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[Canção de Ninar] Semana #4

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O limite tênue que separa o pessoal do profissional e a invisibilidade social de algumas classes trabalhadoras foram os temas centrais no último trecho lido. Onde parecia haver apenas perfeição começam a surgir fragilidades e tensões preocupantes. Para a próxima semana, avançamos até a página 98, ou capítulo 20.

Mariane Domingos e Tainara Machado

O jantar na casa de Myriam e Paul, para o qual Louise é convidada, é um episódio emblemático. A partir de cenas e diálogos sutis, a autora Leïla Slimani carrega a narrativa de significados sociais.

A insistência dos patrões para que a babá participe da celebração, não apenas como cozinheira, mas como convidada, parece, à primeira vista, uma grande gentileza, uma boa forma de reconhecimento. Não demora muito, no entanto, para que o leitor se coloque na pele de Louise e perceba a farsa. A tentativa do casal de incluí-la soa forçada e busca muito mais apaziguar a consciência dos dois, que de algum modo sabiam que a subvalorizavam, do que realmente reconhecer o trabalho da babá. Louise não se sente à vontade, porque, a despeito do clima de festa e de sua condição de “convidada”, aquele ambiente, em nenhum momento, deixou de ser seu ambiente de trabalho:

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[Resenha] NW

Nossas origens nos definem? Neste romance, NW, um “épico urbano” nas palavras de Joyce Carol Oates, a escritora britânica Zadie Smith mergulha na multiculturalidade de um bairro londrino para criar quatro histórias que se entrelaçam e comprovam que o destino de um indivíduo é muito mais complexo do que uma simples somatória de contexto e educação.

Os quatro personagens principais – Leah, Natalie, Nathan e Felix – cresceram em Kilburn, na região de NW, bairro londrino moldado por sucessivas ondas migratórias. Na idade adulta, eles voltam a se encontrar, carregando trajetórias e escolhas diferentes, mas um passado em comum.

Natalie, filha de jamaicanos, driblou as expectativas da sociedade, formou-se em Direito, casou-se com um homem rico e desenvolveu uma carreira sólida. Sua vida familiar, no entanto, é uma bomba relógio, muito bem disfarçada, mas prestes a explodir. Leah, melhor amiga de Natalie e de descendência irlandesa, contrariou o sonho da mãe de vê-la em um posto bem remunerado, quando decidiu se dedicar ao trabalho humanitário e casar-se com um imigrante francês, cabelereiro e de ascendência africana. Nathan, errante desde sua adolescência, seguiu exatamente o caminho anunciado: drogas, violência e rua. Já Felix conseguiu superar o vício, mas não os obstáculos para uma carreira promissora. O aspirante a cineasta termina como um mecânico de carros com uma vida amorosa bastante conturbada.

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“você me diz para ficar quieta porque
minhas opiniões me deixam menos bonita
mas não fui feita com um incêndio  na barriga
para que pudessem me apagar
não fui feita com leveza na língua
para que fosse fácil de engolir
fui feita pesada
metade lâmina metade seda
difícil de esquecer e não tão fácil
de entender”

 

Rupi Kaur em outros jeitos de usar a boca

“Eu queria que você visse o que realmente é a coragem, em vez de pensar que coragem é um homem com uma arma na mão. Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa assim mesmo, e vai até o fim, apesar de tudo. Raramente a gente vence, mas isso às vezes pode até acontecer.”

 

Harper Lee em O Sol é Para Todos

[Resenha] As Alegrias da Maternidade

Indicação da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para o kit da Tag Livros de outubro do ano passado, As Alegrias da Maternidade (Tag Livros, 320 páginas), de sua compatriota Buchi Emecheta, é um romance que faz o leitor perder o fôlego a cada página. Sua narrativa é envolvente não só capítulo a capítulo mas também no todo, já que a escritora costura, com habilidade, episódios cotidianos de personagens fortes a temas áridos como gênero e raça.

Nnu Ego, proganista da história, é filha da paixão entre Agbadi, grande caçador e chefe de um tribo igbo na região de Ibuza, e sua amante Ona, jovem cujo caráter voluntarioso não se adequava aos padrões esperados de uma mulher naquele contexto.

Diferente da mãe, que não queria constituir família, apenas encontrar um homem que a engravidasse de um filho homem para que ela entregasse ao pai e garantisse a continuidade de sua linhagem, Nnu Ego esperava encontrar no casamento e na maternidade sua plenitude. Para ela, não havia outro caminho para uma vida bem-sucedida.

Em seu primeiro matrimônio, já começam as desilusões. Ela se casa com um jovem que era quase um espelho de seu pai – viril, belo, corajoso e líder. A demora para engravidar leva o marido a procurar uma segunda esposa e, quando esta logo lhe dá o que ele tanto procurava, Nnu Ego é marginalizada sob a insígnia de mulher estéril e incapaz de cumprir suas obrigações.

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