Autor: Tainara Machado (página 32 de 38)

[Resenha] Sempre em Movimento

No começo do ano passado, quando soube que um câncer descoberto nove anos antes tinha progredido para um estágio terminal, o escritor e neurocientista Oliver Sacks não procurou esconder a notícia. Sua reação foi a mais genuína possível para uma vida inteira dedicada à ciência e à escrita: Sacks publicou um artigo muito sereno para o The New York Times, do qual era um colaborador frequente, falando sobre sua doença, suas preocupações, agradecimentos e sua disposição para continuar vivendo da melhor – e mais intensa – forma possível até o fim. 

Em Sempre em Movimento, sua autobiografia lançada no ano passado pela Companhia das Letras, vemos que Sacks tinha, de fato, muito a agradecer. Com sua impressionante curiosidade intelectual e um espírito aventureiro que pouco se encaixam à visão que temos de um neurologista, Sacks viveu uma vida intensa, no qual colecionou paixões, amizades, livros, pacientes e, claro, leitores.

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Quando as semanas viram meses, é tomado pelo cansaço e arrefece, mas não desiste. O pai que procura a filha desaparecida nunca desiste. Esperanças já não tem, mas não desiste. Agora quer saber como aconteceu. Onde? Quando exatamente? Precisa saber, para medir sua própria culpa. Mas nada lhe dizem.

Bernardo Kucinski em K. – Relato de uma Busca

Confissões

O Achados e Lidos é um blog sobre literatura e, portanto, nada mais natural do que passarmos quase o tempo todo dividindo com nossos leitores a paixão por autores, livros, temas e outras notícias relacionada ao assunto. Mas como hoje é dia de Divã, achei que era hora de confessar alguns dos meus traumas. A verdade nua e crua é a seguinte: há autores que todo mundo gosta e que eu não suporto. O santo não bate. A escrita não me arrebata. E não é por falta de esforço.

Essa é uma agonia recorrente quando, navegando por listas abundantes na internet, encontro seleções de clássicos que todo mundo deveria ler um dia na vida. E lá estão, sempre eles. Aqueles autores que eu deveria ter em boa conta, mas que, com certa vergonha, preciso confessar que não gosto.

O que me traz mais embaraço é, sem dúvida, Franz Kafka. Quantas vezes em conversas animadas sobre livros tive que admitir, em voz bem baixa, quase inaudível, que não admiro muito seus livros. E não é um caso clássico de “não li e não gostei”. Encarei A Metamorfose ainda nos tempos de colégio e a história de Gregório Samsa, o homem que despertou de sonhos inquietantes como um gigantesco inseto, me deixou um pouco traumatizada. Atribuí a falta de amor ao livro, porém, à parca capacidade de compreensão de metáforas de uma jovem de menos de 15 anos. Com certeza era mais um caso de autor certo na hora errada.

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[Resenha] A Amiga Genial

As primeiras páginas de A Amiga Genial, primeiro livro da “série napolitana” da italiana Elena Ferrante, é daquelas que a gente lê e deseja ter escrito. Tudo começa quando Elena Greco, a narradora, recebe uma ligação do filho de sua melhor amiga, Rafaella Cerullo, que informa o desaparecimento de sua mãe.

Faz pelo menos trinta anos que ela me diz que quer sumir sem deixar rastro, e só eu sei o que isso quer dizer. Nunca teve em mente uma fuga, uma mudança de identidade, o sonho de refazer a vida noutro lugar. E jamais pensou em suícidio, incomodada com a ideia de que Rino tivesse de lidar com seu corpo, cuidar dele. Seu objetivo sempre foi outro: queria volatilizar-se, queria dissipar-se em cada célula, e que ninguém encontrasse o menor vestígio seu. E, como a conheço bem – ou pelo menos acho que conheço -, tenho certeza de que encontrou o meio de não deixar sequer um fio de cabelo neste mundo, em lugar nenhum.

Elena, de fato, a conhecia. Lila, como só ela chama a amiga, evaporou. As roupas no armário sumiram, os sapatos desaparecem, ela recortou até as fotos em que aparecia ao lado do filho, ainda menino. O sumiço misterioso reacende na narradora a vontade, muito debatida pelas duas quando meninas, de escrever um livro.

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[Lista] 5 biografias que merecem lugar na estante

No mundo dos livros, as biografias são um gênero à parte. Na minha estante, por exemplo, elas ocupam uma prateleira inteira. Tem gente que torce o nariz e não vê muito valor estético nessas obras. Eu, pelo contrário, sou fã. Algumas histórias são até mais fascinantes do que ficção. E quando é um escritor que decide contar sua vida (ou ao menos parte dela), então, não me seguro. Aqui estão cinco biografias ou volumes de memórias que me marcaram e que merecem lugar na sua estante também!

1. Steve Jobs, por Walter Isaacson: Em 2004, quando soube que estava doente, o grande gênio da indústria de tecnologia quis um biógrafo a sua altura. Antes que qualquer um soubesse de seus problemas de saúde, Steve Jobs se aproximou de Isaacson e propôs que ele escrevesse sua trajetória.

Eu havia publicado recentemente uma biografia de Benjamin Franklin e estava escrevendo outra sobre Albert Einstein, e minha reação inicial foi perguntar, meio de brincadeira, se ele se considerava o sucessor natural nessa sequência.

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