Leitor no divã (página 1 de 13)

Nós, leitores, somos seres cheios de manias. Queremos sentir que não estamos sozinhas no mundo com nossas, digamos, peculiaridades. Leia, identifique-se e comente!

[Divã] Caçadores de autógrafos

Neste ano, não teve Flip pro Achados. Com o gostinho amargo de quem gostaria de estar lá, eu e Tatá passamos cinco dias tentando superar uma timeline monopolizada por fotos e notícias de Paraty. Não foi fácil, mas sobrevivemos à base de muita leitura e boas lembranças das edições anteriores.

Das barracas de doces às mesas com os autores, a Flip é um conjunto de experiências imperdíveis, principalmente por proporcionar aos apaixonados por literatura a proximidade com os escritores.

Além de poder ouvi-los nas mesas e nos eventos paralelos, ainda temos as famosas filas de autógrafos, um dos meus momentos favoritos! É preciso muita paciência, porque elas podem tomar um bocado de tempo. Meu recorde foi em 2016, quando levei duas horas e meia para conseguir um autógrafo da Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévitch. Valeu a pena? Com certeza!

Mas por que será que livros autografados são objetos de desejo para grande parte dos apaixonados por literatura? No meu caso, a resposta é fácil: o autógrafo está ligado à memória. É como ter uma lembrança física de uma experiência agradável.

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[Divã] Literatura falada

Sei que chego atrasada ao assunto, mas recentemente descobri uma nova maravilha da humanidade, proporcionada pela tecnologia: os podcasts.

Para quem também perdeu essa onda, os podcasts são basicamente programas de rádio que você pode ouvir quando quiser: basta ter um novo episódio disponível. Para quem passa aproximadamente 80 minutos diários no trânsito, essa tem sido a salvação para usar o tempo de deslocamento de forma minimamente útil.

No começo, (ou)via com desconfiança esse formato. Há, claro, um certo amadorismo, já que mesmo quando o conteúdo é produzido por instituições conhecidas, nem sempre quem os apresenta tem as habilidades encontradas em locutores de rádio, como uma voz sonora e boa desenvoltura.

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[Divã] América exótica?

Neste fim de semana, deparei-me com dois conteúdos sobre dois gênios da literatura latino-americana. O primeiro é o artigo The Alienist, sobre Machado de Assis, publicado na revista The New Yorker e escrito pelo autor e crítico literário Benjamin Moser. O segundo é o documentário Gabo: a criação de Gabriel García Márquez (disponível no Netflix), que traz amigos, conhecidos e admiradores do escritor falando sobre sua vida pessoal e profissional. Tanto o artigo quanto o filme despertaram em mim uma reflexão: o que os leitores estrangeiros buscam na literatura da América Latina?

Em seu discurso do Prêmio Nobel de Literatura, Gabo disse:

É compreensível que insistam em nos medir com a mesma vara com que se medem, sem recordar que os estragos da vida não são iguais para todos, e que a busca da identidade própria é tão árdua e sangrenta para nós como foi para eles. (…)

A América Latina não quer nem tem por que ser um peão sem rumo ou decisão, nem tem nada de quimérico que seus desígnios de independência e originalidade se convertam em uma aspiração ocidental.

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[Divã] Quem tem medo de falar de racismo?

Enquanto o mundo assistia embasbacado à atuação do jovem Kylian Mbappé na vitória da França sobre a Argentina, em um jogo que classificou os franceses para as quartas-de-final da Copa do Mundo da Rússia, o youtuber brasileiro Júlio Cocielo proferia uma “piada” absurdamente racista em seu Twitter: para ele, Mbappé “conseguiria fazer uns arrastão top na praia”.

O post gerou furor na internet, mas houve quem defendesse Cocielo: para uma parte de seus fãs, foi apenas uma brincadeira, já que Cocielo tem “bom coração”. Desde então, ele apagou impressionantes 50 mil tweets, não antes que milhares de prints com afirmações homofóbicas e racistas viessem à tona.

Mbappé é um atleta jovem, forte e extremamente talentoso. Comparar a rapidez de suas arrancadas ao potencial de “arrastão” é de um racismo perverso, mas defender o youtuber e afirmar que essa foi apenas uma brincadeira é bastante sintomático do racismo que se esconde nos meandros da sociedade brasileira. É pouco provável que Cocielo dissesse que Cristiano Ronaldo faria arrastões top na praia.

Em seu novo livro, Quem Tem Medo do Feminismo Negro (Companhia das Letras, 145 páginas, R$ 29,90)  Djamila Ribeiro é clara sobre o papel do humor na perpetuação do racismo.

É preciso perceber que o humor não é isento, carregando consigo o discurso do racismo, do machismo, da homofobia, da lesbofobia, da transfobia. Diante de tantos humoristas reprodutores de opressão, legitimadores da ordem, fico com a definição do brilhante Henfil: “O humor que vale para mim é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime”.

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[Divã] Navegar é preciso

Viajar é outra paixão do Achados & Lidos. Para além das viagens que nossas leituras nos proporcionam, sempre que possível partimos para conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes.

Quem nos acompanha no instagram, está acostumado aos posts com a hashtag #turismoliterário. Nossos roteiros incluem, invariavelmente, passeios relacionados ao universo dos livros.

Minha última aventura foi em Havana, capital de Cuba. Foram muitas as livrarias charmosas que encontrei por lá, mas também me surpreendi com as referências às estadias de escritores famosos na ilha.

Em Habana Vieja, centro histórico e mais turístico da cidade, encontramos o Café La Columnata Egipciana, frequentado por ninguém menos que Eça de Queirós em seu período como Cônsul de Portugal de Havana (1872-1874).

Nesse mesmo bairro, vários pontos lembram outro habitué da cidade: Ernest Hemignway. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954, o escritor americano era apaixonado pela ilha, onde morou entre 1939 e 1960. Os bares La Bodeguita del Medio e El Floridita, ambos em Havana, trazem na fachada e no seu interior a figura do célebre cliente.

Esses passeios me levaram a pensar sobre o quanto grandes escritores foram (ou são) grandes viajantes. Gabriel García Márquez, por exemplo, embora tivesse uma ligação especial com Cartagena, cidade litorânea de sua terra natal, era um verdadeiro cidadão do mundo. Um dos meus livros favoritos de Gabo é uma coletânea de contos que ele escreveu durante sua temporada na Europa – Doze Contos Peregrinos. São 12 histórias curtas que têm um traço em comum: concentram-se em latino-americanos que perambulam pelo Velho Continente.

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