Autor: Tainara Machado (página 35 de 38)

“Não usamos palavras (e as palavras não se gastam) quando somos crianças. Eu nasci naquele tempo distante, muito longe dos adjetivos, dos substantivos. Eu não posso dizer, nem sequer pensar: admirável, imenso, poderio. Mas sou capaz de o sentir.”

J. M. G. Le Clézio em O Africano

[Lista] 5 livros para levar na bolsa

Critérios de escolha da próxima leitura podem variar bastante. Às vezes, estamos afim de nos dedicar àquele clássico, outras queremos voltar a um autor que adoramos ou então desbravar novos continentes. Mas há também aqueles momentos em que a ordem é a praticidade. Não sou adepta ao Kindle (tema para outro post) e, por isso, no dia a dia algumas perguntas de natureza prática são inevitáveis. Por exemplo, cabe na bolsa? É leve? Se for edição de bolso, ainda melhor. Se todas as respostas para as perguntas anteriores forem positivas, ainda falta a questão mais importante: é bom?

Para ajudar nesta escolha, selecionei cinco títulos que cabem na bolsa e quase não ocupam espaço. De quebra, vão te fazer ótima companhia no ônibus, no táxi e na sala de espera do médico (e ainda vão te poupar de uma lordose no futuro!).

1. A Revolução dos Bichos, George Orwell: Nesta fábula, Orwell prova que nem sempre um clássico precisa pesar mais de 500 gramas. Mais do que uma sátira do regime stanilista em vigor na União Soviética em 1945, quando o livro foi escrito, Orwell escreveu uma narrativa que coloca em xeque a capacidade de organizações políticas produzirem sonhos igualitários. Até agora, tem se provado mais do que acertado, já que todas as utopias neste sentido foram frustradas.

Na famosa história, um sonho de Mestre, um porco já mais velho, leva os animais a se revoltar contra as condições a que são submetidos na fazenda, com pouco para comer e condições terríveis de trabalho. Enxergam no homem a causa de todos os males, mas vão descobrir que há outro tipo de tirania possível, sob o comando do porco Napoleão. Ou, como resume o único mandamento a sobreviver à revolução dos bichos:

Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros.

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[Resenha] A Vida Invisível de Eurídice Gusmão

Em tempos de mulheres belas, recatadas e do lar, “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha, nos lembra do muito que avançamos nos últimos cinquenta anos, e do tanto que ainda falta conquistarmos.

O livro conta a história da personagem do título, uma mulher brilhante, que poderia ter sido engenheira, escritora ou cientista, mas no Rio de Janeiro dos anos 40, mais especificamente no bairro muito familiar da Tijuca, estava fadada a ser dona de casa.

Ela sempre achou que não valia muito. Ninguém vale muito quando diz ao moço do censo que no campo profissão ele deve escrever as palavras “Do lar”.

Os nãos que Eurídice ouviu na vida foram muitos. Convidada por Heitor Villa Lobos para tocar flauta doce em seus cantos orfeônicos, tem o pedido recusado pelos pais, que não acham que aquele é o caminho para uma boa moça.

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“Eu me debatia entre a esperança e o desespero. Principalmente desespero: a esperança era cada vez mais remota.”

 

Mo Yan em Mudança

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