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[Divã] Literatura falada

Sei que chego atrasada ao assunto, mas recentemente descobri uma nova maravilha da humanidade, proporcionada pela tecnologia: os podcasts.

Para quem também perdeu essa onda, os podcasts são basicamente programas de rádio que você pode ouvir quando quiser: basta ter um novo episódio disponível. Para quem passa aproximadamente 80 minutos diários no trânsito, essa tem sido a salvação para usar o tempo de deslocamento de forma minimamente útil.

No começo, (ou)via com desconfiança esse formato. Há, claro, um certo amadorismo, já que mesmo quando o conteúdo é produzido por instituições conhecidas, nem sempre quem os apresenta tem as habilidades encontradas em locutores de rádio, como uma voz sonora e boa desenvoltura.

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[Divã] Quem tem medo de falar de racismo?

Enquanto o mundo assistia embasbacado à atuação do jovem Kylian Mbappé na vitória da França sobre a Argentina, em um jogo que classificou os franceses para as quartas-de-final da Copa do Mundo da Rússia, o youtuber brasileiro Júlio Cocielo proferia uma “piada” absurdamente racista em seu Twitter: para ele, Mbappé “conseguiria fazer uns arrastão top na praia”.

O post gerou furor na internet, mas houve quem defendesse Cocielo: para uma parte de seus fãs, foi apenas uma brincadeira, já que Cocielo tem “bom coração”. Desde então, ele apagou impressionantes 50 mil tweets, não antes que milhares de prints com afirmações homofóbicas e racistas viessem à tona.

Mbappé é um atleta jovem, forte e extremamente talentoso. Comparar a rapidez de suas arrancadas ao potencial de “arrastão” é de um racismo perverso, mas defender o youtuber e afirmar que essa foi apenas uma brincadeira é bastante sintomático do racismo que se esconde nos meandros da sociedade brasileira. É pouco provável que Cocielo dissesse que Cristiano Ronaldo faria arrastões top na praia.

Em seu novo livro, Quem Tem Medo do Feminismo Negro (Companhia das Letras, 145 páginas, R$ 29,90)  Djamila Ribeiro é clara sobre o papel do humor na perpetuação do racismo.

É preciso perceber que o humor não é isento, carregando consigo o discurso do racismo, do machismo, da homofobia, da lesbofobia, da transfobia. Diante de tantos humoristas reprodutores de opressão, legitimadores da ordem, fico com a definição do brilhante Henfil: “O humor que vale para mim é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime”.

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[Resenha] A Viagem do Elefante

Em 1551, o rei português dom João III, e sua mulher, Catarina d’Áustria, decidiram oferecer um presente inusitado ao arquiduque Maximiliano II, por seu casamento com a filha do imperador Carlos V: um elefante.

A história real do mamífero que saiu de Goa, passou por Portugal, Espanha, Itália, atravessou os Alpes para enfim chegar na Áustria ganha ares de fábula nas mãos de José Saramago, em A Viagem do Elefante (Companhia das Letras, 260 páginas).

Confesso que o enredo, normalmente, não atrairia minha atenção, mesmo sendo uma obra do consagrado autor português, de quem gosto muito, embora ele tenha aparecido pouco aqui no blog. Mas, em um aeroporto, acabei seduzida pela caligrafia de Wagner Moura, que assinou a capa para a edição especial vendida exclusivamente pela Livraria Saraiva.

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“Por quê? Por que amar o esporte? Convém em primeiro lugar lembrar que tudo o que acontece com o jogador também acontece com o espectador. Porém, se no teatro o espectador não passa de um observador, no esporte ele é um ator.”

 

Roland Barthes em O Que É o Esporte?

[Canção de Ninar] Semana #8

Reta final da leitura de Canção de Ninar! A relação entre a babá e os patrões está cada vez mais insustentável, e os impulsos de Louise, cada vez mais evidentes. Depois de começar o romance pelo fim, com um desfecho para lá de trágico, o que será que Slimani ainda nos reserva para os últimos capítulos? Na próxima semana, terminamos essa leitura!

Mariane Domingos e Tainara Machado

O episódio da carcaça de frango estragada, que Louise deu para Mila comer, foi a gota d’água para Myriam. Nessa obsessão da babá por evitar desperdícios, a mãe percebe que aquela Louise, de aparência tão moderada, fala mansa e gestos calmos, é capaz de chegar aos extremos.

Apesar de ficar assustada, Myriam não tem uma conversa franca com a babá, principalmente porque tem receio de perdê-la agora. Isso estragaria seus planos e sua rotina. Ela decide, junto com o marido, esperar mais um pouco até poder colocar o filho mais novo também na escola.

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