Tag: literatura francesa (página 1 de 6)

“A faculdade que temos de manipular a nós mesmos para que o pedestal de nossas crenças não vacile é um fenômeno fascinante.”

 

Muriel Barbery em A Elegância do Ouriço

[Resenha] A Estalagem Vermelha

A história que poderia ser apenas mais uma curta novela policial ou um conto de suspense transforma-se, nas mãos do francês Honoré de Balzac, em uma pequena joia da literatura. L’Auberge Rouge (A Estalagem Vermelha) foi lançado em 1831 na Revue de Paris e integra A Comédia Humana, título que Balzac deu ao conjunto de sua obra e que se organiza em três frentes: Estudos de Costumes, Estudos Filosóficos (seção da qual este título faz parte) e Estudos Analíticos.

A narrativa começa com uma cena tipicamente burguesa: um jantar organizado em homenagem ao banqueiro alemão Hermann, que está de passagem por Paris. Após o banquete, uma das convidadas pede que o homenageado conte uma anedota alemã para elevar os ânimos dos convivas.

Hermann relembra, então, uma estranha história que ouviu durante o período em que esteve preso em Andernach, na época das guerras napoleônicas, depois de ter sido capturado pelas tropas francesas.

Leia mais

“É provável que fosse francesa. Os vulcões arrojam pedras, as revoluções, homens. Espalham-se famílias a grandes distâncias, deslocam-se os destinos, separam-se os grupos dispersos às migalhas; cai gente das nuvens, uns na Alemanha, outros na Inglaterra, outros na América. Pasmam os naturais dos países. Donde vêm esses desconhecidos? Foi aquele Vesúvio, que fumega além, que os expeliu de si. Dão-se nomes a esses aerolitos, a esses indivíduos expulsos e perdidos, a esses eliminados da sorte: chamam-nos emigrados, refugiados, aventureiros.”

 

Victor Hugo em Os Trabalhadores do Mar

“Vou lhe dizer um grande segredo, meu caro. Não espere o juízo final. Ele acontece todos os dias.”

 

Albert Camus em A Queda

[Resenha] Bel-Ami

Bel-Ami (Estação Liberdade, 368 páginas), obra mais conhecida do escritor francês Guy de Maupassant, tem tudo que um bom romance exige. O enredo é envolvente, os personagens passam longe da superficialidade e o estilo é fiel à sofisticação da literatura francesa. Não é difícil entender por que o livro continua conquistando leitores 133 anos após a sua publicação.

A história é centrada no sedutor George Duroy, cujo apelido, especialmente entre as mulheres, é Bel-Ami (“belo amigo”). Filho de camponeses e suboficial devolvido à vida civil, Duroy é mais um rapaz pobre tentando a vida em Paris no final do século XIX.

Depois de reencontrar um camarada de regimento, sua sorte começa a mudar. Charles Forestier, redator no jornal La Vie Française, é o responsável por tirar Duroy de um emprego mal remunerado em uma companhia férrea e introduzi-lo no meio jornalístico.

Dono de uma beleza incontestável, bem representada em seu bigode característico e sedutor, Duroy se dá conta, assim que começa a frequentar o círculo de amigos de Forestier, do quanto seu charme pode acelerar seus planos de ascensão social:

Então Forestier começa a rir: – Diga então, meu amigo, você sabe que realmente faz sucesso entre as mulheres? É preciso cuidar disso. Isso pode levá-lo longe. – Ele se cala um segundo, depois retoma, com um tom sonhador de quem pensa em voz alta: – Ainda é por elas que se chega lá mais rápido.  

Duroy não hesita em seguir esses conselhos. Sua primeira vítima é uma amiga da esposa de Forestier, Clotilde de Marelle. As ausências frequentes do marido, por causa do trabalho, facilitam o envolvimento amoroso da Sra. de Marelle com Duroy. Nesse período, o Bel-Ami ainda está se firmando no jornal e seus rendimentos não são suficientes para bancar as extravagâncias da nova vida. Não são poucas as vezes que Clotilde o socorre financeiramente. Embora se faça de rogado, Duroy sempre acaba aceitando a ajuda da amante.

As personagens femininas do romance de Maupassant desempenham um papel tão central quanto o de Duroy na história. Se, por um lado, elas são vistas como pouco confiáveis, interesseiras e tolas, como a Sra. de Marelle, que não hesita em trair o marido e cair na conversa do Bel-Ami, por outro lado, a invisibilidade social da mulher também é abordada.

Leia mais

Posts mais antigos

© 2018 Achados & Lidos

Desenvolvido por Stephany TiveronInício ↑