1. Casa de Julieta (Casa di Giulietta), em Verona, na Itália: essa sacada da foto talvez seja a mais famosa da literatura mundial! Impossível vê-la e não lembrar desta cena icônica, no Ato II da obra-prima de William Shakespeare:

Julieta aparece na sacada.

Mas que luz raia agora na janela?
É o Oriente; e o Sol és tu, Julieta.
Vem, Sol, matar a despeitosa Lua,
Pálida e enferma, de tristeza e inveja,
Ao ver que sua beleza é superada
Por seu vassalo. (…)

JULIETA Ó, Romeu! Por que tens de ser Romeu?
Renuncia a teu pai, nega teu nome;
Ou então jura amar-me para sempre,
E hei de dizer: não sou mais Capuleto.

A trágica história de amor se passa em Verona. Em meio às discussões se a trama é ficcional ou não, a cidade do norte da Itália abraçou a fama que a literatura lhe emprestou e se fixou no imaginário popular como berço desse amor.

A sacada foi construída muito tempo depois do século XVI, época em que a obra foi escrita, e fez parte dos investimentos da cidade de Verona para atrair os turistas. Podemos dizer que foi um trabalho muito bem feito. A atmosfera do local realmente faz você se sentir dentro da obra de Shakespeare.

A casa é aberta à visitação e é possível inclusive subir até a sacada. No interior, móveis e vestuários recriam as características da época.

As superstições contribuem ainda mais para o turismo. No pátio externo, há uma estátua de bronze de Julieta e diz a lenda que quem tocar seu seio direito terá felicidade no casamento. Nas paredes da entrada, também são depositadas mensagens de amor. Quem já assistiu ao filme Cartas para Julieta sabe dessa tradição!

A prefeitura de Verona tenta conter a prática de escrever direto no muro, para preservar a construção, mas, especialmente em épocas de alta temporada, fica quase impossível esse monitoramento. No verão, o pátio fica lotado e tanto a estátua, quanto o muro e a sacada são bastante concorridos. É preciso um pouquinho de paciência, mas vale a espera!

Casa de Anne Frank, em Amsterdam, na Holanda

Casa de Anne Frank, em Amsterdã, na Holanda

2. Casa de Anne Frank (Anne Frank Huis), em Amsterdã, na Holanda: inaugurada na década de 60 como museu, a casa de Anne Frank é parada de muitos turistas que visitam a capital holandesa. Especialmente do público mais jovem, fase em que geralmente conhecemos O Diário de Anne Frank.

Li esse livro na minha adolescência e lembro-me do quanto ele me marcou. A proximidade da idade e a linguagem de diário despertam a empatia e fazem aquele período sombrio da humanidade, que estudamos nos livros de História, parecer ainda mais real e palpável.

A visita possibilita conhecer a casa e o anexo clandestino no qual Anne Frank viveu e escreveu, dos 13 aos 15 anos, seu diário durante a Segunda Guerra Mundial. No livro, há uma descrição precisa do local e como Anne e a família foram parar lá, no número 263, da Prinsengracht:

O esconderijo ficava no prédio do escritório de papai. Para as pessoas de fora, é meio difícil entender, por isso vou explicar. Papai não tinha muita gente trabalhando no escritório, só o Sr. Kugler, o Sr. Kleiman, Miep e uma datilógrafa de 23 anos que se chamava Bep Voskuijl, e todos estavam informados de nossa ida.

Grupos de cerca de 50 pessoas entram a cada cinco minutos. O percurso dura de 30 a 40 minutos. É possível ver a casa e seu anexo, com algumas fotos da mobília original. Mesmo sem muitos elementos e objetos, a visita comove e emudece profundamente os visitantes, como a maioria dos locais que trazem à tona o Holocausto.

É interessante planejar a visita com antecedência, para evitar as filas quilométricas que se formam ao redor da casa. Neste site, há várias informações práticas.

Casa de Victor Hugo, em Paris, na França

Casa de Victor Hugo, em Paris, na França

3. Casa de Victor Hugo (La Maison de Victor Hugo), em Paris, França: a cidade luz tem muitos pontos turísticos, mas esse não pode ficar de fora do roteiro dos apaixonados por literatura.

Na Place des Vosges (antigo número 6 da place Royale), está localizado o apartamento que o grande escritor francês, autor da obra-prima Os Miseráveis, alugou entre 1832 e 1848. Na visita, é possível conhecer um pouco da intimidade do autor, por meio dos móveis, objetos pessoais e obras de arte que lhe pertenceram ou que ele mesmo criou.

O cômodo mais interessante é o quarto que foi fielmente recriado a partir da doação de mobiliário feita, após a morte do escritor, pelos seus herdeiros Georges e Jeanne. Esses móveis são do endereço onde Hugo passou os últimos anos de sua vida, na avenue d’Eylau, de 1878 a 1885. Entre as peças, encontramos os presentes que o autor recebeu por seu 80º aniversário, a famosa escrivaninha sobre a qual ele deu vida a suas obras e a cama onde ele faleceu em 22 de maio de 1885.

No site Maisons de Victor Hugo, há mais informações sobre o apartamento e também sobre a casa em que ele viveu durante seu exílio da França após o golpe de estado de Napoleão Bonaparte. Localizada na ilha Guenersey, a Hauteville House também é aberta à visitação.

La Chascona, em Santiago, no Chile

La Chascona, em Santiago, no Chile

4. Casa de Pablo Neruda (La Chascona), em Santiago, Chile: o poeta chileno Nobel de Literatura começou a construir essa casa em 1953 para Matilde Urutia, sua amante à época. Em homenagem à cabeleira ruiva da amada, Neruda batizou o imóvel com o apelido carinhoso com que a chamava – “La Chascona” , uma expressão local que significa “despenteada”.

Amigos próximos que frequentavam a casa sabiam do romance secreto. Um deles era o artista mexicano Diego Rivera, que chegou até pintar um retrato de Matilde com duas cabeças. Quando se observa o quadro com atenção, é possível perceber, em meio à sua cabeleira, o perfil de Neruda.

Em fevereiro de 1955, o poeta se separou de Delia del Carril e se mudou em definitivo para La Chascona. Durante a ditadura militar chilena, a casa sofreu vários atos de vandalismo. Matilde se encarregou de recuperar a construção e seguiu vivendo aí até sua morte, na década de 80.

Localizada aos pés do morro San Cristóbal, no tranquilo bairro Bellavista, La Chascona é repleta de escadas, de onde se tem belos panoramas da capital chilena. No interior, há obras de pintores nacionais e estrangeiros, móveis, objetos de decoração, manuscritos e a medalha do Nobel de Literatura do poeta.

No Chile, há mais duas casas museus de Neruda, uma em Isla Negra e outra em Valparaíso. No site da Fundação Neruda, há mais informações sobre todos elas.

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Cômodo onde Goethe estudava e escrevia seus livros (aqui nasceu a obra-prima Os Sofrimentos do Jovem Werther!)

5. Casa de Goethe (Goethe-Haus), em Frankfurt, Alemanha: embora seja conhecida mais pelos negócios e por ser ponto de conexão de muitos voos da Europa, Frankfurt pode ser também um destino interessante para quem gosta de literatura, especialmente a alemã.

Lá fica a casa onde nasceu Johann Wolfgang Goethe, em 28 de agosto de 1749. A família do escritor tinha posses e o imóvel foi adquirido em 1733 pela avó de Goethe, Cornelia Goethe, e pertenceu à família até o ano de 1795.

A casa é bem ampla: são quatro andares e um belo jardim. Um grande destaque é a biblioteca, que possui mais de 2 mil exemplares de todas as áreas de estudo que foram colecionados pelo pai de Goethe e serviram de base para a educação de seu filho.

Mais fotos da casa e informações sobre os horários de visita, você encontra aqui.

Mariane Domingos

Mariane Domingos

Jornalista formada pela ECA-USP, prefere caligrafia à tabuada, não acredita no ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” e tem dificuldades para se controlar em livrarias (especialmente nas que vendem também papelaria).
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