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[Resenha / Review] A Vida Pela Frente / The Life Before Us

O afeto improvável entre um garoto árabe órfão e uma senhora judia, ex-prostituta e sobrevivente do nazismo é o fio condutor do romance A Vida Pela Frente, de Émile Ajar (pseudônimo do escritório francês Romain Gary).

Momo cresceu na casa de Madame Rosa e, embora saiba bem pouco de sua história, desconfia que ela não seja tão diferente das origens das outras crianças que chegam àquele lar. Madame Rosa é conhecida no bairro por acolher, mediante um pagamento mensal para o custeio dos gastos, os filhos das prostitutas que, por lei, são impedidas de criá-los. Ela mesma, outrora prostituta, viu nesse modelo uma forma de se manter na sua velhice e apoiar as mulheres cuja situação ela entende bem.

No entanto, diferente da maioria das outras crianças, Momo nunca recebe a visita de sua mãe e logo os pagamentos que lhe correspondem começam a falhar. Apesar disso, Madame Rosa o mantém sob seus cuidados, e eles constroem juntos um forte laço que desafia todas as probabilidades e diferenças culturais.

Momo não sabe ao certo qual é a sua idade, mas aprende cedo o bastante que a vida nem sempre é justa e que as pessoas queridas se vão, às vezes de maneira lenta e dolorosa. Madame Rosa não chega bem à velhice, e os seis lances de escada até seu apartamento são um lembrete diário de que seu corpo já se cansou dos golpes da vida.

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[Lista] 5 livros que inspiraram (bons) filmes

Cinema e literatura têm uma ligação quase umbilical. A adaptação de algumas sagas, como Harry Potter, Senhor dos Anéis e Crepúsculo, só para ficar entre as mais famosas, arrastaram milhões para os cinemas. Mas é claro que nem só de blockbusters vive essa relação! Nesta semana, listamos cinco ótimos livros que também renderam bons filmes.

1. A Fazenda Africana, de Karen Blixen: Nascida em uma família aristocrata da Dinamarca, a baronesa Karen Blixen já ensaiava escrever algumas novelas na juventude, mas é a partir da sua experiência na África que surge sua obra-prima. Em A Fazenda Africana, Blixen relata, em primeira pessoa, sua experiência de estranhamento e intimidade com o Quênia, para onde se mudou depois do casamento. A beleza do local a arrebata logo de início:

A posição geográfica e a altitude da região combinavam-se para criar uma paisagem sem igual no resto do mundo. Ali não havia nada de excessivo ou luxuriante; era a África destilada por uma altitude de 1.800 metros, a essência forte e sublimada de um continente. As cores eram secas e crestadas, como uma cerâmica.

Como administradora de uma fazenda de café, conquistou seu lugar como mulher em um ambiente patriarcal, conservador e preconceituoso. Sua posição de autoridade, porém, advém de uma noção europeia de superioridade marcante entre os colonizadores, que aos poucos cede espaço a um forte sentimento pelo continente. Leia mais

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