Tag: literatura russa (página 2 de 4)

[O Mestre e Margarida] Semana #2

Um encontro inusitado e um diálogo de humor afiado marcaram o início de O Mestre e Margarida. Já pressentimos uma ótima leitura pela frente! Para a próxima semana, vamos até a página 72 (capítulo 6).

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Uma conversa entre dois amigos, um poeta e seu editor,  e um terceiro desconhecido que se intromete. Até aí, nada de muito novo. Mas à medida que o diálogo avança, percebemos que esse desconhecido não é uma criatura comum. Parece estrangeiro, embora apresente um russo perfeito (além de várias outras línguas). Tem uma fala eloquente, sendo capaz de discutir os temas mais polêmicos, com uma erudição impressionante. Sua aparência também  não passa despercebida:

Antes de tudo: o descrito não mancava de nenhuma das pernas, e a estatura não era pequena nem imensa, porém simplesmente elevada. No que tange aos dentes, do lado esquerdo as coroas eram de platina e, do direito, de ouro. Trajava um caro terno cinza e sapatos estrangeiros da cor do terno. Trazia uma boina cinza de lado e, debaixo do braço, uma bengala com um castão preto na forma de uma cabeça de poodle. Aparentava uns quarenta e poucos anos. A boca era meio torta. Bem barbeado. Moreno. O olho direito era preto, o esquerdo, por algum motivo, verde. Sobrancelhas pretas, só que uma mais alta do que a outra. Em suma, um estrangeiro.

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[O Mestre e Margarida] Semana #1

Literatura russa no Clube do Livro do Achados & Lidos, e estamos como? Empolgadíssimas! Hoje, trouxemos uma breve introdução à obra e, para próxima semana, avançamos os dois primeiros capítulos do livro, até a página 48, se você tem a edição da foto.

Ah, e tem sorteio rolando no nosso instagram. Para participar, basta seguir as instruções do post oficial. Se não quiser esperar e já quiser garantir seu exemplar, também pode comprá-lo clicando aqui!

Por Mariane Domingos e Tainara Machado

Estamos ansiosas pela leitura de O Mestre e Margarida desde o final do ano passado, quando a Editora 34 lançou essa tradução de Irineu Franco Perpetuo a partir da mais recente edição crítica russa.

Os 100 anos da revolução, comemorado em novembro passado, e a agitação em torno da Rússia, que em 2018 é sede da Copa do Mundo, colocaram esse romance novamente sob os holofotes. Decidimos, então, aproveitar o burburinho e propor a leitura compartilhada do famoso livro do russo Mikhail Bulgákov.

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[Lista] 5 livros para viajar à Rússia

Estamos a quase 15 dias da Copa do Mundo da Rússia! Esse país de dimensões continentais estará, mais do que nunca, sob os holofotes. Embora a expectativa seja ver todo burburinho de perto, a realidade que nos resta é acompanhar tudo do sofá de casa mesmo, rs. Aos jogos, podemos assistir pela televisão. E o turismo?! Bem, esse podemos dar um jeitinho com a literatura! Separamos cinco livros, para você mergulhar na cultura russa e viajar sem sair de casa.

1. A Dama do Cachorrinho e outros contos: gosta de narrativas curtas? Então, vamos começar com um dos maiores contistas de todos os tempos: o russo Anton Pavlovitch Tchekhov.

Com textos breves e sugestivos, que exploram com habilidade os silêncios, Tchekhov traz para ficção os raros instantes extraordinários da vida comum. Seus personagens, em sua maioria, carregam o desencanto que é estar no mundo. A partir de episódios aparentemente banais, em que o não-dito predomina, suas histórias lançam um olhar crítico sobre o comportamento humano.

Um bom exemplo é o conto Um Conhecido. Nessa narrativa de menos de cinco páginas, a “encantadora Vanda”, uma dançarina de clubes noturnos, se vê em situação de penúria, doente e na miséria. Ela decide, então, procurar um dos seus antigos clientes para emprestar-lhe dinheiro. O “conhecido” não apenas não a reconhece como ainda a trata com desdém:

Saindo para a rua, sentiu uma vergonha ainda maior que antes, mas não era mais da pobreza que se envergonhava. Não reparava mais em que não estava usando chapéu alto e casaquinho da moda. Caminhou pela rua, cuspindo sangue, e cada cusparada vermelha falava-lhe de sua vida, uma vida má, difícil, e das ofensas, que havia suportado e ainda haveria de suportar, no dia seguinte e dentro de uma semana, dentro de um ano, durante toda a vida, até a morte….

Que escrita poderosa, não? Nessa coletânea da Editora 34, estão 36 dos melhores contos de Tcheckhov, traduzidos diretamente do russo por Boris Schnaiderman.

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[Resenha] Era Uma Vez uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha

Impossível ficar indiferente ao título deste livro da russa Liudmila Petruchévskaia: Era Uma Vez uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha. A cena sombria que ele anuncia e os ares de fábula contidos no “era uma vez” são uma ótima introdução à coletânea de contos dessa autora, que foi censurada na época do regime soviético. Hoje, Petruchévskaia é uma das escritoras e dramaturgas mais reconhecidas do seu país e chega, pela primeira vez, muito bem recomendada, às livrarias brasileiras, com essa edição da Companhia das Letras.

Sua escrita bebe na fonte fantasiosa dos contos de fadas na mesma medida em que lança um olhar afiado sobre a sociedade. Assim, Petruchévskaia se destaca por criar situações e personagens mágicos a partir de problemas reais, como a guerra, a fome, o inverno desolador, a solidão e tudo aquilo que desperta a escuridão da alma humana:

… existe um lado da vida secreto, animal, que floresce teimosamente, e é nele que se concentram as coisas detestáveis e hediondas;

Os contos dessa coletânea são habitados por fantasmas, viúvas e órfãos, uma crítica contundente aos horrores de uma nação que está sempre em combate. Mesmo depois da morte, vítimas e familiares não conseguem encontrar a paz. Em Um Caso em Sokólniki, por exemplo, um soldado morto reaparece para sua esposa para pedir um enterro digno, pois seus restos espalhadas e esquecidos não o permitem descansar.

A ausência é outro tema que perpassa a obra de Petruchévskaia. Se a morte ronda os soldados, a solidão assombra os que ficam à sua espera. Por meio de histórias fantasiosas, a escritora levanta um problema bastante real: o que será dessa geração de órfãos e viúvas?

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[Resenha] Nós

As distopias voltaram a ganhar espaço nas prateleiras de livrarias ao longo do ano passado, à medida que o mundo real parecia se aproximar cada vez mais dos sombrios totalitarismos expostos na ficção, com a ascensão da extrema direita que culminou na eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Em consonância com esse momento, a editora Aleph lançou no ano passado uma nova (e caprichadíssima) edição de Nós (323 páginas, quatro estrelas) , do russo Ievguêni Zamiátin, um dos precursores do gênero. Escrito em 1924, o romance foi censurado na União Soviética, por ter sido considerado ˜ideologicamente indesejável˜, e foi publicado primeiro em inglês, nos Estados Unidos.

O regime russo ainda estava distante dos expurgos de 1936, mas já se incomodava com o mundo mecanizado imaginado por Zamiátin nesta história. Passada em um futuro alguns séculos distante, escrito na forma de diário, o romance retrata a vida de D-503, um engenheiro totalmente fiel aos preceitos do Estado Único.

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