Tag: Elena Ferrante (página 1 de 2)

[Divã] Os clássicos são machistas?

Já falamos aqui de grandes autoras, de feminismo na literatura, de personagens que amamos, mas um assunto que foi tratado só por tabela, de certa forma, é o machismo na literatura.

O que me fez pensar sobre o assunto foi a lista, publicada há duas semanas, com 5 traições famosas na literatura. O que primeiro veio à mente foram os clássicos do gênero: Madame Bovary, Anna Kariênina, O Primo Basílio, Dom Casmurro… Hum, pera aí, é uma lista só com mulheres no papel de traidora!

Pensei, pensei, pensei e não consegui encontrar nenhum exemplo, ao menos na minha estante, de um clássico da literatura em que a traição de um homem não seja algo supérfluo para a história, banal, esperado, até formador de caráter do personagem. Acabei terminando a lista com Hamlet e a A Besta Humana, no qual as traições são parte de um contexto mais amplo de vingança e assassinato. Ainda assim, também nesses casos, as adúlteras são as mulheres.

Leia mais

[Divã] Escritores-heróis

Para quem gosta de literatura, escritores são rockstars, com direito a nome de rua ou estátua na praça. Pegamos autógrafos, enfrentamos filas, temos curiosidade para saber de onde vêm as ideias para os livros, quantas horas por dia trabalham, suas opiniões políticas, seus ídolos e por aí vai.

Na última semana, enquanto escrevia a resenha sobre o livro de contos O Sucesso, procurei um pouco mais sobre a autora Adriana Lisboa e me deparei com uma entrevista em que ela afirma que a profissão do escritor é muito mitificada e que ela busca quebrar essa visão, porque, em sua opinião, a escrita é um trabalho importante no mundo como outro trabalho importante qualquer. Ela diz:

Poderia estar aí sendo mergulhadora, astronauta, musicista ou seja lá o que fosse. São trabalhos viáveis, possíveis, eu sei disso. E que essa coisa, essa aura em torno da atividade do escritor ou do artista, de um modo geral, é algo que a gente precisa colaborar para diminuir um pouco, porque isso gera egos inflados demais. (…) Para mim é uma coisa simples, ser escritora, porque eu gosto em primeiro lugar. É um cotidiano muito simples.

Fiquei intrigada com essa declaração. Eu sou do tipo de leitora que ama ler perfis, assistir a palestras e ver debates que envolvem escritores, justamente porque acho que eles têm algo a dizer que eu não enxergo, ou não vivo, em meu cotidiano, diferente de outras ocupações que me parecem mais próximas.

Leia mais

[Lista] 5 sugestões de presentes para o Natal

Quem disse que ganhar livro de presente de Natal é chato? Aqui no Achados e Lidos, temos sugestões para todo tipo de “freguês”: de novidades nas prateleiras à história de reis e rainhas, passando por Harry Potter e queridinhos do blog, temos certeza que na lista abaixo tem uma sugestão que vai te agradar neste fim de ano. Ah, e pode guardar as sugestões para 2017 também! Afinal, leitura nenhuma precisa de data comemorativa, não é?

1. Para quem ama história, reis e castelos: Os Románov, de Simon Sebag Montefiore

Os Románov foi um dos meus pedidos de Natal. Se você, assim como eu, adora histórias de realeza, conspirações e brigas por poder, não pode perder esse lançamento. Neste livro, o premiado historiador Simon Sebag Montefiore remonta, com muitos detalhes, os três séculos de domínio da família Románov na Rússia imperial.

É um catatau de mais de 900 páginas, mas pretendo me divertir desvendando essa imensa árvore genealógica nas horas de ócio de fim de ano. Além disso, é o tipo do livro que fica lindo na estante e faz brilhar os olhos de quem o recebe!

Leia mais

[Resenha] História de Quem Foge e de Quem Fica

O terceiro volume da tetralogia napolitana de Elena Ferrante, publicado no Brasil pelo selo Biblioteca Azul, não só mantém o vigor narrativo dos dois primeiros livros como amplia fronteiras e aprofunda relações [leia também a resenha de A Amiga Genial e História do Novo Sobrenome]. A amizade entre Elena Greco e Rafaella Cerullo cede espaço, como tema central, para a crescente tensão social na Itália das décadas de 60 e 70. A desigualdade, pano de fundo sempre presente nas histórias do bairro, ganha protagonismo quando Elena “foge” e Lila fica em Nápoles.

Elena Greco, a narradora, sempre soube que precisava deixar o bairro e via como válvula de escape a educação. Com autodisciplina, persistência e o apoio velado da mãe ( apesar dos conflitos entre as duas), consegue se formar, escrever e publicar um livro, o que lhe abre as portas da academia, dos jornais e até de uma proeminente família milanesa, os Airota.

Leia mais

[Resenha] História do Novo Sobrenome

Arrebatadora. Apaixonante. Empolgante. Emocionante. É longa a lista de adjetivos que já foram usados para definir História do Novo Sobrenome, o segundo romance da “tetralogia napolitana”, da italiana Elena Ferrante (a resenha do primeiro volume, A Amiga Genial, está aqui).

A escrita de Ferrante é tudo isso e, arrisco dizer, até mais um pouco. Chega a ser difícil explicar tamanha empolgação. Por que Elena Ferrante escreve algo diferente de tudo o que você já leu se, no fim da contas, ela retrata uma história banal, de duas amigas marcadas pela pobreza e pelo destino opressor reservado principalmente às mulheres em Nápoles nos anos 50?

Confesso que não tenho uma resposta definitiva para essa questão, mas o fato é que a escrita de Ferrante tem uma força interna que nos prende ao livro de uma forma que poucos autores conseguem. Uma amiga comentou comigo que começou a guardar o livro em casa, em vez de levá-lo no caminho para o trabalho, para fazer com que a leitura durasse mais tempo. Ferrante é paixão.

Leia mais

Posts mais antigos

© 2017 Achados & Lidos

Desenvolvido por Stephany TiveronInício ↑