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[Canção de Ninar] Semana #7

A dificuldade de encarar sua dura realidade e a inevitável comparação com a vida alheia tornam a existência de Louise cada vez mais amarga. Os rastros de ódio que a levam ao ato brutal do início do romance já são evidentes e assustadores. Para a próxima semana, avançamos até a página 169 e ficamos a quatro capítulos do fim Canção de Ninar!

Mariane Domingos e Tainara Machado

O regresso dos patrões, depois da temporada nas montanhas, não traz boas notícias à Louise. Logo que eles se reencontram, Paul confronta a babá com uma notícia que chocou o casal. De imediato, ela pensa que os vizinhos a denunciaram, relatando os dias que ela passou no apartamento do casal, durante sua ausência. No entanto, não se trata disso. Paul e Myriam receberam uma notificação do Tesouro que revelava as dívidas de Louise e seu desinteresse em negociar o valor devido.

A babá se sente quase aliviada, quando percebe que os patrões não descobriram seu deslize durante as breves férias. A revelação dos seus problemas financeiros lhe inspira menos temor do que a descoberta de seu comportamento, cada vez mais obsessivo, de negação da própria realidade. Louise vive em um estado constante de fuga:

Louise queria tanto ficar. Dormir lá, no pé da cama de Mila. Não faria barulho, não incomodaria ninguém. Louise não quer voltar para o seu apartamento. A cada noite ela volta um pouco mais tarde e anda pela rua, com os olhos baixos, o cachecol erguido até o queixo.

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[Canção de Ninar] Semana #6

Que tipo de renúncias os casais fazem quando decidem ter filhos? Elas são mais cruéis para as mães por fatores naturais ou por convenções da sociedade? É possível mudar essa realidade ou a culpa sempre será um sentimento para as mães que optam por conciliar carreira e maternidade? Esses dilemas aparecem com cada vez mais força em Canção de Ninar, de Leïla Slimani. Está nos acompanhando nesta leitura? Então conte para a gente sua opinião sobre esses temas. Para a próxima semana, avançamos até a página 142.

Mariane Domingos e Tainara Machado

– Vamos viajar e levaremos as crianças com a gente. Você vai ser uma grande advogada, eu produzirei artistas de sucesso e nada mudará.

Eles fizeram de conta, eles lutaram.

A frase de Paul, que logo é contestada pelo narrador de Canção de Ninar, mostra que Leïla Slimani não guarda meias palavras quando é preciso expor os dilemas inerentes à decisão de ter filhos. Quando Myriam engravida de Mila, o casal ainda guarda a fantasia de que nada em sua rotina conjugal irá mudar, uma realidade que logo se mostra bem mais dura.

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[O Retrato de Dorian Gray] Semana #9

O que o final desse romance reserva ao personagem de Dorian Gray? Com uma personalidade cada vez mais sombria e perigos se multiplicando à sua volta, estamos curiosas para saber o desfecho dessa história. Para a próxima semana, leremos os capítulos 17 e 18, até a página 243 se você tem essa edição da foto (da Penguin-Companhia) de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Depois de assassinar o pintor Basil Hallward e chantagear um amigo para ajudá-lo a se livrar do corpo, Dorian Gray segue levando a vida como se nada houvesse, atormentado apenas por alguns poucos lapsos de consciência, que nunca duram o suficiente para fazê-lo se arrepender.

Em sua primeira aparição depois do crime, em um jantar festivo, Gray mantém as aparências, embora os amigos mais próximos percebam que ele está distante. Vestir uma máscara, nos mostra Wilde, não era nenhum esforço para o personagem, tão acostumado a esconder o segredo da podridão de sua alma. Ao usar a primeira pessoa do plural, Wilde generaliza essa vida de aparências e faz uma provocação ao leitor:

Talvez nunca nos sintamos tão à vontade como quando temos de representar um papel.

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[Laços] Semana #3

A mudança de narrador, em Laços, de Domenico Starnone (Ed. Todavia), aprofundou o perfil psicológico dos personagens, enquanto fazemos, ao lado de Aldo e Vanda, um inventário de um apartamento destroçado. A proximidade dessa narrativa com Dias de Abandono, de Elena Ferrante, também fica mais visível a cada página. Está gostando da nona edição do Clube do Livro do Achados & Lidos? Conte para gente o que te marcou neste livro até aqui! Para a próxima semana, vamos até a página 80.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Laços está dividido em três livros: três pontos de vista sobre um passado comum. Na primeira parte, acompanhamos anos de amargura de Vanda, por meio de cartas dirigidas a Aldo, nas quais ela relata a dor do abandono, as dificuldades na criação dos filhos, as angústias de uma vida solitária.

No segundo livro, o narrador é Aldo e o passado ficou para trás. Aldo e Vanda estão juntos novamente e apenas alguns lampejos na narrativa sugerem o passado de mágoas da primeira parte.

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[Laços] Semana #2

O ótimo prefácio da escritora Jhumpa Lahiri elevou nossas expectativas em relação a Laços, de Domenico Starnone! A sofisticação narrativa e a temática universal evidenciadas em sua análise já deram mostras nessa primeira parte do romance. O difícil é interromper a leitura, rs! Para a próxima semana, avançamos até a página 57.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

O início de Laços já é inquietante. A prosa de Starnone aguça a curiosidade, incomoda e envolve o leitor.

A história da família protagonista é introduzida pelas cartas da esposa a Aldo, o marido que a abandonou. Em pouco menos de vinte páginas, Starnone percorre com uma força narrativa admirável os vários estágios de uma separação dolorosa. Primeiro, as tentativas de compreensão. Em seguida, a raiva, o desespero e a apatia misturada à exaustão.

Assim como a autora das cartas, queremos entender o que aconteceu. Começamos desconfiados, com uma curiosidade mais racional, apenas buscando desvendar a trama. Mas, não demora muito, a angústia que transborda do relato da narradora nos contagia. Nem bem entrou na história, já sentimos um desafeto pela figura de Aldo.

Ele aparece como alguém egoísta, que não sabe bem o que quer e não hesita em afundar as pessoas próximas em sua confusão. Os trechos em que a esposa tenta encontrar uma explicação para a partida do marido trazem algumas reflexões interessantes que se aplicam a qualquer relação humana, não apenas ao casamento.

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