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[Resenha] Era Uma Vez uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha

Impossível ficar indiferente ao título deste livro da russa Liudmila Petruchévskaia: Era Uma Vez uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha. A cena sombria que ele anuncia e os ares de fábula contidos no “era uma vez” são uma ótima introdução à coletânea de contos dessa autora, que foi censurada na época do regime soviético. Hoje, Petruchévskaia é uma das escritoras e dramaturgas mais reconhecidas do seu país e chega, pela primeira vez, muito bem recomendada, às livrarias brasileiras, com essa edição da Companhia das Letras.

Sua escrita bebe na fonte fantasiosa dos contos de fadas na mesma medida em que lança um olhar afiado sobre a sociedade. Assim, Petruchévskaia se destaca por criar situações e personagens mágicos a partir de problemas reais, como a guerra, a fome, o inverno desolador, a solidão e tudo aquilo que desperta a escuridão da alma humana:

… existe um lado da vida secreto, animal, que floresce teimosamente, e é nele que se concentram as coisas detestáveis e hediondas;

Os contos dessa coletânea são habitados por fantasmas, viúvas e órfãos, uma crítica contundente aos horrores de uma nação que está sempre em combate. Mesmo depois da morte, vítimas e familiares não conseguem encontrar a paz. Em Um Caso em Sokólniki, por exemplo, um soldado morto reaparece para sua esposa para pedir um enterro digno, pois seus restos espalhadas e esquecidos não o permitem descansar.

A ausência é outro tema que perpassa a obra de Petruchévskaia. Se a morte ronda os soldados, a solidão assombra os que ficam à sua espera. Por meio de histórias fantasiosas, a escritora levanta um problema bastante real: o que será dessa geração de órfãos e viúvas?

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[Resenha] No Seu Pescoço

Não são muitos os autores que transitam com tanta facilidade do romance para o conto, do conto para o ensaio, do ensaio para os manifestos. Não importa o formato, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie mostra completo domínio do seu ofício. Uma das melhores escritoras de sua geração, Adichie expõe nossa vulnerabilidade perante o desconhecido nos doze contos que compõem No Seu Pescoço, lançado originalmente em 2009, mas só agora traduzido para o português pela Companhia das Letras.

As histórias contidas nessa coletânea são joias raras. Há ali a mesma potência de escrita que já conhecíamos dos romances da escritora, como Americanah e Hibisco Roxo, mas com mais espaço para experimentação de estilos, pontos de vista, narradores.

Em No Seu Pescoço, o conto que dá título ao livro, a história é narrada em segunda pessoa, uma inversão estilística que nos coloca diretamente no lugar da personagem, uma recém-chegada aos Estados Unidos que tenta se adaptar aos cheiros, comportamentos e hábitos fora do seu lugar.

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[Dicas da Imensidão] Semana #10

Chegamos quase ao fim de Dicas da Imensidão, com o conto que dá nome ao livro de Margaret Atwood. Para falar da imensidão da vida, Atwood alterna perspectivas ao assumir diferentes pontos de vista de uma família disfuncional. Acima deles, paira a sombra do passado, representado pela figura do avô em um quadro. Com seus finais abertos, a autora mais uma vez nos permite entrever as várias possibilidades do destino. Na semana que vem, terminamos a leitura com Quarta-Feira Inútil.

Mariane Domingos e Tainara Machado

Dicas da imensidão é provavelmente o conto mais sofisticado, em termos estruturais, desta coletânea. Atwood faz uso de um narrador onisciente que alterna suas perspectivas para construir perfis breves, mas profundos, dos membros de uma família nada convencional.

Leva um tempo até o leitor entender as tensões que marcam as relações entre os personagens. São quatro irmãos – um homem, Roland, e três mulheres, Portia, Prue e Pamela – e o marido de uma delas, George. Portia é casada com George, que tem um caso com Prue, deseja Pamela e é detestado por Roland.

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[Dicas da Imensidão] Semana #9

Até o momento, Peso foi o conto que mais escancarou a questão feminina, ao abordar  um tema bastante sério e urgente: a violência doméstica contra mulheres. Mantendo o estilo que já conhecemos, de revelar a história aos poucos em relatos que oscilam entre passado e presente, Margaret Atwood nos presenteia com mais uma narrativa de altíssima qualidade. Para a próxima semana, vamos até a página 214, com a leitura do conto que intitula o livro – Dicas da Imensidão.      

Mariane Domingos e Tainara Machado

A narradora do conto Peso é marcada pelo cansaço. Uma fadiga em relação à vida, às pessoas e à crueldade humana. Logo nas primeiras frases, ela deixa isso claro:

Estou ganhando peso. Não estou ficando maior, apenas mais pesada. (…) O peso que sinto está na energia que consumo para me locomover: andar pela calçada, subir a escada, ao longo do dia. Está na pressão em meus pés. É uma densidade nas células, como se eu bebesse metais pesados. Nada que se possa medir, embora existam as pequenas protuberâncias de carne habituais que precisam ser tornadas mais firmes, mais musculosas, mais trabalhadas com malhação. Trabalhada. Tudo está se tornando trabalhoso demais.

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[Dicas da Imensidão] Semana #7

Na construção de nossa autoimagem, somos levados a acreditar no que não passa de aparência? Em Tios, sexto conto de Dicas da Imensidão, essa é a pergunta que Margaret Atwood parece fazer ao leitor, nas entrelinhas de uma história de sucesso. Está acompanhando a leitura conosco? Deixe seu comentário abaixo! Na próxima semana, vamos até a página 172, com o conto A Era do Chumbo.

Mariane Domingos e Tainara Machado

No sexto conto de Dicas da Imensidão, mais  uma vez Atwood descreve um arco narrativo que vai da infância à fase adulta, desenvolvendo as ambiguidades da personagem principal da história, Susanna.

O conto, intitulado Tios, começa com uma apresentação de sapateado de Susanna, na qual ela se apresenta sobre uma caixa de queijo com vestido de marinheira. Nesta cena, a autoconfiança da garota já é colocada à prova pelas tias, que a abraçavam e beijavam sem sinceridade. O que importava para a menina, contudo, era a opinião dos “tios”, os irmãos de sua mãe que se encarregam de sua criação após o desaparecimento de seu pai, na guerra.

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