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Sabe aquele trecho do livro que vale uma orelha na folha, um grifo ou um post-it? Ele tem espaço aqui no blog. São nossas pílulas de inspiração e sabedoria!

“… e se por vezes enveredava por um descaminho, isso se dava porque para muitos simplesmente não existe um caminho certo. Se acaso lhe perguntavam o que afinal de contas pensava em vir a ser neste mundo, respondia com fórmulas variáveis, pois costumava dizer (e até já o inscrevera em seu íntimo) que trazia em si as possibilidades de mil formas diferentes de existência, junto da secreta consciência de que todas no fundo não passavam de puras impossibilidades…”

 

Thomas Mann em Tonio Kröger

“Todos os dias parimos o mesmo filho – diz Dabondi. Todos os dias o cordão umbilical renasce para voltar a ser decepado. Durante a vida inteira a mãe recomeça o parto, escuta o primeiro choro, sente o primeiro riso. Todo o parto infinitamente se reparte.”

 

Mia Couto em O bebedor de horizontes – As areias do imperador 3

Aula de português

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

 

Carlos Drummond de Andrade

“É foda sair do beco, dividindo com canos e mais canos o espaço da escada, atravessar as valas abertas, encarar os olhares dos ratos, desviar a cabeça dos fios de energia elétrica, ver seus  amigos de infância portando armas de guerra, pra depois de quinze minutos estar de frente pra um condomínio com plantas ornamentais enfeitando o caminho das grades, e então assistir adolescentes fazendo aulas particulares de tênis. É tudo muito próximo e muito distante. E, quanto mais crescemos, maiores se tornam os muros.”

 

Geovani Martins em O Sol na Cabeça

“Domingo ela acordava mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada.

O pior momento de sua vida era nesse dia ao fim da tarde: caía em meditação inquieta, o vazio do seco domingo. Suspirava. Tinha saudade de quando era pequena – farofa seca – e pensava que fora feliz.”

 

Clarice Lispector em A Hora da Estrela

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