[Lista] 5 livros sobre a Rússia

Hoje é dia de mais uma lista temática sobre os 100 anos da Revolução Russa, celebrada neste mês de novembro. Dessa vez, não trouxemos apenas autores russos, mas listamos cinco obras que, de algum modo, falam da história desse país: dos acontecimentos que levaram à Revolução aos difíceis anos de perseguição política e autoritarismo sob o comando de Stálin. Ficou curioso? Aproveite as sugestões de leitura abaixo e aguarde: ainda teremos outros conteúdos especiais sobre a Rússia ao longo de novembro!

Os Romanov resenha Companhia das Letras1. Os Románov, de Simon Sebag Montefiore: Difícil começar uma lista sobre a história russa sem falar da dinastia mais importante dos tempos modernos. O império dos Románov, que chegou a abarcar um sexto da superfície terrestre, durou cerca de três séculos, até que Nicolas II fosse destituído do poder pelos bolcheviques em 1917, com o subsequente assassinato de sua família.

Em Petrogrado, no dia 25 de outubro de 1917, os bolcheviques tomaram o poder. “Uma segunda revolução”, escreveu Alexandra três dias depois. Quando os alemães avançaram na Rússia, o líder bolchevique Lênin decidiu imediatamente se retirar da guerra, o que deixou Nicky indignado: “Como esses bolcheviques salafrários têm o descaramento de pôr em prática seu sonho oculto de propor paz ao inimigo?”.

Nesta obra-prima do historiador Montefiore, autor de Stálin,  acompanhamos dos primórdios aos estertores dessa dinastia, em uma história recheada de assassinatos, traições e vinganças. Com suas quase 800 páginas e centenas de personagens, o livro requer dedicação do leitor, mas garantimos: o enredo coloca muita série de televisão no chinelo!

IMG_30412. Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov: A revolução russa de 1917 marcou o fim de um período marcado pela guerra e pela fome, sobretudo no campo. O sonho de igualdade e liberdade sob o socialismo, contudo, foi substituído por outro governo autoritário, de Joseph Stálin, que assumiu o poder depois da morte de Lênin.

O relato de Chalámov joga luz sobre uma das passagens mais obscuras desse período: o envio de presos para os campos de trabalho forçado na Sibéria. Em Kolimá, as temperaturas chegam aos 60 graus negativos. Foi Foi para lá que o escritor Varlám Chalámov foi enviado para cumprir sua pena de quase vinte anos.

Eu sabia que cada homem aqui tinha a sua última coisa, a mais importante – aquilo que o ajuda a viver, a agarrar-se à vida que tentavam nos subtrair com tanta insistência e obstinação.

Dividido em seis partes, o primeiro volume desse relato brutal sobre os limites da natureza humana foi lançado pela Editora 34, com apresentação de Boris Schnaiderman.

IMG_30493. Nós, de Ievguêni Zamiátin: Embora não seja um livro sobre a história russa, a renomada distopia Nós, escrita em 1923 por Zamiátin, já prenunciava os acontecimentos sombrios da próxima década, além de ter influenciado outros clássicos do gênero, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell.

Neste livro, o engenheiro designado apenas por um número (D-503) tem suas crenças no e convicções no Estado Único abaladas após conhecer uma misteriosa mulher, que o faz duvidar de sua vida feliz. Diante de um autoritarismo inabalável que domina todas as esferas da vida dos cidadãos, o desenvolvimento da noção de individualidade pode ser muito perigoso.

– É muito ruim esse seu problema. Pelo visto você desenvolveu uma alma!\
Uma alma? Essa é uma palavra estranha, muito antiga, há muito esquecida. Às vezes, falávamos “alma gêmea”, “alma fria”, “desalmado”, mas “alma”…
– Isso… é muito perigoso – balbuciei.
– É incurável – as tesouras cortaram.

Com tradução direta do russo, a edição da Aleph, linda e impecável, ainda traz resenha escrita por George Orwell e uma carta do próprio autor solicitando à Stálin permissão para deixar a Rússia.

IMG_30504. Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed: Se você precisar escolher apenas um livro para entender a Revolução Russa, então provavelmente esta é a escolha certa.

Eleito pela Universidade de Nova York como um dos dez trabalhos jornalísticos mais importantes do século XX, a cobertura de John Reed direto do calor dos acontecimentos e centros de decisão inaugurou as grandes reportagens que marcariam a cobertura jornalística do último século,e se mantendo como um dos mais importantes testemunhos daqueles dias que mudariam a história da Rússia e do mundo.

Entre documentos, depoimentos, panfletos e decretos, Reed também encontrava espaço para descrever o sentimento da população local, se colocando por vezes como personagem de seu livro. A leitura, assim, flui rapidamente, apesar da miríade de nomes e acontecimentos.

Em 18 de novembro, começou a nevar. (…) Apesar da Revolução e de que a Rússia estivesse mergulhando vertiginosamente em um futuro terrível e desconhecido, a chegada da neve encheu de alegria a cidade. Todos sorriam; as pessoas saíam para as ruas, esticando os braços, sorridentes, para alcançar os flocos de neve em sua queda. Tudo o que era cinzento desaparecera; apenas as flechas e cúpulas douradas e coloridas, com seu maravilhoso esplendor potencializado, brilhavam em meio à neve branca.

IMG_30525. O Homem que Amava os Cachorros, de Leonardo Padura: Quem foi o assassino de Trótski? Um dos crimes mais marcantes da história é narrado em tom de romance policial nestre ótimo livro do autor cubano Leonardo Padura.

Neste livro, a história do célebre revolucionário russo caçado por Stálin se cruza com a de Iván, um aspirante a escritor marcado pelas perdas em uma Havana cada vez mais depauperada. O elo de ligação desse improvável encontro é Ramón Mercader, o espanhol que seria encarregado de matar um dos homens mais procurados do mundo na primeira metade do século XX.  Sob diferentes perspectivas, acompanhamos alguns dos acontecimentos mais importantes do século passado, da Guerra Civil Espanhola à queda do Muro de Berlim. 

Qual título você adicionaria à essa lista? Conte para gente nos comentários!

Tainara Machado

Tainara Machado

Acredita que a paz interior só pode ser alcançada depois do café da manhã, é refém de livros de capa bonita e não pode ter nas mãos cardápios traduzidos. Formou-se em jornalismo na ECA-USP.
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