga, das mulheres da vida e de empreitadas delirantes, quatro calamidades que, pensava Úrsula, haviam determinado a decadência de sua estirpe. ”

 

Gabriel García Márquez em
Cem Anos de Solidão

[Enclausurado] Semana #4

Enquanto os planos de Trudy e Claude para assassinar o pai do narrador ficam cada vez mais claros, o feto inteligente começa a se fazer a pergunta que parece ser chave para essa trama: qual é seu poder de vingança? Ian McEwan consegue nos deixar mais curiosos a cada página. Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 96.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

A leitura de Enclausurado continua a nos impressionar pela capacidade com que McEwan desenvolve uma personagem que poderia ser insossa. Entre comentários sarcásticos e mordazes, o feto narrador também reúne cada vez mais indícios de como será o crime que poderá matar seu pai.

Claude pretende assassinar John Cairncross com um anticongelante (em pleno verão, nota o sarcástico feto) dissolvido em alguma bebida, provavelmente uma vitamina. Depois de concretizado o plano, ele e Trudy mencionam também a intenção de “colocar” o bebê em algum lugar.

Colocado não passa de um sinônimo mentiroso para abandonado. Como bebê é um sinônimo de mim. Em algum lugar também é uma mentira. Mãe cruel!

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[A Máquina de Fazer Espanhóis] Semana #4

Embora ainda dominado pela tristeza do luto, António começa a ver, aqui e ali, algum sinal de graça na vida. Nos últimos dois capítulos, também começamos a acompanhar uma investigação que pode resultar em eventos macabros no Lar da Feliz Idade. Continua tão curioso quanto a gente com o desfecho de A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe? Então nos acompanhe pelos próximos dois capítulos – até a página 111, se você tem a edição da Biblioteca Azul, ou até a página 97, se você tem a edição da Cosac Naify.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Ainda no quarto capítulo de A Máquina de Fazer Espanhóis, conhecemos Esteves sem metafísica. Sua história extraordinária – ele teria inspirado o famoso poema de Fernando Pessoa – acende a primeira fagulha de entusiasmo em António desde que ele chegou ao lar de idosos depois de ficar viúvo.

sorri verdadeiramente como nunca até ali naquele lar.

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