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[O Amor dos Homens Avulsos] [Entrevista] Semana #9

“Mais do que relatar ou criar golpes de trama, quero entender como e por que estar no mundo, fundar mundos possíveis e dialogar com outros seres, sejam eles ficcionais ou não.” Quem acompanhou conosco a leitura de O Amor dos Homens Avulsos enxerga o romance nessa definição. Não poderia ser diferente, já que quem a disse foi o escritor Victor Heringer, em entrevista ao Achados & Lidos.

Heringer ainda afirmou que prefere incorporar os personagens a seu texto, em vez de transpor sua vida para o papel, “até porque não sou tão interessante assim”, diz ele em tom modesto.

Formado em Letras, com mestrado em Teoria Literária, o escritor compartilhou também seus autores preferidos e ainda contou que está trabalhando em um novo livro.

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[O Amor dos Homens Avulsos] Semana #8

Encerramos a leitura de mais uma edição do nosso Clube do Livro! Gostamos muito de O Amor dos Homens Avulsos e, agora, fazemos coro a todas as boas críticas que nos levaram à escolha do título escrito por Victor Heringer. Os últimos capítulos mantiveram a força da narrativa e fecharam de maneira muito coerente a ideia que baseia a história. E vocês, gostaram da leitura de O Amor dos Homens Avulsos? Fiquem ligados: na próxima semana, teremos um post muito especial por aqui!

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

A relação de pai e filho entre Camilo e Renato é finalmente definida. A partir das sutilezas do dia a dia, Victor Heringer mostra como os laços de cuidado e afeto vão se construindo. Dos detalhes da ceia de Natal, que neste ano deveria ser mais especial pela presença do garoto, às broncas pelas travessuras, fica claro que a ternura venceu o ódio:

Onde é que começa o amor ninguém lembra. Os gatilhos do ódio são todos fáceis (…). Aí poderia ter começado o ódio, mas não começou. Poderia ter começado quando o moleque berrou que ele não era seu pai porque foi proibido de ir para rua às oito da noite. Mas não começou.

É assim que Camilo sabe que ama o filho.

O ódio nunca começa quando pode.

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[Lista] 5 personagens trabalhadores

Para celebrar o 1º de Maio, comemorado em todo o mundo como Dia do Trabalho, prestamos homenagens a esses personagens que, assim como nós, pobres mortais, precisam enfrentar chefes, horários e as demais pressões da vida laboral.

Trabalhadores do mundo (da literatura), uni-vos!

1. Macabea, de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector: A “delicada e vaga existência” diária de Macabea, a personagem principal desse clássico da literatura brasileira, é preenchida por sua função como datilógrafa, habilidade adquirida em um “curso ralo de como bater à máquina”.

Macabea, uma nordestina de dezenove anos que migrou para o Rio de Janeiro, leva uma vida miserável e sem perspectivas, em um trabalho em que o chefe chega a ameaçar mandá-la embora, mas desiste por sua ingenuidade e delicadeza. Seus dias são preenchidos com pensamentos fantasiosos sobre a infância, a fome e a vontade de ser quem não era.

Ao retratar a personagem, Clarice Lispector habilmente descreveu uma geração de migrantes nordestinos que, em terras cariocas ou paulistas, era invisível socialmente, ocupada com subempregos em uma paisagem urbana que irremediavelmente marchava em sentido oposto. 

Domingo ela acordava mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada.

O pior momento de sua vida era nesse dia ao fim da tarde: caía em meditação inquieta, o vazio do seco domingo. Suspirava. Tinha saudade de quando era pequena – farofa seca – e pensava que fora feliz. Na verdade por pior a infância é sempre encantada, que susto.

Quem nunca compartilhou dessa aflição que emana de uma tarde de domingo que atire a primeira pedra!

2. Michael Beard, de Solar, de Ian McEwan: O personagem principal de Solar tem um currículo invejável: ganhador do prêmio Nobel de Física por uma teoria que leva seu nome, Michael Beard vive de palestras, conferências e pareceres até ascender ao posto de chefe do Centro Nacional de Energia Renovável da Inglaterra.

Sua grande contribuição para a área, porém, foi resultado de uma confluência de fatores em que seu talento não necessariamente teve grande peso. Agora, o personagem vive há quase duas décadas obtendo os dividendos de conquistas profissionais obtidas bem no início de carreira (um tipo bem comum na vida corporativa, não é mesmo?).

Como poderia Beard confessar a Jesus que havia anos não praticava a ciência a sério e não acreditava em profundas transformações interiores? Tudo que existia era deterioração interna e externa.

Com a ironia fina característica, McEwan mostra os altos e baixos de um personagem narcisista e sem nenhuma ética no trabalho.

3. Ifemelu, de Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie: O mundo do trabalho certamente ganhou contornos diferentes nas últimas décadas e é natural que essas mudanças estejam refletidas na literatura.

Em alguns casos, chefes e horários rígidos perderam espaço para atividades autossuficientes, como no caso de Ifemelu. A personagem principal de Americanah é uma jovem nigeriana que, diante da falta de oportunidades de estudo em seu país, marcado por greves e por conflitos militares, migra para os Estados Unidos para estudar.

Na América, Ifemelu trava relações com um ilustre desconhecido em sua vida até então: a raça. O preconceito contra negros nos Estados Unidos a leva a começar a escrever para um blog, que se torna bastante bem sucedido. Mas, antes disso, Ifemelu encara a dificuldade que é conseguir uma vaga em um ambiente socio-cultural totalmente distinto ao que ela estava acostumada:

Cada vez que ela ia para uma entrevista de emprego ou fazia um telefonema sobre uma vaga, ela dizia a si mesma que que este seria, finalmente, o seu dia; dessa vez, a vaga de garçonete, recepcionista ou babá seria dela, mas mesmo que ela torcesse por si mesma, já havia uma sombra crescente em um canto da sua mente. “O que eu estou fazendo de errado?”, ela perguntava a Ginika, e Ginika lhe dizia para ser paciente, para ter esperança.

Ngozi Adichie explora, por meio dessas frustrações, como é a vida de um imigrante, até que Ifemelu consiga se estabelecer e conquistar seu próprio espaço na América. O problema, então, é que ela será uma estrangeira em sua própria casa.

4. Rob, de Alta Fidelidade, de Nick Hornby: Neste livro despretensioso, mas muito divertido, Rob tenta se refazer após o fim do relacionamento com uma namorada, o que o leva a questionar toda a sua vida até aquele momento.

Dono de uma loja semi-abandonada de discos em Londres, o personagem tenta sair do impasse por meio de listas,  dos cinco rompimentos mais importantes de sua vida até a trilha sonora perfeita para curtir uma fossa, buscando sempre o apoio emocional de sua vasta coleção de CDs. Difícil não se identificar com esse trecho:

Na noite de terça-feira eu reorganizo minha coleção de discos; eu sempre faço isso em período de stress emocional. Uma parte das pessoas poderia achar essa uma terrível maneira de passar um fim de tarde, mas eu não sou uma delas. Essa é a minha vida, e é bom poder se aprofundar nela, imergir seus braços nela, tocá-la.

Sem muitas aspirações na carreira, Rob tenta procurar respostas em seu passado. Leve e de um humor autoirônico difícil de resistir, esse é um ótimo livro para as férias ou para descansar a cabeça depois de uma longa semana no trabalho (ou te fazer se sentir um pouco melhor consigo mesmo).

PS: Está de bobeira no feriado? Alta Fidelidade já foi adaptado para o cinema e tem John Cusack no papel principal, com uma atuação perfeita para o personagem. Ainda que aqui no Achados e Lidos sejamos fiéis aos livros, o filme é divertidíssimo e ainda conta com o bônus de ter uma ótima trilha sonora.

5. Renée, de A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery: Uma zeladora de um prédio parisiense que prefere ocultar sua cultura e conhecimento é o pano de fundo desse romance de Muriel Barbery, que vendeu mais de 900 mil exemplares na França.

Renée, a personagem que narra a maior parte do romance, guarda para si seus gostos refinados e sua ampla capacidade de raciocínio lógico porque sabe que os moradores do prédio do qual ela é zeladora se assombrariam caso enxergassem nela algo mais do que alguém que está sempre ali perto da porta, disposta a resolver problemas ou socorrer alguém em necessidade. Por vezes, ela deixa escapar algum comentário, mas quase nenhum dos oito inquilinos consegue enxergar além das convenções sociais:

Como sempre, sou salva pela incapacidade dos seres humanos de acreditar naquilo que explode a moldura de seus pequenos hábitos mentais. Uma zeladora não lê A Ideologia Alemã, e, por conseguinte, seria incapaz de citar a décima primeira tese sobre Feuerbach. Além disso, uma zeladora que lê Marx está, necessariamente, de olho na subversão e se vendeu a um diabo que se chama Confederação Geral dos Trabalhadores, a CGT.

Paloma, de doze anos, é das poucas moradoras que consegue ver por dentro da couraça de proteção de Renée. Procurando um sentido para sua vida, é Paloma quem ligará as pontas da existência da zeladora com outro personagem igualmente reservado.

É a luta de classes combinada ao melhor da literatura!

Lembrou de outro trabalhador da literatura? Conte para a gente nos comentários!

[O Amor dos Homens Avulsos] Semana #6

Passamos da metade de O Amor dos Homens Avulsos, de Victor Heringer, e nas últimas páginas o amor de Camilo por Cosmim deixou o terreno das vontades para ganhar materialidade, com o primeiro beijo. Corajosos, em vez de se esconder os dois assumem a relação, primeiro para os amigos do bairro e depois para toda a gente do Queím. O choque, contudo, não vem da “cara amolecida” dos amigos, e sim das “caras velhas e das moças de família” do bairro, um dos trechos em que a capacidade do autor de construir julgamentos de forma tênue e sensível ficou mais evidente. Na próxima semana, avançamos até o capítulo 59, na página 127. Continue acompanhando com a gente essa leitura!

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Passada a euforia da descoberta do primeiro amor, Cosme e Camilo têm um choque de realidade. As vulnerabilidades e o preconceito entram em cena quando a relação dos dois vem à tona.

Ao mesmo tempo em que o amor faz o garoto se sentir completo, a dependência em relação a Cosme o enfraquece. É como se esse sentimento tirasse Camilo da solidão, mas o ameaçasse a todo momento com ela. Bastava perder a pessoa amada para que tudo desmoronasse. E era um caminho sem volta: o amor era de tal forma o alcance da plenitude que retornar à situação de antes já não bastaria. Neste trecho, Heringer descreve as sensações que sucedem o primeiro beijo do casal e, desenvolve, brilhantemente, essa dicotomia:

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[Lista] 5 famílias inesquecíveis da literatura

Não são poucas as histórias famosas que nasceram da trajetória de clãs poderosos, de disputas entre herdeiros ou de rivalidades entre famílias. A Lista da Semana traz cinco parentelas da literatura que vão fazer a sua família parecer a mais normal do mundo, rs. Confira!

17.04.24_lista_familias_61. Bonanno, em Honra Teu Pai, de Gay Talese: Há um tipo de família que é objeto de fascínio de grande parte do público contemporâneo. Estou falando da máfia, uma das matérias-primas mais queridas pela ficção dos nossos tempos. De livros a produções de TV e cinema, não faltam exemplos de narrativas que foram beber nessa fonte.

A obra de Talese é ainda mais chamativa por trazer uma história real. Honra Teu Pai é um clássico do jornalismo literário e foi o primeiro livro de não ficção a revelar a vida secreta da máfia. Em quase sete anos de pesquisa, Gay Talese teve acesso irrestrito ao clã Bonanno, um dos grupos que controlava Nova York.

Em um relato despido de romantismo, o jornalista reconstrói a saga dessa família, a partir do sequestro do patriarca “Joe Bananas” Bonanno, em 1964. Nesse momento, seu filho Bill Bonanno começa um embate pelo controle da própria família, justamente quando o papel do crime organizado se transformava na sociedade norte-americana.

Vale ressaltar que, quando o assunto é máfia, a palavra “família” ganha um sentido bem mais abrangente. Nos Estados Unidos, na década de 30, a máfia, que é de origem siciliana, foi reestruturada de uma forma empresarial moderna. Havia uma fraternidade nacional, com cerca de 5 mil homens, divididos entre 24 organizações separadas (“famílias”). Em Nova York, onde vivia quase metade desse contingente, havia cinco “famílias”, uma delas a dos Bonanno. Cada organização tinha suas peculiaridades, mas devia seguir as regras da fraternidade e respeitar alguns valores que destoavam totalmente de suas práticas criminosas, como podemos notar nesta conversa emblemática de Joe com seu filho:

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