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“Lá na frente, o rio apareceu, verde e imóvel. Alguns anos atrás, ele pegou fogo. Durante várias semanas os bombeiros tinham tentado apagar o incêndio sem sucesso. O que trazia a pergunta de como, exatamente, apagar um rio em chamas? O que se podia fazer, quando o retardante era também o catalisador?”

 

Jeffrey Eugenides em A Trama do Casamento

[Hibisco Roxo] Semana #1

A leitura é uma atividade solitária, mas fica muito mais prazerosa quando compartilhada. Nós sempre tivemos essa necessidade de dividir textos divertidos, autores novos, trechos inspiradores e qualquer achado que tenha relação com a literatura. Quando decidimos colocar o Achados & Lidos no ar, logo pensamos que seria legal poder ter essa troca com nossos leitores, em um Clube do Livro.

Queríamos começar com algo marcante e ao mesmo tempo atual. Escolhemos, então, a partir de um critério bem específico: escritores dos quais gostaríamos de ser amigas. Chimamanda Ngozi Adichie é jovem, nigeriana, tem uma prosa leve mesmo ao discutir em suas obras questões como imigração, racismo, preconceito e feminismo. O sucesso de Americanah, seu livro mais recente, a colocou em destaque, mas preferimos escolher, para nossa estreia, Hibisco Roxo, de 2003, traduzido pela Companhia das Letras.

Estão todos convidados a participar dessa jornada conosco! Conforme avançamos na leitura, vamos discutindo diversos aspectos – passagens notáveis, personagens queridos, momentos de indignação ou trechos de reflexão. Na próxima semana, teremos um post por aqui sobre os três primeiros capítulos (até a página 42, se você tem a mesma edição que a gente, essa da foto!).

O sucesso dessa seção depende da interação de vocês. Então, corram lá e consigam um exemplar do Hibisco Roxo! Temos certeza de que, ao final dessa leitura, vamos todos querer ser amigos da Chimamanda!

“Enquanto os adultos matavam ou eram mortos, nós fazíamos desenhos num canto. Enquanto o país se fazia em pedaços, nós aprendíamos a falar, a andar, a dobrar os guardanapos em forma de barcos, de aviões. Enquanto o romance acontecia, nós brincávamos de esconder, de desaparecer.”

 

Alejandro Zambra em Formas de Voltar para Casa

[Lista] 3 formas inusitadas de literatura

1. Na caixa: “Amigos, transeuntes, você que ficou intrigado por este objeto, pegue um livro, leia-o e deposite outro. Nada para comprar, nada para vender, apenas compartilhar ideias, emoções e conhecimento. É tempo do compartilhamento, não do dinheiro. A gratuidade não tem preço”. É assim que o projeto Enfin livres do coletivo francês La gratuité n’a pas de prix convida o público a participar de um troca-troca de livros. Espalhadas por vários lugares da cidade francesa de Aix-en-Provence, as caixas (como esta da foto) incentivam a leitura e o compartilhamento.

2. Na máquina: os três botões disponíveis na máquina, 1, 3 e 5, referem-se ao tempo, em minutos, que você levará para ler a história. Basta apertar um deles e esperar pelo texto impresso em um formato parecido com os recibos de supermercado ou extratos bancários, mas com um papel mais resistente. A ideia que levou à criação dos Distributeurs d’histoires courtes (Distribuidores de histórias curtas) surgiu em uma tarde de 2013 quando os fundadores da Short Édition (uma startup do mercado editorial, que lançou em 2011 uma plataforma para publicação de escritores amadores) estavam no intervalo do trabalho e decidiram comprar um snack em uma daquelas vending machines. Eles pensaram: por que não oferecer histórias em vez de doces e bebidas?

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Eternos começos

leitor-no-diva

Dia desses, em um café, conversávamos sobre o que é, talvez, a obra mais falada e menos lida de todos os tempos. Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust, é universalmente conhecido pelas frases longas, pelo texto rebuscado e pela dificuldade que é passar das 100 primeiras páginas de O Caminho de Swann – que dirá atravessar os sete volumes que compõem a obra.

Não à toa, o trecho mais popular da história é o momento em que o narrador morde uma “madeleine”, um biscoito francês, e o sabor o leva a reminiscências de sua infância em Combray.

A cena está logo nas primeiras páginas, onde a maioria dos mortais consegue chegar. Não muitos conseguiram ir além disso. Chegar a O Tempo Recuperado, então, é tarefa hercúlea – pessoalmente, não conheço ninguém que tenha completado esse trabalho.

Todo esse preâmbulo é apenas para compartilhar uma das minhas maiores aflições literárias: ficar presa no começo de um livro. Acontece com certa frequência e nem sempre porque o livro é difícil ou um grande clássico.

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