“Durante todo esse tempo parecia que algo se formava no silêncio em volta dele, uma lenta onda de compreensão com a força de uma maré montante que não quebrava ou explodia dramaticamente, mas que o levou nas altas horas da noite ao primeiro grande fluxo de entendimento da verdadeira natureza de sua perda. Tudo antes tinha sido uma fantasia, uma imitação banal e frenética do sofrimento. Pouco antes do amanhecer começou a chorar, e foi a partir desse momento, na semiescuridão, que assumiu o luto.”

 

Ian McEwan em A Criança no Tempo

Mariane Domingos

Mariane Domingos

Jornalista formada pela ECA-USP, prefere caligrafia à tabuada, não acredita no ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” e tem dificuldades para se controlar em livrarias (especialmente nas que vendem também papelaria).
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