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[O Mestre e Margarida] Semana #9

Chegou a hora de conhecermos melhor a outra personagem que está no título da obra de Bulgákov. Margarida, por fim, esbarra na trupe diabólica e esse encontro dá início a mais uma sequência eletrizante. Para a próxima semana, avançamos até o capítulo 24, ou página 278, se você tem a edição da foto.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

No início desta segunda parte, descobrimos que Margarida, a amada do Mestre, não o abandonou e ainda é profundamente apaixonada por ele. Também nos é revelado que ela é casada com um homem bastante rico e, materialmente, dispõe de tudo que uma pessoa poderia desejar:

Não falta dinheiro a Margarida Nikoláievna. Margarida Nikoláievna podia comprar tudo que lhe agradava. Entre os conhecidos de seu marido havia gente interessante. Margarida Nikoláievna nunca encostou em um fogareiro. Margarida Nikoláievna não conhecia os horrores da vida em um apartamento compartilhado. Em suma… era feliz? Nem por um minuto!

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[Divã] Literatura falada

Sei que chego atrasada ao assunto, mas recentemente descobri uma nova maravilha da humanidade, proporcionada pela tecnologia: os podcasts.

Para quem também perdeu essa onda, os podcasts são basicamente programas de rádio que você pode ouvir quando quiser: basta ter um novo episódio disponível. Para quem passa aproximadamente 80 minutos diários no trânsito, essa tem sido a salvação para usar o tempo de deslocamento de forma minimamente útil.

No começo, (ou)via com desconfiança esse formato. Há, claro, um certo amadorismo, já que mesmo quando o conteúdo é produzido por instituições conhecidas, nem sempre quem os apresenta tem as habilidades encontradas em locutores de rádio, como uma voz sonora e boa desenvoltura.

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“Foi-se a copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
Cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
Se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
Havendo tenacidade,
Ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa Da Liberdade.”

 

Carlos Drummond de Andrade
em Poesia e Prosa

[O Mestre e Margarida] Semana #4

Entre desaparecimentos suspeitos e um ambiente endiabrado, continuamos a mergulhar no passeio por Moscou proposto por Mikhail Bulgákov em O Mestre e Margarida. De forma provocativa, o autor russo coloca o diabo como o mestre da magia negra, capaz de fazer desaparecer pessoas com facilidade. Pelo paralelo com Stálin e as críticas nem sempre sutis ao regime político da União Soviética, o livro de Bulgákov só foi publicado em seu país em 1973. Continuamos empolgados com essa leitura ao mesmo tempo espantosa e intrigante!  Está acompanhando conosco? Na próxima semana vamos até a página 124, ou capítulo 12, caso você não tenha a edição da foto!

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Não existe infelicidade maior do que a perda da razão.

Esse pensamento, que vem à mente do poeta Riúkhin ao deixar a clínica psiquiátrica, onde foi instalado Bezdômny, provoca uma reflexão interessante no leitor de O Mestre e Margarida. Ao narrar a chegada do Diabo e de sua comitiva à Moscou, em uma prosa delirante, o autor russo parece questionar a sanidade de todo um povo diante do autoritarismo de um regime em que as pessoas desapareciam do dia para a noite, sem deixar vestígios.

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[Divã] Quem tem medo de falar de racismo?

Enquanto o mundo assistia embasbacado à atuação do jovem Kylian Mbappé na vitória da França sobre a Argentina, em um jogo que classificou os franceses para as quartas-de-final da Copa do Mundo da Rússia, o youtuber brasileiro Júlio Cocielo proferia uma “piada” absurdamente racista em seu Twitter: para ele, Mbappé “conseguiria fazer uns arrastão top na praia”.

O post gerou furor na internet, mas houve quem defendesse Cocielo: para uma parte de seus fãs, foi apenas uma brincadeira, já que Cocielo tem “bom coração”. Desde então, ele apagou impressionantes 50 mil tweets, não antes que milhares de prints com afirmações homofóbicas e racistas viessem à tona.

Mbappé é um atleta jovem, forte e extremamente talentoso. Comparar a rapidez de suas arrancadas ao potencial de “arrastão” é de um racismo perverso, mas defender o youtuber e afirmar que essa foi apenas uma brincadeira é bastante sintomático do racismo que se esconde nos meandros da sociedade brasileira. É pouco provável que Cocielo dissesse que Cristiano Ronaldo faria arrastões top na praia.

Em seu novo livro, Quem Tem Medo do Feminismo Negro (Companhia das Letras, 145 páginas, R$ 29,90)  Djamila Ribeiro é clara sobre o papel do humor na perpetuação do racismo.

É preciso perceber que o humor não é isento, carregando consigo o discurso do racismo, do machismo, da homofobia, da lesbofobia, da transfobia. Diante de tantos humoristas reprodutores de opressão, legitimadores da ordem, fico com a definição do brilhante Henfil: “O humor que vale para mim é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime”.

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