[Lista] 5 autores de um livro só

Dá para ser um autor mundialmente reconhecido tendo escrito apenas uma obra relevante? É claro que dá! Nesta semana, selecionamos cinco escritores que publicaram apenas um livro reconhecido por leitores e críticos. Alguns até que tentaram se aventurar por outros títulos e formatos, mas não tem jeito: serão sempre lembrados por uma única obra, que os alçou à fama!

Quer saber quem são? Veja a lista completa abaixo!

1. O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa: Reeditado no Brasil pela TAG Livros, em parceria com a Companhia das Letras, esse clássico da literatura italiana retrata meio século de profundas transformações no cenário econômico, político e social do país, com a unificação da Itália, até então dividida em reinos sob o domínio de potências estrangeiras.

Neste romance, que resenhamos há pouco tempo, Fabrizio, o Príncipe, assiste ao ocaso da nobreza, da qual faz parte, e a ascensão da burguesia, representada pelo casamento de seu sobrinho, Tancredi, com a bela Angelica. Tancredi, o sobrinho, é o símbolo da nova geração, que logo percebe que precisa aderir às novas forças vigentes para se manter no topo.

O Príncipe teve uma de suas visões repentinas: uma cena cruel de guerrilha, disparos nos bosques, e seu Trancedi caído no chão, desventrado como aquele soldado infeliz. “Você está louco, meu filho”. Meter-se com aquela gente! São todos mafiosos e trapaceiros. Um Falconeri deve permanecer conosco, pelo Rei.” Os olhos voltaram a sorrir. “Pelo Rei, com certeza, mas por qual Rei?”. O rapaz teve uma de suas crises de seriedade, que o tornavam impenetrável e adorável. “Se não nos envolvermos nisso, os outros implantam a república. Se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude. Fui claro?”. Abraçou o tio um tanto comovido. “Até breve. Voltarei com a bandeira tricolor.”

Autor de um dos aforismos mais conhecidos da literatura, contido no trecho acima, Lampedusa só se colocou a escrever depois de acompanhar um primo poeta a uma convenção literária, na qual ele seria premiado. “Estando matematicamente certo de que eu não era mais estúpido do que Lucio, sentei à minha escrivaninha e escrevi um romance”, relatou a um amigo em uma carta, segundo um dos textos de apoio da TAG.

2. Frankenstein, de Mary Shelley: A história de como Mary Shelley escreveu esse clássico da literatura de terror também é bastante interessante. Em uma noite de tempestade em 1816, um grupo de jovens se reuniu em torno da lareira para contar histórias tenebrosas: eram eles ninguém menos do que o poeta inglês Lorde Byron, Mary Godwin e sua  meia irmã, Claire, Percy Shelley (que viria a se tornar o marido de Mary) e o poeta John Polidori.

Provocados por Byron, cada um deles se desafiou a escrever histórias de fantasmas. Desta reunião, nasceriam dois dos maiores mitos do gênero.  Além do monstro meio humano de Mary Shelley, Polidori escreveria um livro inacabado com a figura de um vampiro, que basearia os clássicos do gênero.

Mary Shelley até escreveu outros ensaios e romances, mas nenhum deles teve o reconhecimento obtido por sua obra-prima, que completa 200 anos de publicação em 2018. Fique ligado porque já prometemos resenha por aqui!

3. O Sol é Para Todos, de Harper Lee: Você até pode dizer que a inclusão de Harper Lee nesta lista é injusta, já que em 2015 a autora publicou um segundo livro, Vá, Coloque um Vigia, mas não vamos aceitar o argumento. Em primeiro lugar, porque ao longo de toda sua vida a autora jurou que não publicaria outra obra, e há bastante controvérsia em relação a quão envolvida ela esteve na edição deste novo livro.  Em segundo, porque Harper  Lee sempre será lembrada por ter escrito a história de Scout, uma menina alegre, esperta e indagadora de seis anos – e não pela versão piorada deste romance, que adota o ponto de vista da garota já adulta.

Ao adotar uma visão de mundo ainda ingênua, Harper Lee escreveu um clássico sobre as relações raciais nos Estados Unidos, ao retratar o julgamento de um réu negro contra um acusador branco, fadado a um desfecho que todos sabem de antemão. Sensível e cativante, o romance é considerado um dos livros essenciais da literatura americana do século passado, e também já foi resenhado por aqui.

4. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde: Wilde nasceu em Dublin, mas viveu boa parte da vida na Inglaterra, para onde se mudou para estudar em Oxford. Embora tenha estreado na literatura com um título de contos, em 1881, nunca foi um escritor de muito sucesso e é reconhecido apenas pela publicação de sua obra-prima. Em vida, no entanto, O Retrato de Dorian Gray não lhe alçou à fama e à glória. A publicação do livro foi polêmica e chegou inclusive a ser usada como evidência contra o autor em um processo por atentado ao pudor, que o condenou a dois anos de prisão.

Ainda assim, a obra tornou-se um clássico que atravessou gerações não apenas por ter desafiado os valores conservadores da Inglaterra vitoriana, mas porque traz reflexões filosóficas e um sarcasmo que o tornam uma obra  universal e atemporal.

5. Minha Vida de Menina, de Helena Morley: A autora desse diário nunca planejou ser escritora. Acabou incentivada a publicar os relatos de sua infância no interior de Minas Gerais pelas netas, ainda que não acreditasse que as memórias de uma menina em uma cidade do interior, “sem luz elétrica, água canalizada, telefone, nem mesmo padaria”, pudessem interessar a alguém, tantas décadas depois.

Morley não é um prodígio da literatura: o livro nada mais é do que um diário adolescente sobre a vida na província. No entanto, a perspicácia de suas observações fazem desse um relato saboroso sobre um momento histórico relevante, ao relações sociais e econômicas em um Brasil afastado das grandes metrópoles e ainda muito marcado pela escravidão, abolida há menos de uma década.

Apesar de sua pouca pretensão, o livro acabou na lista de leituras indicadas para o vestibular mais concorrido do país, a Fuvest. Ficou curioso? Tem resenha aqui!

Lembrou de outro autor “solitário”? Conte para gente nos comentários!

Tainara Machado

Tainara Machado

Acredita que a paz interior só pode ser alcançada depois do café da manhã, é refém de livros de capa bonita e não pode ter nas mãos cardápios traduzidos. Formou-se em jornalismo na ECA-USP.
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2 Comentários

  1. Olá! Boa tarde! Você incluiu peças de teatro nessa análise? Se sim, há um problema. “The importance of being earnest” é um clássico de Oscar Wilde. Eu a prefiro do que Dorian Gray. Abraços!

    • Tainara Machado

      1 de agosto de 2018 at 12:05

      Oi, David! Obrigada por seu comentário! De fato, Wilde era um reconhecido dramaturgo, embora no campo da ficção seja sempre lembrado por Dorian Gray! Obrigada pela lembrança! 🙂
      Abraços

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