Alguns autores batem carteirinha aqui no Achados & Lidos, como é o caso de Gabriel García Márquez. O autor colombiano, nascido na distante Aracataca em 6 de março de 1927, é um dos meus preferidos desde a adolescência, quando me apaixonei pelo romance de Florentino Ariza e Fermina Daza, os protagonistas de O Amor nos Tempos do Cólera. De lá para cá, me aventurei por outras obras e formatos também explorados pelo escritor, como as crônicas, as memórias e os contos. Paixões são difíceis de explicar, mas seu estilo único e a exuberância das narrativas e dos personagens são apenas algumas das razões para amar Gabo. Elencamos cinco, mas são infinitas as razões para amar a escrita de um dos maiores autores latino-americanos.

1. Ele tornou o realismo fantástico conhecido mundo afora:

Gabo costumava dizer que o que escrevia era apenas realismo. A realidade que era fantástica. Para nós, latino-americanos, tão acostumados com a máxima de que por vezes a realidade supera a ficção, essa não seria uma grande novidade.

Quem lê seus textos mais autobiográficos de fato encontra muitos dos personagens mais famosos de seus livros em suas histórias familiares, que o marcaram profundamente, especialmente o convívio com os avós.

Mas o que Gabo fez com maestria foi levar para o restante do mundo o realismo fantástico tão característico de nossa região, fruto da convivência de diferentes culturas, crenças e personalidades, em uma atmosfera por vezes onírica, mas totalmente apaixonante.

2. Ele inventou Macondo!

Como parte da história das sete gerações da família Buendía, Gabo inventou uma dos povoados fictícios mais famosos da literatura: Macondo. O apogeu e o declínio da aldeia se confundem com os sucessos e fracassos da estirpe, no centro da narrativa de Cem Anos de Solidão.

Macondo era então uma aldeia de vinte casas de pau a pique e telhados de sapé construídas na beira de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome, e para mencioná-las era preciso apontar com o dedo.

3. Gabo é encantador não importa o formato

Comecei a ler Gabriel García Márquez atraída pelo título de O Amor nos Tempos do Cólera. Ainda adolescente, vi esse livro na estante de uma amiga e logo imaginei uma grande história de amor. A relação de Fermina Daza e Florentino Ariza é tudo, menos um grande romance água com açúcar.  Ainda assim, fiquei vidrada pela escrita desse gênio colombiano. Tanto que, nos anos seguintes, li muitas de suas obras, incluindo parte de suas crônicas, publicadas originalmente em jornais colombianos, e o primeiro volume de suas memórias, Viver para Contar.

Não importa o formato, Gabo é sempre genial. A maior prova disso talvez seja Doze Contos Peregrinos, que li por recomendação da Mari. Logo no prefácio, Gabo nos informa que aqueles contos partiram de anotações e observações mantidas de forma um tanto aleatória e desorganizada ao longo de uma vida, sem que ele chegasse ao formato ideal. Os contos, prossegue o autor, são diferentes dos romances, que depois do primeiro parágrafo, de definições, passam a ser resultado apenas do prazer de escrever. No caso das histórias curtas, ou elas andam, ou desandam.  

No seu caso, como sempre, elas surpreendem.

4. Protagonizou uma das brigas mais conhecidas da literatura

Gabo não se furtava a uma briga ou a uma polêmica, talvez por seu histórico como jornalista. Uma das mais famosas, sem dúvida, foi com Mario Vargas Llosa. Diz a lenda que um soco encerrou a amizade dos dois, que se conheceram na Venezuela na década de 60. Expoentes da nova geração literária latino americana, os dois seriam agraciados com o Prêmio Nobel e, de alguma forma, acabaria engrandecidos por essa intrigante polêmica, que culminou em um soco de Vargas Llosa no seu então amigo na frente de testemunhas.

5. Seu estilo é inigualável:

Gabo é o tipo de autor que, com sua escrita, nos faz abrir um sorriso no meio de uma frase. Seu estilo é tão marcante que deu origem a um movimento literário próprio, o realismo fantástico.

Seu modo de narrar as passagens mais banais são fantásticas, como no episódio de Cem Anos de Solidão em que ele retrata a capacidade de uma das personagens, já cega, de encontrar objetos que os outros haviam perdido.

A busca das coisas perdidas fica prejudicada pelos hábitos rotineiros, e é por isso que dá tanto trabalho encontrá-las

Sua linguagem e seu estilo únicos criam uma intimidade com seus  personagens e enredos que o consideramos da família. Afinal, com qual outro autor nos sentimos tão à vontade para chamá-lo pelo apelido?

Também ama esse gênio colombiano? Conte para gente suas razões para ler o autor colombiano.

Tainara Machado

Tainara Machado

Acredita que a paz interior só pode ser alcançada depois do café da manhã, é refém de livros de capa bonita e não pode ter nas mãos cardápios traduzidos. Formou-se em jornalismo na ECA-USP.
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