Autor: Mariane Domingos (página 41 de 43)

“Aquele que, em certa altura da vida, deseja realizar os sonhos e as esperanças da juventude, sempre se equivoca, pois cada decênio da vida de um homem traz consigo sua própria felicidade, suas próprias esperanças e expectativas.”

 

Johann Wolfgang von Goethe
em As Afinidades Eletivas

Eu visito livrarias

Eu visito livrarias. É isso mesmo: ir à livraria para mim é mais do que sair para fazer uma compra, é um programa de lazer, é turismo. Lógico que, dificilmente, saio de lá sem uma sacolinha que seja, mas consigo passar horas andando pelos corredores, admirando as estantes, tentando entender sua organização (que às vezes não existe) e lendo orelhas de livro ao acaso.

Gosto de livrarias grandes, pela variedade que podem oferecer, mas tenho um carinho especial pelas livrarias pequenas. Vocês se lembram do filme Mensagem para Você?, com Tom Hanks e Meg Ryan? Pois bem, eu sou do tipo que prefere a loja da Kathleen, que é pequena e de bairro, à megalivraria de Joe Fox.

Me parece que o ambiente e a seleção de títulos nas livrarias menores tendem a ser mais acolhedores e interessantes. Acho que há um toque pessoal do dono nas escolhas dos livros que estão nas prateleiras e na organização. Pode ser que eu esteja imaginando tudo isso, mas se eu tivesse um pequeno negócio desse tipo, seria assim.

No entanto, para visitar livrarias é preciso ser um leitor independente e não atrapalhar o trabalho dos livreiros. Como, algumas vezes, só quero ver a capa do livro por curiosidade ou dar aquela folheada nas páginas, sentir o cheirinho de novo, eu mesma procuro e depois de olhar devolvo exatamente no mesmo lugar. Mudar livros de lugar não é permitido em turismo literário. Meu princípio é simples: não gosto quando bagunçam minha estante, por isso não farei isso com a dos outros!

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[Resenha] No Mar

O mar já foi palco de grandes aventuras literárias. Em Robinson Crusoe (Daniel Dafoe), em Moby Dick (Herman Melville), em Relatos de um Náufrago (Gabriel García Márquez) e, em muitos outros, lá está ele, com maior ou menor participação. Toine Heijmans apostou nessa fórmula e não poderia ter escolhido melhor cenário (ou seria personagem principal?) para seu romance de estreia, No Mar.

Pai e filha, uma criança de sete anos, embarcam em uma viagem de 48 horas pelo Mar do Norte, de Thyborøn (Dinamarca) para Harligen (Holanda). Entre momentos de mar calmo e de mar agitado, vamos conhecendo a turbulência que há dentro de Donald, nosso narrador-pai-capitão:

Fiquei fora de vista por quarenta e quatro horas e agora o mundo volta a me puxar para dentro. Com tudo de que dispõe. Com faróis, radares, binóculos de visão noturna. Com os olhos de águia dos faroleiros. Por fios sem fio, eles me puxam para terra. Queira eu ou não. (…) Se não fizer como combinado, eles arrastam meu barco para dentro. De volta às pessoas e suas coisas. Um barco pode zarpar mas no fim tem que retornar a um porto. O mundo é assim. Os únicos barcos que permanecem no mar são os que naufragaram.

Repleto de metáforas bem construídas como essa, que comparam os desafios em terra firme aos desafios da vida ao mar, o livro nos guia por uma história que tem ação, reflexão e, como cereja do bolo, um suspense psicológico.

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“Nós dizemos de certas coisas que elas não podem ser perdoadas, ou que nunca vamos nos perdoar. Mas perdoamos – perdoamos o tempo todo.”

 

Alice Munro em Vida Querida

[Lista] 5 livros que comprei pelo título

Eu sou do tipo que escreve páginas e páginas sem titubear, mas leva horas ou dias para definir um título e sempre termina usando o mais óbvio de todos. Intitular trabalhos, projetos, textos ou histórias é uma habilidade que sempre admirei, por isso resolvi fazer uma lista com cinco livros que me chamaram atenção pelo nome. A verdade é que alguns deles eu não comprei, ganhei, mas estão aqui, porque tinham títulos tão envolventes que acabaram conquistando prioridade na minha interminável lista de leituras.

1. A Insustentável Leveza do Ser: quando uma história começa com um título desse nível não tem como não ter expectativas altas. E a boa notícia é que o escritor tcheco Milan Kundera não só atende, como supera todas elas. Quatro personagens, Tereza, Tomaz, Sabina e Franz, protagonizam uma história sobre paixões, escolhas, opressão, destino, livre-arbítrio, enfim, sobre a “insustentável leveza” que é existir. Kundera me deixou pensativa da capa à última página, literalmente.

2. Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo: quem não fica curioso ao ler esse título? O livro é uma coletânea de alguns dos melhores textos de não-ficção do americano David Foster Wallace. O nome vem do primeiro ensaio, uma reportagem escrita em 1993 e originalmente publicada na Harper’s como Ticket to the Fair. Nela, David relata sua experiência como visitante da Feira Estadual de Illinois, no Meio-Oeste americano. O resultado é um texto que explora as possibilidades do jornalismo literário em uma prosa divertida, irônica e inteligente, que apenas alguém com a língua afiada e o vocabulário vasto de David poderia escrever. O longo título faz parte de uma das frases dessa reportagem. Quando cheguei ao tal trecho, parei, voltei, reli e tive aquela sensação de “uau, isso realmente merecia ser um título!”. Nessa coletânea, há outros artigos com nomes instigantes, como Uma Coisa Supostamente Divertida que Eu Nunca Mais Vou Fazer, outra reportagem que David escreveu para Harper’s e que dá nome a uma coletânea do autor publicada apenas em inglês: A Supposedly Fun Thing I’ll Never Do Again: Essays and Arguments.

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