[Lista] 5 livros menos conhecidos de grandes escritores

Quer conhecer a escrita de autores clássicos, mas está sem coragem para enfrentar logo de cara os calhamaços mais famosos? Ou, então, já leu vários livros de um grande escritor e está procurando títulos menos conhecidos para se aprofundar em sua obra? Esta lista será útil para você! Selecionamos cinco livros que, embora não sejam os mais célebres desses autores, são ótimos representantes da sua literatura.

1. Salões de Paris, de Marcel Proust: quando se fala de Proust, o primeiro nome que vem à cabeça é Em Busca do Tempo Perdido. No entanto, é preciso bastante dedicação para concluir os sete volumes dessa obra-prima. Caso falte disposição, não se preocupe. Isso não quer dizer que você não possa conhecer a escrita ímpar desse ícone da literatura francesa.

Salões de Paris reúne 22 textos de Proust, publicados entre o final do século XIX e início do XX, a maioria deles no Le Figaro. Nessa coletânea, é revelada a faceta do Proust jornalista que, em muitos aspectos, lembra a do célebre Proust romancista. De crônicas que versam sobre as festas requintadas da Paris do início do século XX até ensaios que refletem sobre memória e família, nesse livro, é possível apreciar toda exuberância do rebuscado estilo proustiano.

E quer uma boa notícia? Essa coletânea agora está disponível no selo Acervo da Editora Carambaia, que traz, em novo formato, bem mais econômico, os livros já esgotados nas edições luxuosas. Os preços da coleção Acervo variam entre 25 e 30 reais!

2. Uma Criatura Dócil, de Fiódor Dostoiévski: amo Crime e Castigo, mas confesso que Uma Criatura Dócil é minha obra preferida do gênio russo.

A breve história é narrada por um marido atormentado diante do corpo da mulher, que jaz sobre a mesa. Ela, a “criatura dócil” do título, acabara de cometer suicídio, atirando-se pela janela. À época do casamento, ele tinha mais de quarenta anos e ela, uma jovem órfã sem muitas perspectivas na vida, ainda não completara dezesseis. No começo, tudo vai bem, mas com o tempo, “a criatura dócil se rebela”. O perfil possessivo e acomodado do marido entra em choque com os arroubos de juventude da esposa. Ele tenta, sem muito sucesso, expurgar a culpa relembrando todos os momentos que o levaram àquela tragédia.

Enfim, uma narrativa psicológica daquelas que só Dostô sabe conduzir!

3. Tonio Kröger, de Thomas Mann: uma ótima dica para quem não quer partir de cara para a leitura de A Montanha Mágica, o grande clássico desse escritor alemão.

O personagem principal de Tonio Kröger é filho de um cônsul de “temperamento nórdico” com uma mulher do sul, de cabelos negros e “de um indefinido sangue exótico” (traço autobiográfico, já que a mãe de Mann era brasileira, descendente, em parte, de índios).

O resultado dessa mistura foi: “um burguês que se desencaminhou na arte, um bohémien com saudade do berço, um artista com má consciência”. O grande dilema de Kröger é sua busca por um lugar no mundo. Desde a juventude, sente-se dividido entre esses dois universos: as artes e as letras, mais identificados com o lado materno, e a vida burguesa e burocrática, reflexo paterno. Kröger não se sente aceito em nenhum dos dois ambientes e, embora tenha optado pela escrita, ressente-se a todo momento da trajetória que trilhou.

No Brasil, a obra foi publicada pela Companhia das Letras em uma edição que também traz A Morte em Veneza, outra curta e magistral narrativa de Mann. Duas dicas em uma! 🙂

4. O Último Dia de um Condenado, de Victor Hugo: esse romance não tem a imponência das numerosas páginas de Os Miseráveis ou de Notre-Dame de Paris, mas, nem por isso, sua relevância é menor.

Victor Hugo é um dos escritores que melhor representam a literatura engajada. Nesse pequeno romance, ele traz à tona uma das causas que defendeu mais fervorosamente: o fim da pena de morte ou, como ele mesmo denominava, o “assassinato judicial”.

Apesar da força do tema, o que de fato eternizou essa obra de Hugo foi seu vanguardismo narrativo. O condenado relata suas últimas semanas, desde que o tribunal declarou sua sentença até a execução. A agonia do personagem, que se vê durante semanas à beira da morte, e a atrocidade psicológica e física desse cenário são impactantes.

Caso ainda não tenha lido Hugo, você vai terminar essa leitura ansioso por conhecê-lo a fundo.

5. Avenida Niévski, de Nikolai Gógol: essa curta novela pode até não ter a envergadura de Almas Mortas, mas é a leitura ideal para quem quer sentir o gostinho da escrita de Gógol ou simplesmente admirar-se mais ainda com seu talento.

Para começar, o personagem principal da obra é nada mais nada menos do que aquela que, ainda hoje, é parada obrigatória para quem visita São Petersburgo: a avenida Niévski.

Na agitação e efervescência dessa rua, Gógol encontra duas pequenas narrativas que demonstram quão cruel e perigoso pode ser o choque entre ilusão e realidade. As vitrines, as luzes, a modernidade, o luxo, a correria: são essas as máscaras de uma sociedade vazia e decepcionante.

E você, tem mais dicas de leituras não tão conhecidas de grandes autores? Deixe aqui nos comentários!

Mariane Domingos

Mariane Domingos

Jornalista formada pela ECA-USP, prefere caligrafia à tabuada, não acredita no ditado “uma imagem vale mais que mil palavras” e tem dificuldades para se controlar em livrarias (especialmente nas que vendem também papelaria).
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4 Comentários

  1. Adorei as dicas. Não li nenhum desses livros. Já coloquei na minha lista de desejados. Muito obrigada! Abraço nas duas!!!

  2. Amei a lista. Leitura de qualidade. Fico na dúvida se são leituras corriqueiras, para se ler antes de dormir ou numa viagem. Talvez sejam daquelas que nos façam meditar. Pelo sim pelo não, vão para minha lista. Vou começar com Victor Hugo. Gógol, pelo visto, só se eu achar em alguma biblioteca, se bem que prefiro comprar os livros nem que sejam usados para poder ler ao meu tempo no meu ritmo. Valeu pelo post.

    • Mariane Domingos

      5 de setembro de 2018 at 11:26

      Muito obrigada, Reinaldo! Todas elas são leituras bem reflexivas, apesar de curtas.

      A edição da Cosac, do Gógol, está com o preço bem salgado mesmo, porque a editora fechou as portas. Vamos torcer por uma nova edição em breve!

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