Autor: Tainara Machado (página 31 de 38)

[Resenha] A Caixa-Preta

A troca de cartas é uma intimidade que se perdeu com o tempo. Em A Caixa-preta, o israelense Amós Oz resgata esse hábito para dar forma à história de uma separação que deixou cicatrizes e vítimas.

O livro começa com o pedido de socorro de Ilana à Alex Guideon, um professor famoso e rico, do qual se separou há sete anos e com o qual trocou apenas silêncio nesse período. Ilana pede que ele a ajude a encontrar Boaz, o filho do casal que está sumido, sem manter contato nem com ela, nem com seu atual marido, Michel Sommo.

É a correspondência entre esses quatro personagens e também Zakheim, o advogado de Alex, que dará forma à narrativa. A Caixa-preta é um livro impressionante não só porque Oz é capaz de imprimir um ritmo intenso à narrativa, com pequenas revelações a cada carta, mas também porque cada voz tem seu próprio estilo de escrita e suas idiossincrasias, com a construção de personagens complexos a partir de múltilplos pontos de vista, como um prisma.  

Leia mais

Esportes literários

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro começaram há pouco menos de duas semanas e, desde então, tenho dedicado praticamente 18 horas por dia aos dezesseis canais de transmissão disponíveis. São, portanto, muitas horas que eu subtraí da minha rotina semanal de leitura, reduzindo dramaticamente minhas chances de bater recordes literários em 2016.

Da lista de 10 livros para ler em 2016 que postei no blog no início do ano, por enquanto posso marcar check em um nada honroso total de de 4 volumes. Com certeza, um resultado que não me coloca em pódio nenhum. Claro que sempre aparecem outro títulos para roubar a nossa atenção – caso de Elena Ferrante com sua série napolitana, por exemplo -, mas o fato é que ler tudo o que gostaríamos é uma impossibilidade material que, muitas vezes, causa certa depressão aos leitores de carteirinha.

Lembrei do assunto quando a Mari comentou comigo um episódio de Gilmore Girls (disponível no Netflix, outro forte concorrente na luta por tempo disponível). Na terceira temporada, Rory visita a biblioteca de Harvard (ou as bibliotecas, já que são mais de 70) e descobre que naqueles prédios estão mais de 16 milhões de volumes. Ela entre em parafuso porque “só” tinha lido 300 livros até ali e começa a fazer cálculos do quanto ainda precisava  acumular em páginas para dar conta de toda a literatura disponível no mundo.

Leia mais

[Resenha] Solar

A constatação de que o mundo está cada vez mais quente e que o planeta está ameaçado pode suscitar comoção e interesse em muitas pessoas, mas não em Michael Beard, o chefe do Centro Nacional de Energia Renovável e personagem principal de Solar, excelente romance de Ian McEwan.

O inglês não costuma ser muito generoso com seus personagens. Beard é um típico anti-heroi.  Ganhou o prêmio Nobel de Física pela Conflação Beard-Einstein há mais de duas décadas, por uma confluência de fatores em que seu talento não necessariamente teve grande peso. Desde então, “aspergido com o pó mágico de Estocolmo”, leva uma vida fácil de  palestras, conferências e pareceres, como descreve McEwan com a ironia que caracteriza seu estilo ácido de escrita:

Uma coisa era certa: duas décadas haviam transcorrido desde que pela última vez sentara sozinho e em silêncio por horas a fio, com um lápis e um bloco nas mãos, para pensar, para examinar uma hipótese original, para brincar com ela, estimulá-la a ganhar vida própria.

Leia mais

“A beleza não é o objetivo dos esportes de competição, mas o esporte de alto nível é um palco privilegiado para a expressão da beleza humana. É a mesma relação existente, em termos gerais, entre a coragem e a guerra.”

David Foster Wallace

em Ficando Longe do Fato de já Estar Meio que Longe de Tudo

[Lista] 5 livros que mereciam ganhar uma continuação

A semana começou com uma corrida às livrarias pelo novo livro da saga Harry Potter, o oitavo da série. Não é exatamente uma continuação, já que trata-se de uma história escrita por J. K. Rowling para uma peça esgotadíssima em Londres. Ainda assim, o lançamento de Harry Potter and the Cursed Child provocou filas enormes e estantes vazias  nas principais livrarias do país, todos procurando saber o que aconteceu com Harry, Hermione e Ron. Afinal, quem nunca se questionou sobre o futuro de um personagem querido? Pensando nisso, listamos outros livros que também mereciam ganhar uma sequência!

1 – Foi Apenas um Sonho, de Richard Yates: Nos Estados Unidos da década de 50, Frank e April Wheeler são um jovem casal cujas ilusões são demolidas por terem aceitado se conformar com uma vida familiar nos subúrbios. O peso da maternidade, da casa e da falta de acontecimentos soterram April, que se afunda na depressão e em estágios que alternam alguma esperança com o futuro e profundo desinsteresse pelo presente, embora tente manter as aparências. A mudança para a Rua da Revolução só acentua o quadro e, aos poucos, o casamento desmorona.

-(…) Foi assim que nós dois ficamos comprometidos com essa grande ilusão… pois isso tudo não passa de uma ilusão enorme, obscena… essa ideia de que as pessoas têm de desistir da vida e “se fixar” quando constituem famílias. É a grande mentira sentimental dos subúrbios, e eu tenho feito você endossar essa mentira todo esse tempo. Tenho feito você viver essa farsa! Meu Deus, cheguei a construir para mim essa imagem piegas, de telenovela…

Leia mais

Posts mais antigos Post mais recentes

© 2026 Achados & Lidos

Desenvolvido por Stephany TiveronInício ↑