Quem nos acompanha nas redes sociais viu que a Mari aproveitou a primeira semana de julho para fazer muito turismo literário, em lugares incríveis como Paris, Copenhague e Estocolmo! Se você, como eu, ficou babando de vontade de estar num avião, essa lista é destino certo! Selecionei cinco livros sobre viagens extraordinárias, porque não ter férias em julho não significa que a gente não possa viajar, não é?

1. On The Road – Pé na Estrada, de Jack Kerouac: Clássico dos clássicos da literatura sobre rodas, a obra prima da “geração beatnik” serviu de inspiração para inúmeros escritores, que também procuraram representar o espírito da juventude de sua época. Com esse livro, Kerouac criou quase um gênero próprio na literatura, que ele chamava de “prosa espontânea”, uma espécie de fluxo de consciência desencadeado por uma boa dose de drogas e álcool.

A geração beatnik, um movimento de contracultura nos  Estados Unidos da década de 1960, procurava se desvencilhar de velhas regras e padrões da  indústria cultural, representando uma juventude libertária, nômade e rebelde.

O livro, que em português ganhou o subtítulo Pé na Estrada, retrata a viagem de um casal em busca da liberdade. Sal Paradise e Dean Moriarty cruzam os Estados Unidos de carro, em um relato que exige do leitor entrega total ao texto, para mergulhar numa verborragia de drogas, sexo e descobertas.

Em 2012, o livro, cujos direitos foram comprados por Francis Ford Coppola, foi adaptado para o cinema pelo brasileiro Walter Salles, com Kristen Stewart no elenco.

2. Foe, de J. M. Coetzee: Nesta releitura de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, J. M. Coetzee volta a uma das viagens mais famosas da literatura, que resultou no livro que construiu a imagem que fazemos dos náufragos.

No original, Crusoé é um inglês estabelecido no Brasil como fazendeiro de cana-de-açúcar que decide comandar uma viagem de navio até a África para traficar escravos. Uma tempestade faz a embarcação naufragar e ele, como único sobrevivente, permanece mais de 20 anos sozinho na ilha. Sua única companhia chegará após todo esse tempo, quando ele salva a vida de um nativo, Sexta-Feira, que havia sido capturado por um grupo de canibais, transformando-o em seu criado.

Na adaptação de Coetzee, Crusoé se transforma em Cruso e o enredo ganha um terceiro personagem. Susan Barton é uma inglesa que vai para a Bahia em busca da filha, mas decide retornar à Europa depois de dois anos. O navio em que ela viajava é alvo de um motim e ela acaba jogada ao mar, desembocando em uma ilha já habitada por Cruso e sexta-feira. A partir daí, Coetzee explora a linguagem e a incomunicabilidade entre dois mundos distintos, com distâncias aparentemente intransponíveis.

3. As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino: Publicado em 1972, esse é um dos romances mais importantes do italiano Ítalo Calvino. Após uma viagem de cerca de um mês, Marco Polo, o célebre viajante veneziano, chega ao império de Kublai Khan, onde os dois travam um diálogo com um quê de realismo fantástico.

Ao longo da história, Marco Polo descreve 55 destinos fantásticos pelos quais ele teria passado em suas aventuras pelo mundo, acendendo em Khan a vontade de montar um império semelhante ao descrito em suas narrativas.

Se não bastasse esse enredo fantástico, a Companhia das Letras recentemente lançou uma edição comemorativa desse livro que está simplesmente maravilhosa. Se não deu para comprar uma passagem de avião, por que não investir neste livro?

4. Moby Dick, de Herman Melville: Em mais uma clássico da literatura, temos outra viagem para lá de célebre: a saga de Ishmael no Pequod, uma embarcação baleeira que ficaria no mar por três anos, partindo da costa leste dos Estados Unidos rumo ao Pacífico Sul.

O capitão do barco, Ahab, contudo, tem um único objetivo: encontrar Moby Dick, a temida baleia que lhe arrancou uma perna.

São 135 capítulos e mais de 600 páginas (na edição que enfeita qualquer estante da Cosac & Naify), em uma narrativa que explora uma multiplicidade de gêneros, da narrativa de viagens à ficção científica, com um vocabulário náutico para lá de extenso. Encarar essa aventura vale mais do que muito mochilão por aí!

5. Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne: Sabe quanto a gente fala que a literatura te faz viajar para lugares inabitados e inimagináveis? Viagem ao Centro da Terra, do francês Júlio Verne, é um grande exemplo do poder dos livros.

Neste clássico da ficção científica, Verne nos leva às camadas internas do globo terrestre, em meio ao magma e a criaturas fantásticas, em uma história de aventura e mistério que povoou a infância de inúmeras gerações.

A história narra a aventura de um professor que, com a ajuda de seu sobrinho, consegue decifrar um pergaminho com uma mensagem que abre as portas para o centro da terra. O ponto de partida nessa viagem é o Monte Sneffels, na Islândia, mas Alex e seu tio vão descobrir, em suas andanças, um mundo obscuro de oceanos, florestas e animais há muito desparecidos da face da terra.

Depois dessa lista, qual será o seu destino nestas férias?

Tainara Machado

Tainara Machado

Acredita que a paz interior só pode ser alcançada depois do café da manhã, é refém de livros de capa bonita e não pode ter nas mãos cardápios traduzidos. Formou-se em jornalismo na ECA-USP e é repórter de economia.
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