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[Enclausurado] Semana #8

Nos últimos capítulos, o narrador de Enclausurado, de Ian McEwan, tomou duas decisões importantes: não é capaz de se suicidar e nem pretende seguir os passos da mãe como assassino para se vingar de seu tio. Qual é, então, o futuro que lhe aguarda? Faltando poucas páginas para o fim dessa leitura, queremos saber o que você está achando da história desse inusitado narrador! Para a próxima semana, avançamos mais três capítulos, até a página 167.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Se o narrador de Enclausurado já aprendeu algo sobre a natureza humana é que ela é, essencialmente, contraditória e que o processo de tomada de decisão costuma ser caracterizado por impulsos e retrocessos, idas e vindas, até que se tenha feito um avanço irreversível, como um assassinato, por exemplo.

Ainda que isolado do mundo, o feto é capaz de compreender melhor do que Claude, seu tio, o misto de remorso e culpa que assombra Trudy após a morte de seu pai, John. Enquanto a mãe se declara desesperada, seu futuro padrasto lê com certo entusiasmo as notícias que relatam a morte de John, sobre a qual ainda não se suspeita de assassinato.

As nuances do relacionamento entre os dois são entendidas pelo feto em um processo de aprendizado indireto, secundário, mas ainda assim absolutamente sensível. Como o próprio McEwan disse, a partir do momento em que aceitamos a premissa desse livro, o restante da história está situado no campo do real. O narrador absorve o mundo externo a partir da perspectiva de sua mãe e de novelas e programas de rádio, o que lhe permite análises bastante aguçadas sobre a natureza dos relacionamentos afetivos, sem deixar de lado certa ironia:

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[Enclausurado] Semana #7

A conspiração entre Claude e Trudy chegou ao fim, mas isso está longe de representar um período de tranquilidade para o narrador, a quem já estamos apegadas. Daqui para frente, o ponto de interrogação em relação ao seu destino fica mais evidente. É a vez de perguntarmos: qual será o destino do feto? Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 147.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

A cada capítulo de Enclausurado, Ian McEwan nos dá uma nova aula sobre escrita. Pode soar repetitivo para os leitores que estão acompanhando os posts sobre o livro desde o início, mas é difícil não se impressionar com o domínio do autor inglês sobre a linguagem e a forma, que se reflete em descrições de ambientes, sentimentos e sensações que fazem com que a gente se sinta dentro do útero de Trudy.

O décimo primeiro capítulo poderia, sozinho, fundamentar uma aula de literatura. Primeiro, McEwan apresenta o possível resultado do plano de Trudy e Claude, no qual tudo corre bem, como o planejado: o corpo encontrado morto, com evidências de envenenamento; as motivações para o suicídio bem distribuídas pelo automóvel; a falta de entusiasmo da polícia com uma investigação corriqueira. Os elementos para que o assassinato funcione estão lá, mas McEwan não entrega o ouro de bandeja.

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[Enclausurado] Semana #6

Está cada vez mais difícil parar a leitura de Enclausurado! Nesse último trecho, o plano criminoso dos amantes Trudy e Claude começa a se concretizar e tivemos cenas de prender a respiração. Qual será o destino de John? Para a próxima semana, avançamos até a página 126.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

O narrador de Enclausurado é o grande trunfo dessa obra de Ian McEWan – disso já não resta dúvida. Nesses dois últimos capítulos, o feto assume brilhantemente sua ambígua posição de espectador e narrador-personagem. Ver o plano de Claude e Trudy tomando forma a partir da narrativa sarcástica do feto foi o ponto alto do romance até agora.

As referências a Hamlet ficam cada vez mais claras. As similaridades de enredo são óbvias. Na obra de Shakespeare, o filho do rei da Dinamarca, Hamlet, sabe pelo fantasma de seu pai que seu tio Cláudio envenenou o irmão com a ajuda da amante, Gertrudes (que também é sua mãe). Hamlet decide então se vingar.

Mas há outros aspectos, estes bem mais sutis, que remetem à obra shakesperiana. A sensação é de estar assistindo, ao lado do narrador, ora na coxia, ora na plateia, a uma peça de teatro. Os diálogos que parecem decorados, os movimentos ensaiados, os improvisos no script – a concretização do assassinato é uma verdadeira aula de encenação. E de escrita. McEwan imprime um ritmo impressionante à narrativa, com cenas em que o suspense é tão grande que sentimos o mesmo tipo de ansiedade do bebê na barriga de Trudy.

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[Enclausurado] Semana #5

Uma reviravolta digna de tragédia shakesperiana aconteceu nas últimas páginas, o que levou Trudy e Claude a acelerar seus planos. Nosso feto, assim, se vê cada vez mais perto de uma encruzilhada: a prisão ou o Paquistão? Está difícil não devorar as últimas páginas de Enclausurado, de Ian McEwan. Haja autocontrole! Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 115.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

A visita inesperada de John Cairncross à casa de St. John’s Wood trouxe reviravoltas importantes à história. Até aqui retratado como um homem fraco e ingênuo, perdido em sua poesia, John de repente muda de posicionamento, em uma tentativa de virar o jogo com sua mulher.

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[Enclausurado] Semana #4

Enquanto os planos de Trudy e Claude para assassinar o pai do narrador ficam cada vez mais claros, o feto inteligente começa a se fazer a pergunta que parece ser chave para essa trama: qual é seu poder de vingança? Ian McEwan consegue nos deixar mais curiosos a cada página. Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 96.

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

A leitura de Enclausurado continua a nos impressionar pela capacidade com que McEwan desenvolve uma personagem que poderia ser insossa. Entre comentários sarcásticos e mordazes, o feto narrador também reúne cada vez mais indícios de como será o crime que poderá matar seu pai.

Claude pretende assassinar John Cairncross com um anticongelante (em pleno verão, nota o sarcástico feto) dissolvido em alguma bebida, provavelmente uma vitamina. Depois de concretizado o plano, ele e Trudy mencionam também a intenção de “colocar” o bebê em algum lugar.

Colocado não passa de um sinônimo mentiroso para abandonado. Como bebê é um sinônimo de mim. Em algum lugar também é uma mentira. Mãe cruel!

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