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[Lista] 5 traições famosas na literatura

Entre as mentiras mais contadas na literatura, certamente as traições são as mais frequentes. De mulheres infelizes em casamentos arranjados a relações incestuosas, incluindo muitos assassinatos e vinganças, os adultérios são quase onipresentes na literatura. Aqui, listamos cinco livros, já clássicos, em que eles são centrais para a história. Lembram de mais algum? Contem para a gente nos comentários!

FullSizeRender (46) 1. Dom Casmurro, de Machado de Assis: Difícil deixar a obra prima de Machado de Assis de fora de uma lista como essa, mesmo que, para alguns, o livro não se encaixe perfeitamente no tema. A história do relacionamento de Bentinho, um menino que por pouco não seguiu a vida religiosa por causa de uma promessa da mãe, e Capitu, sua vizinha com olhos de ressaca, é fonte de um sem número de análises, todas tentando responder à mesma pergunta: teria Capitu de fato traído o marido com seu melhor amigo?

Há argumentos que pendem para os dois lados. Desde o começo, Bentinho se mostra uma figura possessiva e ciumenta, tentado a encontrar problemas onde eles não existem.

Por falar nisso, é natural que me perguntes se, sendo antes tão cioso dela, não continuei a sê-lo apesar do filho e dos anos. Sim, senhor, continuei. Continuei, a tal ponto que o menor gesto me afligia, a mais ínfima palavra, uma insistência qualquer; muitas vezes só a indiferença bastava. Cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança.

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[A Besta Humana] Semana #8

E chegamos ao fim de mais uma leitura do nosso Clube do Livro! O clássico francês de Émile Zola, A Besta Humana, tem ritmo de thriller policial e nos manteve alertas até a última página! Gostou da leitura? Deixe suas impressões nos comentários e também nos conte qual livro gostaria de ver nessa seção!

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Mais uma vez os personagens principais de A Besta Humana se preparam para um julgamento, dessa vez do assassinato de Séverine por Jacques Lantier.

As suspeitas, no entanto, não recaem sobre o rapaz. Como ele e Séverine haviam montado um plano quase perfeito para matar Roubaud, Jacques tinha um álibi consistente e logo foi desconsiderado como possível algoz de sua amante.

A situação para o quebrador de pedras Cabuche, porém, é bem mais adversa. Encontrado por Misard e Roubaud com Séverine nos braços, todo ensanguentado, e com a arma do crime ainda a seu alcance, logo foi tido como principal suspeito do crime.

Massacrado por interrogatórios, enredado por perguntas sabiamente formuladas e sem se precaver das armadilhas preparadas, Cabuche se obstinava em sua primeira versão.

Cabuche, como comentou nossa leitora Gabriela, é o personagem mais sensível de toda a trama inescrupulosa que envolve a sociedade de Le Havre. Ainda assim, por ser talvez mais humano e menos máquina, Cabuche é refém de suas atitudes impensadas, como a que o compromete na cena do crime, ao tomar Séverine nos braços e a colocar na cama. Cabuche não é nem mesmo capaz de explicar que de fato era apaixonado por Séverine e que colecionava seus apetrechos, como lenços, grampos e outros pequenos acessórios. Essa simples confissão teria explicado porque o relógio de Grandmorin, que estava com Jacques na cama em que ele se recuperou do acidente com a Lison, foi parar em sua cabana.

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[A Besta Humana] Semana #7

Estamos na reta final de A Besta Humana! Para a próxima semana, chegamos ao fim do livro! Gostaram desse clássico francês?

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Despertados por paixões e cobiças, cada um de nós é capaz de realizar crueldades sem medir consequências, nos mostra Émile Zola em A Besta Humana. Os personagens desse clássico francês são dominados por instintos primitivos, sem muita capacidade de reflexão sobre suas atitudes. A sociedade tende a fechar os olhos para os crimes cometidos e enquanto, na superfície, a história é de uma pacata normalidade, quase todos lutam para matar ou morrer.

Logo no início do décimo capítulo, temos a confirmação da suspeita de tia Phaisie, que morreu envenenada pelo marido, Misard. Cidadão pacato, “fleumático”, como o qualifica Zola, Misard foi capaz de seguir seu plano assassino até o fim, mesmo depois que Phaisie desconfiou que ele colocava o veneno no sal. Passou então a envená-la “por baixo”, ao contaminar a água para lavagem higiênica da esposa. Até mesmo os personagens mais inexpressivos conseguem nos surpreender por sua sagacidade para fazer o mal.

Era parado por acessos de tosse que o faziam se dobrar, quase morto também, tão magro e raquítico com seus olhos turvos e cabelos sem cor que, tudo indicava, não teria muito tempo para cantar vitória. De qualquer maneira, havia acabado com ela, aquele mulherão grande e forte, como o inseto devora o carvalho: deitada de costas, consumida, reduzida a nada, enquanto ela durava ainda.

Tia Phaisie, porém, não pretendia deixar barato. Pouco podendo fazer para se livrar do marido, se resignou a morrer sem lhe entregar os mil francos que havia recebido de herança, o motivo para o crime. Ela, que assistia à passagem dos trens e do movimento do mundo de sua janelinha naquele pedaço de terra esquecido, se recusa a fechar os olhos ao morrer, enquanto os lábios se mantinham crispados, como se reprimissem um “sorriso de zombaria”.

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[A Besta Humana] Semana #6

Estamos na reta final de A Besta Humana! Para a próxima semana, avançamos mais dois capítulos, até a página 332 (se você tem a edição da foto).

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

O instinto assassino está de novo à solta em Le Havre.

Envolvidos direta ou indiretamente no assassinato de Grandmorin, o evento central do livro, os três personagens principais de A Besta Humana passam por uma incontestável degradação moral depois desse acontecimento.

A mais visível, embora talvez não a mais intensa, sem dúvida é a de Roubaud. O subchefe de estação é consumido pelo vazio da vida desde o assassinato do presidente Grandmorin. Embora as investigações tenham sido encerradas e ele tenha conseguido, com a esposa, se livrar da culpa, a distância criada entre ele e Séverine o leva a uma degradação moral e física impressionante, privado de sono, engordando a olhos vistos, uma sombra do que já fora. Sua dedicação ao trabalho já não é a mesma e ele passa quase todo o tempo disponível no Café de Commerce, ponto de jogatina.

E não que o remorso o atormentasse com qualquer necessidade de esquecimento, mas na confusão do seu casamento abalado, no meio da sua existência deteriorada, havia encontrado um consolo, a vertigem da felicidade egoísta, passível de se desfrutar sozinho. E tudo naufragava nessa paixão que acabava de transtorná-lo.

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[A Besta Humana] Semana #5

Para a próxima semana, avançamos mais um capítulo, até a página 277 (se você tem a edição da foto).

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

O romance de Jacques Lantier e Séverine Roubaud ficou mais intenso, mais cúmplice e também menos discreto nos dois capítulos que acabamos de ler de A Besta Humana.

Mais uma vez o trem Lison, a máquina conduzida por Jacques, foi protagonista. Em uma manhã de sexta-feira, justamente quando Séverine costuma ir à Paris para passar o dia com o amante, com a desculpa de tratar uma enfermidade no joelho, a neve cai pesadamente sobre Le Havre. As ruas, descreve Zola, tinham uma camada de mais de trinta centímetros de espessura de neve.

Na escuridão, porém, a luz forte do fanal parecia ser devorada por toda aquela densidade descorada que caía. Em vez de ser iluminada por até duzentos ou trezentos metros, a via se mostrava sob uma espécie de bruma leitosa, em que as coisas só surgiam já muito próximas, como se viessem das profundezas de um sonho. Como temia o maquinista, logo se constatou – já no primeiro sinal de beira da via – que seria impossível distinguir, dentro da distância mínima regulamentar, as luzes vermelhas delimitando o caminho. Isso levou ao auge sua preocupação.

Jacques não se preocupava apenas com o trem que conduzia ou com os passageiros sob sua responsabilidade. O fato de ter Séverine a bordo fazia com que fosse excessivamente cauteloso. Zola explora muito bem a relação entre os dois e a natureza. A primeira noite que passam juntos é de tempestade forte, o que acirrou os ânimos dois dois, confrontados com a possibilidade de perderem um tempo precioso juntos.

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