A leitura de Quarenta Dias é como um abraço amigo. A ternura do texto de Maria Valéria Rezende incorpora aquilo que tanto procuramos na literatura: identificação.

Alice, personagem central do romance, é uma professora aposentada, que sai da Paraíba e se muda para o Rio Grande do Sul por pressão da filha. Aparentemente, nenhuma similaridade entre mim e Alice. No entanto, poucos personagens me inspiraram tamanha empatia.

O tom confessional da narrativa é propício para esse sentimento. Em um caderno velho, com a Barbie na capa, Alice despeja suas memórias, especialmente as mais recentes, desde sua mudança a contragosto para o sul.

Alice criou a filha sozinha depois que o marido desapareceu – ao que tudo indica, vítima da violência da ditadura. Não foram poucos os sacrifícios de mãe, mas o maior deles ainda estava por vir. Norinha casou-se com um gaúcho e se fixou em Porto Alegre. Quando decide engravidar, não o faz sem antes comunicar Alice e propor, em tom mais de exigência que de pedido, que a mãe se mude para o sul para ajudá-la com a criação do neto.

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