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[Resenha | Review] A Trilogia de Nova York / The New York Trilogy

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A Trilogia de Nova York (Companhia das Letras, 344 páginas) é o tipo de livro que surpreende. À primeira vista, parece um romance policial, mas, à medida que as tramas evoluem, percebemos que as empreitadas detetivescas são apenas a superfície de questionamentos que vão muito além de um mistério policial. São três histórias que se passam na cidade de Nova York e que compartilham muito mais que o cenário agitado de uma grande metrópole e o tom noir.

Na primeira narrativa, Cidade de Vidro, um escritor de romances policiais cheio de problemas em sua vida pessoal acaba se tornando, por acaso, detetive de uma investigação particular. O que era, até então, para ele, apenas objeto de ficção se torna sua realidade. E, para deixar a trama ainda mais intrincada, um dos personagens leva um nome pra lá de familiar: Paul Auster. Você já pode imaginar quantas conexões malucas essa leitura permite!

Fantasmas, a segunda história do livro, segue a linha de detetives, perseguições e mistérios. São quatro personagens, todos eles com nomes de cores, cujos caminhos se cruzam por uma investigação. Um deles é contratado como detetive particular para vigiar o outro, sem saber os motivos. Sua tarefa é apenas observar e relatar. No entanto, essa busca, por si só cheia de mistérios, acaba virando uma obsessão perigosa.

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“Não existe uma única realidade, cabo. Existem muitas realidades. Não existe um único mundo. Existem muitos mundos, e todos seguem paralelos uns aos outros, mundos e antimundos, mundos e mundos-sombra, e cada mundo é sonhado ou imaginado ou escrito por alguém num outro mundo. Cada mundo é a criação de uma mente.”

 

Paul Auster em Homem no Escuro

[Resenha] Homem no Escuro

Um quarto escuro e um senhor septuagenário que sofre de insônia e tem dificuldades de locomoção. Parece um cenário improvável para uma trama mirabolante – não nas mãos do escritor estadunidense Paul Auster. Homem no Escuro é uma narrativa guiada pela memória e imaginação de August Brill, crítico literário aposentado e viúvo, que já não tem muita expectativa em relação à vida e decide dedicar seu tempo às lembranças e à imaginação.

O escuro, protagonista já no título do livro, é o gatilho da mente do personagem. Quando a noite chega e a casa se aquieta, Brill é invadido pelas recordações. O antídoto que ele encontra para não sofrer pela ausência da companheira de anos é criar personagens, cenas de ação e um mundo paralelo, em que os Estados Unidos enfrentam uma guerra civil parecida com a Guerra de Secessão:

Não quero começar a pensar em Sonia. Ainda é muito cedo, e, se eu me deixar levar agora, vou acabar pensando nela durante horas. Vamos ficar concentrados na história e ver o que acontece se eu a tocar até o fim.

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Da leitura à escrita

Estou lendo Reparação, de Ian McEwan. Ainda não passei da metade do livro, mas o romance já me estimulou a refletir sobre um tema que sempre me instigou – a relação entre a leitura e a escrita.

Briony Tallis, a personagem central da história, é uma pré-adolescente que ambiciona a carreira de escritora. Em várias passagens, McEwan descreve como a necessidade de expressão pelas palavras a invade com uma força incontrolável:

Presa entre o impulso de escrever um relato simples das experiências daquele dia, como num diário, e a ambição de fazer a partir delas algo maior, algo elaborado, autônomo e obscuro, passou vários minutos olhando, de testa franzida para a folha de papel e a citação infantil nela escrita, sem conseguir produzir mais nenhuma palavra. As ações, ela se julgava capaz de relatar direito, e diálogo era o seu forte. Sabia descrever a floresta no inverno e a aspereza do muro de um castelo. Mas o que fazer com os sentimentos?

Desde criança, o hábito da escrita acompanha minha paixão pela leitura. Uma das minhas maiores nostalgias são os diários. Tenho vários da minha infância e pré-adolescência, daqueles ainda com pequenos cadeados e chaves, lembram? Conservo o costume das agendas em papel, para relatar, nem que com breves frases soltas, um pouco dos acontecimentos relevantes do meu dia. A escrita é para mim como a foto é para alguns: uma forma de eternizar lembranças.

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