Autor: Mariane Domingos (página 1 de 39)

“Quando eu tinha uns seis anos de idade, chegou o grande dia para mim: papai esvaziou um cantinho de uma de suas estantes e permitiu que eu transferisse meus livros para lá. Para ser mais preciso, ele me deu uns trinta centímetros, mais ou menos a quarta parte da prateleira mais baixa. Abracei meus livros, que até então viviam deitados sobre o tapete, ao lado da minha cama, e os carreguei até a estante de papai e os arrumei em pé, as costas voltadas para o mundo exterior, e a frente, para a parede.

Aquele foi um ritual de iniciação, o verdadeiro rito de passagem para a idade adulta: o individuo cujos livros ficam de pé já é um homem, não mais uma criança. Agora eu era como o meu pai. Meus livros estavam de pé.”

 

Amós Oz em De Amor e Trevas

[Divã] Caçadores de autógrafos

Neste ano, não teve Flip pro Achados. Com o gostinho amargo de quem gostaria de estar lá, eu e Tatá passamos cinco dias tentando superar uma timeline monopolizada por fotos e notícias de Paraty. Não foi fácil, mas sobrevivemos à base de muita leitura e boas lembranças das edições anteriores.

Das barracas de doces às mesas com os autores, a Flip é um conjunto de experiências imperdíveis, principalmente por proporcionar aos apaixonados por literatura a proximidade com os escritores.

Além de poder ouvi-los nas mesas e nos eventos paralelos, ainda temos as famosas filas de autógrafos, um dos meus momentos favoritos! É preciso muita paciência, porque elas podem tomar um bocado de tempo. Meu recorde foi em 2016, quando levei duas horas e meia para conseguir um autógrafo da Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévitch. Valeu a pena? Com certeza!

Mas por que será que livros autografados são objetos de desejo para grande parte dos apaixonados por literatura? No meu caso, a resposta é fácil: o autógrafo está ligado à memória. É como ter uma lembrança física de uma experiência agradável.

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[Resenha] Soldados de Salamina

Considerado um forte candidato a clássico pela revista The New YorkerSoldados de Salamina (Editora Globo – Biblioteca Azul, 213 páginas), do escritor espanhol Javier Cercas, é uma daquelas leituras que renovam a fé na literatura contemporânea. Uma história simples combinada a uma estrutura narrativa intrincada e inovadora faz dessa obra uma experiência recomendável a qualquer apaixonado por literatura.

O romance traz as aventuras de um escritor, que ao que tudo indica é o próprio Cercas, durante o processo de criação do seu novo trabalho, o livro Soldados de Salamina. Trata-se, portanto, de uma metanarrativa, ou seja, o relato se volta para ele mesmo.

Depois de algumas empreitadas frustradas na literatura e da decisão de abandoná-la, Cercas se vê novamente diante de uma história que precisa ser contada. O personagem central do episódio que o intriga é Sánchez Mazas, político e ideólogo da Falange, partido de sustentação da ditadura de Franco.

Capturado por republicanos nos estertores da sangrenta Guerra Civil Espanhola (1936-1939), Mazas escapou de um fuzilamento e teve um retorno triunfal, quando as forças fascistas chegaram ao poder. A curiosidade pelos detalhes dessa fuga, que com o tempo ganhou contornos novelescos, levam o escritor a um trabalho profundo de investigação.

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“No hipnotizante crepúsculo da metrópole, eu sentia muitas vezes a solidão à minha espreita e dos outros – jovens balconistas pobres que perambulavam diante das vitrines, esperando a hora de entrar num restaurante para um jantar solitário – jovens balconistas à luz do anoitecer, desperdiçando os momentos mais intensos da vida e da noite.”

 

F. Scott Fitzgerald em O Grande Gatsby

[Lista] 10 dicas para ler mais

Quando conto que tenho um blog de literatura, a maioria das pessoas me pede, além de sugestões de livros, dicas para ler mais. Por isso, resolvi reunir em um post alguns hábitos que funcionam para mim. Espero que eles sirvam para você também! 🙂

1. Conheça seus gostos: suspense, romance, terror, biografias, livro-reportagem, ficção científica… Comece se perguntando de que tipo de história você gosta, porque é essencial que o livro o cative. No início, pode ser que seja mais difícil acertar, mas, à medida que suas leituras aumentam, você vai se conhecendo melhor como leitor e só de ver o nome do escritor ou ler a sinopse, já sabe se vai agradá-lo ou não.

2. Respeite seu momento: há semanas ou meses em que meu nível de concentração está baixíssimo. Nesses momentos, meu cérebro pede leituras mais simples, ou seja, nada de ler ensaios ou de encarar William Faulkner, rs. Quando me sinto mais angustiada, passo longe de literatura russa. Se estou com tempo mais escasso, abro mão dos romances extensos. Enfim, para uma leitura fluir, é preciso que ela converse com seu estado de espírito e seu momento.

3. Busque conteúdo sobre literatura: depois de identificar seu gosto e seu humor, é hora de escolher a leitura. A melhor dica para acertar na escolha é cercar-se de conteúdo literário, como o que produzimos aqui no Achados & Lidos! 🙂 Nós e vários outros perfis, blogs, canais e revistas dedicados à literatura facilitamos sua vida fazendo essa curadoria.

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