Página 97 de 110

[Vozes de Tchernóbil] Semana #8

Acabou! Depois de dois meses de uma leitura intensa, chegamos ao final de Vozes de Tchernóbil. E você, o que achou do livro? Mande sua opinião para o e-mail blogachadoselidos@gmail.com. Na próxima semana, publicaremos por aqui as impressões dos nossos leitores.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Nos últimos posts sobre Vozes de Tchernóbil, destacamos o excelente trabalho de edição de Svetlana Aleksiévitch. O seu discurso na cerimônia do prêmio Nobel de Literatura, em dezembro do ano passado, é significativo para a narrativa, porque amarra alguns temas presentes nos diversos relatos, agora sob o seu ponto de vista.

Fechar o livro com essa fala da escritora também foi um grande acerto de edição, dessa vez da Companhia das Letras. O discurso é belo e tem o tom pessoal de Aleksiévitch que, por vezes, sentimos falta ao longo do livro. O capítulo final parece nos aproximar ainda mais da autora do que aquele início, em que ela entrevista a si mesma. Talvez seja porque depois de ouvir tantas vozes estejamos mais preparados para entender as inquietações que mobilizaram Aleksiévitch.

Leia mais

[Resenha] Voltar Para Casa

Voltar para casa. Essa frase simples, cheia de significado e tão cara à literatura, ganhou contornos dignos de nota nas mãos da premiada escritora norte-americana Toni Morrison.

Não são raras as narrativas que partem da ideia lírica do retorno ao lar. A parábola bíblica do filho pródigo e a odisseia de Ulisses em seu regresso a Ítaca estão aí para confirmar o flerte antigo da literatura com essa temática. No livro Voltar para Casa (no original, Home), lançado neste ano no Brasil, Morrison se destaca por questionar a visão romântica de lar. Já na epígrafe da obra, uma canção escrita pela autora muitos anos antes, percebemos essa intenção:

De quem é esta casa?
De quem é a noite que não deixa entrar a luz
aqui?
Me diga, quem é dono desta casa?
Não é minha.
Sonhei com outra, mais doce, mais clara
com uma vista de lagos que barcos pintados atravessam;
de campos largos como braços abertos para mim.
Esta casa é estranha.
Suas sombras mentem.
Olhe, me diga, por que minha chave encaixa na fechadura?

Leia mais

Amores platônicos

E, de uma hora para outra, só pensamos nele. Não queremos saber de mais nada. Nem do trabalho, nem dos amigos. Cada segundo a mais juntos conta. Dormir fica difícil, se não desnecessário. E quase o tempo todo somos invadidos pelo temor de que uma hora tudo vai chegar ao fim. É, não é fácil quando nos apaixonamos por um livro.

Quase sempre essa paixão resulta em um relacionamento sério com o autor da obra. E aí  vem o drama: o que fazer quando um bom autor só escreveu um ou dois livros? No amor literário, nem sempre temos a sorte de nos apaixonar por Balzac e os 88 títulos da Comédia HumanaÀs vezes, nos vemos profundamente envolvidos com escritores novos, como foi o caso de Daniel Galera e seu Barba Ensopada de Sangue. Nosso primeiro encontro foi fugaz.

Leia mais

“As igrejas perfiladas à margem do rio pareciam querer provar que as pessoas decentes continuavam acreditando nas coisas. Talvez acreditassem mesmo. Talvez achassem que fazia diferença todos os rituais de casamentos e batizados, crismas e enterros, todos os séculos de invocação em suas diferentes igrejas, cheias do mesmo ar gelado, para que as coisas se mostrassem com um sentido, afinal, para que houvesse alguma prova de que o mundo está em mãos mais capazes que as humanas.”

Ali Smith em garota encontra garoto

[Vozes de Tchernóbil] Semana #7

Reta final de Vozes de Tchernóbil! Para a próxima semana, terminamos a leitura do livro.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

O medo de ter sua história apagada do mapa e da memória é um dos temas de destaque nos depoimentos desse último trecho que lemos. Se voltarmos lá para o comecinho do livro, no capítulo em que Svetlana Aleksiévitch reúne algumas notícias sobre o desastre, logo no primeiro parágrafo, já percebemos que impedir esse esquecimento foi um dos principais estímulos da escritora:

Belarús… Para o mundo, somos uma terra incógnita – uma terra totalmente desconhecida. “Rússia Branca”: é mais ou menos assim que o nome do nosso país soa em inglês. Já Tchernóbil todos conhecem; no entanto, relacionam-no apenas à Ucrânia e à Rússia. Um dia ainda deveríamos contar a nossa história.

Ao longo do livro, identificamos uma série de motivos que levou os entrevistados a expor seus relatos a Aleksiévitch – tristeza, necessidade de compartilhar, indignação, sede de justiça, culpa e, finalmente, o medo de ser esquecido. E não se trata de um receio de ser apagado apenas como indivíduo, mas também como povo:

Leia mais

< Posts mais antigos Posts mais recentes >

© 2026 Achados & Lidos

Desenvolvido por Stephany TiveronInício ↑