Clube do livro (página 1 de 18)

Que leitor nunca sonhou em fazer parte de um clube do livro? Essa é a hora! Vamos selecionar um título e queremos que você leia e discuta com a gente!

[Laços] Semana #3

A mudança de narrador, em Laços, de Domenico Starnone (Ed. Todavia), aprofundou o perfil psicológico dos personagens, enquanto fazemos, ao lado de Aldo e Vanda, um inventário de um apartamento destroçado. A proximidade dessa narrativa com Dias de Abandono, de Elena Ferrante, também fica mais visível a cada página. Está gostando da nona edição do Clube do Livro do Achados & Lidos? Conte para gente o que te marcou neste livro até aqui! Para a próxima semana, vamos até a página 80.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Laços está dividido em três livros: três pontos de vista sobre um passado comum. Na primeira parte, acompanhamos anos de amargura de Vanda, por meio de cartas dirigidas a Aldo, nas quais ela relata a dor do abandono, as dificuldades na criação dos filhos, as angústias de uma vida solitária.

No segundo livro, o narrador é Aldo e o passado ficou para trás. Aldo e Vanda estão juntos novamente e apenas alguns lampejos na narrativa sugerem o passado de mágoas da primeira parte.

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[Laços] Semana #2

O ótimo prefácio da escritora Jhumpa Lahiri elevou nossas expectativas em relação a Laços, de Domenico Starnone! A sofisticação narrativa e a temática universal evidenciadas em sua análise já deram mostras nessa primeira parte do romance. O difícil é interromper a leitura, rs! Para a próxima semana, avançamos até a página 57.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

O início de Laços já é inquietante. A prosa de Starnone aguça a curiosidade, incomoda e envolve o leitor.

A história da família protagonista é introduzida pelas cartas da esposa a Aldo, o marido que a abandonou. Em pouco menos de vinte páginas, Starnone percorre com uma força narrativa admirável os vários estágios de uma separação dolorosa. Primeiro, as tentativas de compreensão. Em seguida, a raiva, o desespero e a apatia misturada à exaustão.

Assim como a autora das cartas, queremos entender o que aconteceu. Começamos desconfiados, com uma curiosidade mais racional, apenas buscando desvendar a trama. Mas, não demora muito, a angústia que transborda do relato da narradora nos contagia. Nem bem entrou na história, já sentimos um desafeto pela figura de Aldo.

Ele aparece como alguém egoísta, que não sabe bem o que quer e não hesita em afundar as pessoas próximas em sua confusão. Os trechos em que a esposa tenta encontrar uma explicação para a partida do marido trazem algumas reflexões interessantes que se aplicam a qualquer relação humana, não apenas ao casamento.

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[Laços] Semana #1

Todos prontos para começar mais um Clube do Livro? Para esta nona edição selecionamos Laços, do autor italiano Domenico Starnone, tido por muitos como o marido de Elena Ferrante. Embora já tenha publicado treze livros, esse é o primeiro volume do autor a ser lançado no Brasil, pela editora Todavia, com lindo projeto gráfico e introdução de Jhumpa Lahiri. Para a semana que vem, vamos até a página 32!

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Durante a Festa Literária de Paraty (Flip) deste ano, encontramos um ex-colega de trabalho que, de forma muito animada, comentou sobre um lançamento prometido para o  segundo semestre: um livro supostamente escrito pelo marido de Elena Ferrante (autora que se tornou sensação com a publicação da Série Napolitana, já resenhada pelo blog, mas cuja identidade é desconhecida).

O mistério surgiu por alguns motivos. Domenico Starnone, autor de Laços, selecionado como nono título do Clube do Livro do Achados & Lidos, é de fato casado com a tradutora italiana Anita Raja, a quem o jornalista Claudio Gatti atribuiu a identidade de Elena Ferrrante, ao cruzar extratos bancários e notar uma súbita elevação de patrimônio, não condizente com seu ofício regular, ao mesmo tempo em que os livros de Ferrante vendiam como água pelo mundo.

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[Entrevista] Scholastique Mukasonga

“Minha mãe era uma contadora de histórias reconhecida. Ela não sabia nem ler nem escrever e desconhecia o francês. Mas se eu tenho qualquer talento para escrita, é a ela que eu devo essa habilidade. Mais do que o título de escritora, reivindicarei o de contadora de histórias.”

Todos nós que acompanhamos a leitura de Nossa Senhora do Nilo não hesitamos em dar esse título a Scholastique Mukasonga. A desenvoltura para narrar uma grande história a partir de curtos episódios e personagens emblemáticos é marcante em sua obra.

Por essas qualidades, sua obra tem recebido grande reconhecimento. O primeiro título de Scholastique Mukasonga, Inyenzi ou les Cafards, obteve o reconhecimento da crítica e alcançou grande público na França. O segundo, A Mulher de Pés Descalços, levou o prêmio Seligmann 2008 “contra o racismo, a injustiça e a intolerância”. O terceiro, L’Iguifou, foi coroado pelo prêmio Renaissance, e o quarto, Nossa Senhora do Nilo, pelo prêmio Renaudot 2012.

Nascida em Ruanda, a escritora vive hoje na região da Baixa Normandia, na França. Comunicamo-nos com ela por e-mail e fomos extremamente bem acolhidas. Desde o primeiro contato, a autora se mostrou saudosa do sol do Brasil e dos brasileiros. A todo momento, ressaltou o quanto se sentia grata pelo tempo que dedicamos à leitura atenta de Nossa Senhora do Nilo e se mostrou interessada em conhecer as opiniões de seus leitores.

Estamos muito felizes de encerrar nosso oitavo Clube do Livro com uma participação tão especial!

Confiram, abaixo, a entrevista na íntegra.

Achados & Lidos: O que mais nos impressionou em Nossa Senhora do Nilo foi a sua habilidade para contar histórias. A grande narrativa se forma a partir do conjunto de pequenas histórias, com muita sutileza. Em A Mulher de Pés Descalços, você comenta que sua mãe era uma grande contadora de histórias. Ouvi-la era um momento especial em família. A oralidade que marca sua literatura é uma influência e, ao mesmo tempo, uma homenagem à sua mãe? Você acredita que a arte de contar histórias é a base da literatura?

Scholastique Mukasonga: Os povos que, como os ruandeses, não conheciam a escrita, não tinham uma verdadeira literatura. Diferentes gêneros (poesias de guerra, pastorais, narrativas históricas etc.) eram praticados na corte real. Os contos populares reservavam-se, sobretudo, às mulheres. Eu fiz uma espécie de patchwork de temas no capítulo IX de A Mulher de Pés Descalços [O País dos Contos].

Minha mãe era uma contadora de histórias reconhecida. Ela não sabia nem ler nem escrever e desconhecia o francês. Mas se eu tenho qualquer talento de escritora, é a ela que eu devo essa habilidade. Mais do que o título de escritora, reivindicarei o de contadora de histórias.

Achados & Lidos: O que acontecia no liceu Nossa Senhora do Nilo era apenas uma amostra do que se passava em Ruanda na época. Por que você escolheu o liceu para ambientar essa narrativa, com personagens tão jovens?

Mukasonga: Se o romance não fosse autobiográfico, o liceu Nossa Senhora do Nilo jamais teria existido. Eu me servi do liceu que frequentei, Notre-Dame de Citeaux, em Kigali. O liceu é um microcosmo da Ruanda dos anos 70, onde se desenhavam as premissas do genocídio de 1994. Ele me permitiu conservar a unidade de lugar (o liceu) e a unidade de tempo (um ano escolar correspondente à longa temporada de chuvas).

Achados & Lidos: Assim como em A Mulher de Pés Descalços, em que as mulheres têm um papel central na narrativa, em Nossa Senhora do Nilo, a questão feminina também é bastante presente. O episódio da primeira menstruação, todas nós, leitoras, sentimos o peso que carregamos por sermos mulheres. Você acredita que as escritoras têm um papel importante em relatar essa situação e contribuir para mudá-la?

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[Nossa Senhora do Nilo] Semana #10

A oitava edição do Clube do Livro do Achados & Lidos nos levou a conhecer um pouco mais sobre a trágica  história de um país afogado em uma guerra civil. Em Nossa Senhora do Nilo, Scholastique Mukasonga narra a história de um liceu e de suas alunas, mas na verdade ela nos mostra um cenário muito mais amplo. Por meio de histórias fragmentadas, aos poucos Scholastique compõem um mosaico da crescente tensão política e forte intolerância étnica que marcaram a história de Ruanda na segunda metade do século XX. Por meio desse panorama, o livro nos mostra como pode germinar o ódio que levaria ao assassinato de 800  mil tutsis cerca de duas décadas depois do momento em que se passa essa narrativa.

Nos comentários que recebemos de nossos leitores, são esses os componentes que mais se  destacam, assim como o grande poder da literatura  de nos colocar de cara com realidades importantes, mas distantes do nosso cotidiano.

Foi uma ótima leitura, mas ainda temos uma surpresinha para nossos leitores, antes de partirmos para a leitura de Laços, de Domenico Starnone. Scholastique Mukasonga, que já tinha mostrado sua gentileza e simpatia ao fazer uma palestra nas ruas de Paraty, enquanto a ouvíamos falar sentados no chão de pedras da cidade histórica, mais uma vez demonstra sua vontade de se aproximar de seus leitores e a contínua busca por espalhar uma história que a marcou profundamente. Gentilmente, ela aceitou nosso pedido e nos concedeu uma entrevista por e-mail, que publicaremos na próxima semana! Estamos muito felizes, e esperamos que vocês gostem do resultado!

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