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[A Besta Humana] Semana #4

Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 247 (se você tem a edição da foto).

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Depois das dúvidas sobre quem levaria a culpa do assassinato de Grandmorin, o casal Roubaud resolve agir para garantir que o crime não seja descoberto. Sevérine vai a Paris pedir a ajuda do secretário-geral, o dr. Camy-Lammote. A princípio, o objetivo era apenas conservar o emprego do marido, mas depois de receber algumas indiretas do secretário, ela percebe que ele tinha conhecimento de uma prova definitiva – a carta que Roubaud havia obrigado Séverine a escrever, convocando Grandmorin para um encontro.

Mesmo depois de ter certeza de que o bilhete que chegara às suas mãos fora escrito por Séverine, Camy-Lammote hesita em entregar as evidências ao juiz, pois acredita que ter o casal Roubaud como culpado seria pior à imagem do regime do que sustentar as suspeitas sobre Cabuche:

Para que destruir a falsa pista da investigação processual se a verdadeira conduziria a transtornos maiores? Era algo a se levar em consideração.  

Mais uma vez, neste capítulo, Zola nos mostra como a justiça que conhecemos na teoria está bem longe daquela que vemos na prática. Enquanto na leitura da semana passada, os critérios sociais orientaram os julgamentos, nestes últimos capítulos, os interesses pessoais e os jogos de poder definiram os rumos da justiça:

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[Resenha] Sempre em Movimento

No começo do ano passado, quando soube que um câncer descoberto nove anos antes tinha progredido para um estágio terminal, o escritor e neurocientista Oliver Sacks não procurou esconder a notícia. Sua reação foi a mais genuína possível para uma vida inteira dedicada à ciência e à escrita: Sacks publicou um artigo muito sereno para o The New York Times, do qual era um colaborador frequente, falando sobre sua doença, suas preocupações, agradecimentos e sua disposição para continuar vivendo da melhor – e mais intensa – forma possível até o fim. 

Em Sempre em Movimento, sua autobiografia lançada no ano passado pela Companhia das Letras, vemos que Sacks tinha, de fato, muito a agradecer. Com sua impressionante curiosidade intelectual e um espírito aventureiro que pouco se encaixam à visão que temos de um neurologista, Sacks viveu uma vida intensa, no qual colecionou paixões, amizades, livros, pacientes e, claro, leitores.

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[Lista] 5 livrarias que valem a visita

Há algum tempo comentei por aqui que ir a livrarias não é, para mim, uma atividade puramente comercial. Sempre presente nos meus roteiros de viagem, o turismo literário já me rendeu ótimos passeios. Por isso, a lista da vez é sobre livrarias que visitei e que recomendo para todos os apaixonados por livros!

1. Shakespeare and Company, em Paris: entrar na Shakespeare é se sentir em uma atmosfera que vive literatura em todas as formas, muito além dos livros. Sua história começou nos anos 20 com a americana expatriada Sylvia Beach. Ela fundou esse espaço que, além de vender e emprestar livros, tinha na lista de frequentadores assíduos grandes nomes da chamada Geração Perdida – Hemingway, Fitzgerald, Pound e Joyce são alguns dos que passavam horas lendo e escrevendo no local. Não à toa, a livraria aparece no filme Meia-noite em Paris, de Woody Allen. Beach fechou as portas durante a ocupação nazista e nunca reabriu o negócio.

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Quando as semanas viram meses, é tomado pelo cansaço e arrefece, mas não desiste. O pai que procura a filha desaparecida nunca desiste. Esperanças já não tem, mas não desiste. Agora quer saber como aconteceu. Onde? Quando exatamente? Precisa saber, para medir sua própria culpa. Mas nada lhe dizem.

Bernardo Kucinski em K. – Relato de uma Busca

[A Besta Humana] Semana #3

Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 192 (se você tem a edição da foto).

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Os dois capítulos que acabamos de ler de A Besta Humana marcaram o início das investigações do assassinato do presidente do tribunal de Rouen, Grandmorin. Membro da alta burguesia, Grandmorin foi assassinado em uma viagem de trem de Paris para Le Havre pelo casal Roubaud, depois que o marido descobriu que a esposa, Séverine, teve um caso com seu protetor antes de se casar.

Émile Zola mantém o nível de tensão elevado. Roubaud reassumiu suas funções como subchefe da estação de Le Havre com pretensa calma, mas o tempo todo fica à espreita de qualquer notícia ou informação sobre o assassinato cometido na noite anterior.

Quando a notícia do crime enfim chega à Le Havre, os dois admitem que estavam no trem e que chegaram até a conversar com Grandmorin, mas apresentam supostos álibes entre os passageiros, como o casal que os acompanhou no vagão. Enquanto Roubaud conta sua história a todos da estação, a subserviência de Séverine se faz ainda mais presente do que no primeiro capítulo, quando ela foi brutalmente espancada pelo marido ao revelar, sem querer, seu segredo. Assustada, ela só faz confirmar tudo o que Roubaud diz, com expressões como “Sim, com certeza” e outras frases igualmente pouco assertivas. Embora cúmplice do crime, já estamos na torcida para que ela confesse o ocorrido e coloque o marido atrás das grades.

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